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Numa “entrevista-vídeo” ao LusoJornal, o Cônsul Geral de Portugal em Lyon garantiu que não há listas de espera naquele posto consular. “Praticamente é possível reservar de um dia para o outro, aqui não temos listas de espera” garantiu Luís Brito Câmara.

Luís Brito Câmara chegou a Lyon em setembro de 2017 para assumir a função de Cônsul Geral de uma região com 16 “departamentos” francesas, “com uma área geográfica tão grande como Portugal continental e com uma Comunidade portuguesa que estimamos entre 250 a 280 mil Portugueses”.

Para além da região de Lyon, há concentrações importantes de Portugueses em Grenoble, Dijon, Saint Etienne, Clermont-Ferrand, Annecy, Chambéry, Dôle e Mâcon.

Em março, os Consulados portugueses em França encerraram durante dois meses, “embora no fundo nós continuámos abertos. Não podemos dizer que encerrámos, porque estávamos abertos, mas só para acolher emergências consulares naturalmente, por exemplo uma pessoa que desaparece, uma pessoa que precisa de um passaporte urgente para viajar,… tivemos sempre aqui uma permanência” explica ao LusoJornal.

Depois deste confinamento, foi introduzido o agendamento online. “Já existia, mas as pessoas não aderiram muito. Agora aderiram facilmente” explica o Cônsul Geral na entrevista ao LusoJornal.

“Assim nós conseguimos saber quantas pessoas é que nós vamos ter no Consulado por dia. E para mais, se fizerem um agendamento para terça-feira às 10h00 da manhã, sabem que nesse dia e a essa hora, serão recebidos. Pode demorar 5 a 10 minutos, mas é atendido logo”. Mas garante também que, quem for ao Consulado sem marcação, pode ser atendido, só que tem de esperar que todas as marcações passem à frente. “É quase como ir ao médico. Se vamos ao médico e não marcamos consulta, temos que esperar que o médico tenha uma vaga para responder. Aqui é a mesma coisa”.

Segundo Luís Brito Câmara, os utentes do Consulado perceberam que “isto não é para irritar as pessoas, é para proteger os utentes e a minha principal preocupação é de continuar a acolher todos os utentes. Foram introduzidas medidas sanitárias, as pessoas têm de limpar as mãos com gel, têm de usar máscara, a sala de espera tem uma capacidade para 40 ou 50 pessoas que desta vez limitámos a 10, porque o que nós queremos é mesmo proteger os nossos utentes. Nós não queremos que os Portugueses venham cá e saiam daqui doentes e os nossos funcionários também não devem ficar doentes”. Porque, diz Luís Brito Câmara, se tal acontecer “temos mesmo de encerrar o posto”.

 

Permanências consulares são para manter

Quando chegou a Lyon, Luís Brito Câmara multiplicou por dois o número de Permanências consulares. Atualmente essas Permanências estão suspensas, mas já depois do primeiro confinamento, ainda houve Permanências em setembro e outubro. “Tentámos manter as Permanências até não podermos mais” explica Luís Brito Câmara. “Para 2021 já temos um mapa com a calendarização das 28 Permanências consulares. Neste momento já temos um plano feito, já temos datas, já sabemos em que dia vamos, normalmente à sexta-feira, mas naturalmente aguardamos a aprovação de Lisboa”.

O Consulado Geral de Portugal em Lyon faz Permanências consulares nas cidades mais distantes e com grande concentração de Portugueses, como por exemplo Dijon, Grenoble, Annecy, Chambéry ou Dôle. Em cada uma das Permanências, dois funcionários do Consulado deslocam-se para praticar atos consulares, evitando que os utentes tenham de fazer centenas de quilómetros até ao Posto consular.

O Cônsul Geral chamou a atenção para a possibilidade de serem feitos muitos documentos a partir de casa, sem ser necessário ir ao Consulado. “No nosso site internet, temos uns 30 ou 40 documentos que podem ser pedidos à distância”.

 

Edifício do antigo Consulado de Clermont ainda não foi vendido

Depois do encerramento do Consulado de Portugal em Clermont-Ferrand, estão naquela cidade duas funcionárias do Consulado de Lyon, numa “presença permanente”, a funcionar nos escritórios do Cônsul honorário de Portugal, Isidore Fartaria.

Mas o edifício do antigo Consulado ainda não foi vendido. Está vazio, o Cônsul Geral diz que não está abandonado porque faz a manutenção, mas acabou por nunca ter sido vendido. “O edifício pertence ao Estado português. O Ministério dos Negócios Estrangeiros está a ver aquilo que pode fazer com o edifício, junto do Ministério das Finanças, em Portugal, e eu naturalmente sou o último na cadeia hierárquica. O caso está a ser bem acompanhado pelas autoridades portuguesas”.

Luís Brito Câmara enalteceu o facto de ter “funcionários competentes e dedicados” e interrogado sobre o impacto da pandemia de Covid-19 na Comunidade portuguesa, diz ter contactado os Presidentes de associações portuguesas da região. “Quando eu cheguei cá, disseram que havia cerca de 130, talvez no fundo haja umas 80”.

“O meu objetivo foi telefonar-lhes para perguntar como é que eles estavam, dar-lhes algum alento” disse ao LusoJornal. “Há milhares de pessoas envolvidas nas atividades associativas, são grupos folclóricos, sócios,… Infelizmente, este ano, desde março que as atividades associativas estão adiadas”.

Segundo Luís Brito Câmara, algumas associações apresentaram candidatura aos subsídios da Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP) para o ano 2021.

 

Uma mensagem de esperança

Habitualmente, Luís Brito Câmara diz-se próximo da Comunidade portuguesa e participa nas atividades associativas. “A minha maior revelação quando aqui cheguei foi a componente humana. A nossa Comunidade é extremamente dinâmica e está muito bem integrada. É uma Comunidade que é considerada como exemplar” disse ao LusoJornal. “Os Franceses receberam bem os Portugueses, os Portugueses chegaram cá muitas vezes apenas com a roupa do corpo, fugindo de uma ditadura e conseguiram construir aqui uma vida melhor para si e para os seus filhos e netos”.

Antes de concluir a entrevista, Luís Brito Câmara deixou uma “mensagem de esperança”: “Eu faço um apelo às pessoas, para não se desmoralizarem. Espero que em 2021 a vacina vá ajudar a sair dessa situação. Eu sou um otimista, todos os Portugueses que eu tenho encontrado aqui, desde 2017, são autênticos heróis, e os heróis nunca vão abaixo”.

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