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O Embaixador de Portugal e os Cônsules de Portugal em França vão propor ao Governo a criação de um Caderno eleitoral único em França para permitir aos Portugueses residentes neste país “de votarem onde lhes der mais jeito” disse o Embaixador Jorge Torres Pereira em declarações ao LusoJornal.

Na semana passada realizou-se a quarta edição da Coordenação anual da rede diplomático-consular em França (CARDEF), desta vez em versão digital. Para além de Jorge Torres Pereira, participaram os 5 Cônsules Gerais de Portugal em Paris, Strasbourg, Lyon, Marseille e Bordeaux, o Vice-Cônsul de Toulouse, a Coordenadora do Ensino, o Diretor da Aicep em Paris, o Diretor do Turismo de Portugal em França, o Conselheiro Cultural e a Adida de Segurança Social. Numa segunda fase, associaram-se os Cônsules Honorários de Portugal em Lille, Tours, Clermont-Ferrand, Pau e Nice.

“A ideia é criar um espírito de equipa entre os Chefes das missões consulares com a Embaixada” explica o Embaixador de Portugal. “Este ano fizemos um ponto sobre as lições do impacto da pandemia na atividade dos Consulados e um outro ponto foi sobre a forma como decorreu o ato eleitoral para a Presidência da República”.

Interrogado sobre a necessidade de ter mais Consulados Honorários em França para poder abrir mais mesas de voto em eleições futuras, Jorge Torres Pereira reagiu dizendo que “é evidente que uma das hipóteses de resolução do problema é o aumento de mesas de voto, mas eu estou convencido que nós conseguiremos transpor os obstáculos, que são reais e difíceis de ultrapassar, até por imperativo constitucional, do voto eletrónico”.

“Todos os nossos colegas estavam impressionados com o progresso que foi de termos as listas eleitorais completamente informatizadas ao ponto e, no documento que vamos produzir para Lisboa, vamos propor que haja um círculo único em que os membros da Comunidade portuguesa podem votar onde lhes desse jeito e não propriamente ficando com uma obrigação de irem a um sítio em particular”.

 

Pandemia teve impacto no atendimento consular

A pandemia de Covid-19 teve um impacto importante no atendimento consular, mas o Embaixador português refere que “não é inteiramente justa a informação de que os Consulados encerraram. Encerrar é não prestar serviços aos utentes e isso praticamente não aconteceu, só aconteceu um caso muito pontual de contaminação dos funcionários em Strasbourg, mas tirando esse caso, houve sempre uma atividade, um atendimento por e-mail e houve a possibilidade de atendimento presencial urgente sempre que foi necessário”.

Mas Jorge Torres Pereira confirma que “foi necessário fazer grandes adaptações” nos postos consulares. “Os funcionários de atendimento ao público estão praticamente na linha da frente da possibilidade de serem contaminados, porque estamos a falar de centenas de pessoas que recorrem diariamente aos serviços. A preocupação é pois de continuar a poder fornecer os serviços que são necessários, ao mesmo tempo tendo a noção que não podemos estar a contribuir para que haja contaminação e infeção das pessoas que vão ao Consulado, observando as regras de segurança. Mas também é importante não estar a jogar com o próprio risco de saúde dos funcionários do Consulado” disse ao LusoJornal. “Essa adaptação obrigou a uma certa ginástica em termos de organização das próprias áreas de atendimento”.

Mas outra das razões do atraso no atendimento em praticamente todos os postos consulares tem a ver com a necessidade de mais recursos humanos. Argumentando que “não é segredo nenhum” que faltam funcionários, Jorge Torres Pereira diz que “se for ver o que era o quadro do pessoal dos Consulados há 20 anos, verá que houve uma quebra acentuada. E em relação à Embaixada também digo a mesma coisa”.

Mas o Embaixador português está consciente que cada vez há um maior empenho na digitalização dos atos consulares e espera que a situação possa voltar à normalidade. “É preciso simultaneamente manter um ritmo que não faça aumentar o tempo de espera, mas é preciso ter tempo suficiente para recuperar a acumulação e isto ainda vai levar algum tempo”.

O Embaixador, que tem mantido um interesse grande pela Comunidade portuguesa em França, garante que guarda um contacto de proximidade com os Cônsules portugueses, através da aplicação WhatsApp. “Estamos sempre ao corrente do que todos estamos a fazer”.

 

Turismo e economia podem recuperar

Jorge Torres Pereira diz que tem sido privilegiado porque nos últimos anos, o aumento do turismo francês para Portugal foi importante, assim como foi importante o aumento do investimento francês em Portugal.

A pandemia de Covid-19 veio parar praticamente o turismo. “Este setor levou uma pancada muito séria, são os setores que tiveram maior impacto com a pandemia, mas todos nós estamos esperançados que possam recuperar. Neste momento estamos, a nível europeu, a falar de como é que vamos reconhecer os passaportes de vacinação. Quando tivermos a garantia que os candidatos a turistas estejam capazes de mostrar que fizeram testes ou que estão vacinados, nós acreditamos que o setor do turismo pode, de uma certa maneira, voltar a ter muito fulgor”.

No setor económico, Jorge Torres Pereira também confirma que “é evidente que houve uma queda nas importações e nas exportações, embora já esteja a ser notado que há certos setores que recuperam mais depressa do que outros”.

“Curiosamente, o Diretor da AICEP em Paris diz-me que não há uma diminuição do interesse de investir em Portugal, o que há é, obviamente, uma prudência na concretização das propostas de investimento” diz Jorge Torres Pereira ao LusoJornal. “Mas ainda estão previstas importantes intenções de investimento no nosso país”.

 

Veja a entrevista completa AQUI.

 

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