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XXIII Congresso Nacional do PS: Um Congresso centrado no futuro do país

 

Caro Presidente do Partido, Carlos César,

Caro Secretário Geral, António Costa,

Caro Secretário Geral-Adjunto, José Luís Carneiro,

Caras e caros camaradas,

É uma honra! Outra vez, é uma honra estar aqui convosco, militantes do PS português, nem que seja on-line. É uma honra ser portuguesa, ser francesa, ser europeia. É uma honra ser membro inerente da Comissão Nacional como da Direção Nacional das Mulheres socialistas. Antes de tudo, é uma honra ser socialista!

Participar nesta reunião magna, no espírito daquela madrugada histórica que mexeu com o nosso destino e mudou-nos a sorte, inspira, anima e concretiza progressos importantes, dia após dia. «Só vence as batalhas, quem está nas batalhas» (1). O PS esteve em todas as batalhas, nunca fugiu de nenhuma e quanto mais nesta tão difícil batalha contra a crise pandémica ao acudir ao seu povo, fortalecendo o SNS e recusando optar novamente pelo caminho cobarde da austeridade.

É só verdade dizer que os socialistas ao longo da História estiveram em inúmeras batalhas, entre muitas das quais impossíveis. Lutámos, sem cansar, para progressos incontestáveis no devido respeito de cada vida humana. Na procura de justiça, na procura de liberdade, de igualdade e de fraternidade para o nosso povo, como para todos os povos, nós Socialistas portugueses (cá dentro como lá fora), quer no Governo quer na Oposição, nunca desistimos de estar do lado do povo, no também devido respeito do exílio de Mário Soares, de Tito de Morais, de Manuel Alegre e do seu grito universal dirigido ao mundo «em cada rosto igualdade!».

Neste momento, o PS português continua a ser uma exceção nas democracias europeias, onde se assiste a uma crise de desconfiança profunda dos partidos socialistas e social-democratas, em toda a parte. «As rosas estão mais tristes nos jardins do Mundo (…)» (2), salvo em Portugal.

Determinado, não só lidera um Governo estável que dominou défices como outros perigos e cuja ação conseguiu combinar crescimento económico, políticas públicas de inclusão e igualdade e envolvimento ativo no projeto de construção europeia, mas também aprofundou a democracia portuguesa, sem desistir das promessas nascidas do «dia inicial, inteiro e limpo» (3) inclusive durante a pandemia como depois deste tempo sombrio cumprirá, sem sombra de dúvida.

É uma honra, em nome de uma maioria dos Socialistas portugueses do estrangeiro, apoiar a Moção de Orientação Estratégica liderada por António Costa que centra todos os seus esforços no futuro do país, um futuro de conquistas de mais igualdade em erradicar a pandemia, em conseguir a transição climática e digital envolvendo cada cidadão «Recuperar Portugal, Garantir o Futuro».

Camaradas, «é-se tanto português quanto mais universal!» (4). Os Portugueses pela Europa inteira e pelo Mundo somos tal e qual assim como Pessoa nos definiu, sabemos estar bem no Mundo inteiro. Temos ainda batalhas importantes à nossa frente e precisamos da vossa paixão militante para concretizá-las: Respeitar plenamente o Artigo 14 da nossa Constituição: «Os cidadãos portugueses que se encontrem ou residam no estrangeiro gozam da proteção do Estado para o exercício dos direitos e estão sujeitos aos deveres que não sejam incompatíveis com a ausência do país». Potenciamos então o exercício da cidadania e da representatividade das Comunidades. Neste sentido, apoiamos a Moção setorial apresentada por Joana Benzinho, Coordenadora da Secção de Bruxelas «Reforçar o papel das Comunidades, aprofundar a militância no estrangeiro, para uma cidadania plena». Sem dúvida, o recenseamento e voto eletrónicos são ferramentas ao exercício de uma cidadania plena e inteira para os Portugueses do estrangeiro, sem contradição com o mandamento constitucional.

Como vós, somos filhos da madrugada, os do século XXI, militantes de um PS ao qual Jean Jaurès destinou, no PSF e nos outros partidos irmãos, sermos: «um partido de espírito livre, sempre atento aos movimentos da realidade», este PS muito atento que levou o XXII Governo de Portugal a plantar novamente cravos robustos para Portugal e para as Comunidades, e no cumprimento do próprio destino europeu, apesar da crise pandémica ainda à nossa espreita.

Aliás, qual outro ideal maior do que uma Europa próspera, inteligente, criativa, inovadora, solidária? Esta Europa que nos faz tanto falta, mais social, mais reguladora contra a finança enlouquecida, uma Europa das grandes políticas de investimento público? Uma Europa acolhedora aos humanos que procuram os seus braços, atenta às suas esperanças mais do que aos GAFAM (5) e às toneladas de CO2 das mercadorias da China!

A nossa Europa é bela quando digna dos valores que sempre defendeu, quando respeita os princípios que a tornaram um continente de paz e um modelo de proteção social de referência, um lugar de emancipação verdadeiro! Será que desistimos desta batalha? Não, esta batalha exige de nós um trabalho de criação de solidariedes concretas novas para ver nascer um sentimento de destino comum, entre os povos europeus.

É sonhar demais do que propor novos direitos para os povos europeus? Um ordenado mínimo comum, um sistema de proteção social de igual acesso e qualidade? Impensável uma cartão de cidadão europeu com menção «França» ou «Portugal» ou ambas? «Todos juntos, todos somos necessários para ganhar o desafio da Europa» (6).

Camaradas, nesta batalha essencial, podem contar connosco, presencialmente como on-line!

Viva o PS! Viva as Comunidades de Portugal, da Europa e do Mundo!

 

Notas:

(1) Saint Just, In Oeuvres complètes.

(2) Manuel Alegre, V, P.25. In Quando.

(3) Sophia de Mello Breyner, In poema 25 de Abril.

(4) Fernando Pessoa

(5) Google, Apple, Facebook, Amazone, Microsoft

(6) Mário Soares

 

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