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Com o cancelamento de todos os espetáculos e concertos em França, dezenas de artistas portugueses radicados neste país ficaram sem trabalho. David Dany, cantor português radicado na região de Toulouse, veio a público para defender um apoio do Governo português.

“É um momento complicado para muitos artistas fora do país. É triste ver muitos dos nossos compatriotas não terem nem apoio, nem ajudas, vários têm um outro emprego, mas muitos vivem só da música” explica David Dany ao LusoJornal. “É pena o nosso Governo não apresentar um plano de ajuda financeira para aqueles que estão sempre a divulgar a nossa cultura, as nossas tradições e no final, não são ajudados”.

David Dany mora em Rieumes, nos arredores de Toulouse. “Portugal é um dos países mais estabelecidos no mundo” diz o cantor, lembrando que Portugal tem emigração espalhada por todos os continentes. “Os nossos artistas ainda não ouviram o nosso Ministro”.

“Aqui em França, o Governo está preocupado com os artistas, e com as consequências desta crise. Para muitos será o final de uma carreira e para outros vão ter de recomeçar tudo de zero” diz David Dany. “Esta crise vai fragilizar as associações que deixam de ter meios financeiros para contratar cantores, músicos, conjuntos, grupos de folclore… na minha opinião, vamos ter que baixar também a nossa tabela de preços para manter a nossa cultura em França e dessa maneira ajudar as nossas associações e as comissões de festas para recomeçarem a funcionar”.

O artista português lamenta que tenham de ser os artistas a baixar os preços para que a atividade retome, mas diz que essa é a via. “Vai ser mais complicado poder manter a nossa cultura e vamos ter de fazer um esforço considerável. Se não fizermos nada, isso será complicado a nível cultural”. David Dany considera que alguns artistas já praticam preços baixos, “mas muitos dos nossos artistas praticam preços altos. Temos todos nós de fazer um compromisso para sair desta situação complicada, isto depende de todos” afirma.

David Dany quer que as atividades associativas retomem e conta com a solidariedade de todos os artistas. “Não estou a pedir para trabalharem de graça, mas para contribuírem”, porque “um país sem cultura é um país pobre, basta ver o que acontece aqui sem cafés, sem restaurantes, sem cinemas, sem teatros, é uma tristeza completa”.

Para terminar o cantor deixa um desafio aos demais artistas, em forma de desabafo: “Para levantar a nossa cultura, temos de mudar a nossa maneira de ser”.

 

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