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No passado dia 13 de abril, às 17h00, realizou-se um concerto para piano a quatro mãos na Casa de Portugal André de Gouveia, em Paris, pelo Duo Jost Costa.

A pianista francesa Yseult Jost e o pianista português Domingos Costa, interpretaram obras originais para dois pianistas.

O título prometedor – Novos Mundos – certamente uma alusão à diversidade deste programa, proporcionou aos ouvintes uma autêntica viagem musical através do tempo e do espaço. O programa contou com duas estreias francesas de peças que foram encomendadas pelos dois pianistas.

Uma das quais, a obra “Ruínas fingidas” do compositor italiano Riccardo Vaglini, foi estreada em 2019 em Veneza. Trata-se de uma peça cujos arpejos serenos e hipnóticos fazem lembrar a vista esplêndida da cidade Veneza. A delicada e sensível interpretação dos dois pianistas transportou os ouvintes nessa tarde para um outro mundo. O compositor, no entanto, inspirou-se de um tema bem português – as ruínas fingidas de Évora. Este monumento nacional, um pouco menos conhecido, é uma coleção de ruínas dispersas pela cidade, que no sec. 19 foram reunidas num jardim epitáfio.

Grande contraste – a monumental obra autobiográfica de Paulo Bastos – “Sou já do que fui. Uma celebração musical estreada em França, de um dos principais compositores da atualidade portuguesa. Paulo Bastos compõe esta obra inspirado por excertos de um soneto de Camões:

E sou já do que fui tão diferente

Que, quando por meu nome alguém me chama,

Pasmo, quando conheço

Que ainda comigo mesmo me pareço.

A peça vive de dois gestos musicais, um mais nostálgico e lento parece fitar o passado. Acordes tensos e quase meditativos, executados em perfeita simbiose pelo duo. O outro gesto vivo, alegre e colorido, lembra a estética da música minimalista americana que visivelmente influenciaram Paulo Bastos.

100 anos celebra a música de cena do compositor francês Darius Milhaud – “O boi no telhado / Le boeuf sur le toit”. Inspirada do novo mundo, mais propriamente da música tradicional brasileira, esta obra cheia de ritmos quentes do Samba, invadiu o auditório da Casa de Portugal. Os ritmos alucinantes foram executados com charme e elegância. Fulminante foi a execução das passagens quase solísticas de Yseult Jost. A sua técnica brilhante fez ressoar de forma límpida todas as complexidades rítmicas deste monumento da modernidade francesa.

O programa fechou com um verdadeiro fogo de artifício – “La Valse” de Maurice Ravel. Uma obra decadente e magnifica que fechou uma tarde de primavera na Cité universitaire de Paris.

A programação da Casa de Portugal oferece concertos, conferências e exposições com artistas portugueses de carreira internacional.

 

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