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Como ninguém aprende sozinho, todos precisámos de professores, não só para nos ensinarem as várias matérias escolares, mas também para despertar e incentivar em nós o gosto pelo estudo e pelo “saber mais”, ao mesmo tempo que, aos poucos, nos iam inculcando hábitos de trabalho e métodos de aprendizagem que depois nos acompanharam na vida adulta.

“Aluno és, professor serás” é uma expressão que, embora não possa ser aplicada na generalidade, aponta para os muitos e muitos casos em que um aluno, inspirado por um ou vários professores, decidiu mais tarde seguir essa profissão.

Haverá momento mais gratificante para uma professora ou um professor que aquele em que um aluno diz que quando crescer também quer ser professor?

Só essa pequena frase compensa tantos esforços, tantas fadigas e, diga-se a verdade, também muitas desilusões.

Porque ser professor não é fácil, como todas as profissões em que se lida diretamente com seres humanos, sendo sempre necessário desenvolver uma forte empatia para se poder abarcar a grande diversidade existente entre as crianças jovens a lecionar diariamente.

Há professores e professores, mas há sem dúvida uma classe de professores especial, os professores de Português no estrangeiro, aqueles que, além de ensinarem a nossa língua, tanto a alunos estrangeiros como a portugueses, em vários países do mundo, transmitem também a estes últimos os conhecimentos sobre a nossa cultura, a nossa história, as nossas tradições, construindo uma “ponte” cultural e afetiva entre o país onde os alunos se encontram e o de origem.

Os magustos, as filhoses, as vindimas, o arroz-doce e os pastéis de nata fazem tanto parte da aula de um professor de Português no estrangeiro, como as províncias portuguesas, o D. Afonso Henriques ou a conjugação verbal.

O professor de Português no estrangeiro não é apenas um professor, é um representante de um país que muitos alunos só conhecem durante as férias, é, por assim dizer, um bocadinho de Portugal que ali está presente, com o objetivo de que os seus alunos, muitas vezes bem afastados geograficamente, não deixem de ser portugueses, apesar da convivência diária com outras línguas e outras culturas.

Os professores de Português no estrangeiro, muitas vezes ignorados, desconhecidos e até negligenciados, fazem realmente a diferença, pois evitam que a integração, desejável, passe a ser a indesejável assimilação, e que as crianças e jovens portugueses no estrangeiro mantenham a sua identidade, sentindo-se bem tanto no país em que se encontram como naquele em que têm as suas raízes, porque assim como uma planta não pode sobreviver sem raízes, também um ser humano necessita das mesmas para desenvolver todo o seu potencial.

Os professores de Português no estrangeiro, cujo trabalho muitas vezes não é levado a sério como devia, esquecidos porque muitos trabalham extra-horário, com pequenos grupos de alunos em pequenas localidades, às quais levam a nossa língua e a nossa cultura, deveriam ser mais vezes lembrados e mencionados, e não apenas no Dia do Professor, porque, realmente, fazem a diferença, mantendo vivas a Língua e Cultura Portuguesas no estrangeiro.

 

Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL)

 

Opinião
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