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Filipe Gaivão, de 57 anos, partiu de Bruxelas na Bélgica rumo a Lisboa, e passou pelo território francês, numa viagem solidária e solitária de bicicleta que visa dar maior visibilidade às pessoas que sofrem de esclerose múltipla.

«A esclerose múltipla é uma doença silenciosa. Não é uma doença visível. Quero chamar a atenção para essa doença, para melhorar a vida dessas pessoas. Uma pessoa com esclerose múltipla poderia beneficiar por exemplo de condições de trabalho adaptadas. Tem que haver uma tomada de consciência para facilitar a vida dos doentes», começou por nos explicar o ciclista.

Agora em Portugal, Filipe Gaivão admitiu que houve dias complicados como na quarta-feira: «Foi muito difícil, muito calor, muito vento e problemas como furos porque já não estou a viajar sozinho, já tenho companhia», assegurou, ele que passou a fronteira nesse mesmo dia: «Foi Vilar Formoso na quarta, Gouveia na quinta, Coimbra na sexta, Leiria no sábado e Lisboa no domingo», descrevendo assim o seu percurso final.

O ciclista, que também está a angariar fundos para a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, explicou-nos como foi o percurso em França: «O percurso foi fácil em território francês com zonas mais planas, o que significa que fazia mais quilómetros. Aliás passei pela França nos dias em que não havia assim tanto calor, visto que as temperaturas não ultrapassaram os 30 graus. Tive muito apoio em França, sobretudo da comunidade portuguesa. Tenho a minha bandeira portuguesa e havia muitas pessoas que paravam para me apoiarem. Certas pessoas sabiam que ia passar por essas estradas porque seguem-me nas redes sociais por exemplo, mas outras paravam apenas porque viam a minha bandeira», admitiu Filipe Gaivão.

O Português contou-nos algumas anedotas: «Em França não tive muitos contactos com centros ligados à doença, mas com doentes diretamente. Aliás tive experiências incríveis. A 80 quilómetros de Paris, encontrei-me com os pais de uma mulher que está doente. Ela tem 24 anos, foi diagnosticado há dois anos, e queria encontrar-me, mas como ela teve de ser internada, foram os pais – a mãe portuguesa e o pai francês – que vieram ter comigo. Tirámos fotografias que os pais iam mostrar à filha. É muita emoção. No fim das etapas via sempre doentes, de qualquer nacionalidade, e falava com eles. Foi muito importante para mim», concedeu em entrevista ao LusoJornal.

No que diz respeito a donativos, Filipe Gaivão também tem uma anedota: «Nas redes sociais já ultrapassámos o objetivo que era 1 euro por quilómetro percorrido, mas em França aconteceu-me algo incrível. Um casal australiano que estava no hotel onde dormi, soube da minha iniciativa e deu-me um donativo. Fiz logo a transferência para a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla. Eles tinham uma amiga que teve a Esclerose Múltipla, por isso é que ajudaram. Muitas pessoas percebem o que é esta doença quando conhecem alguém que tem esta doença», frisou.

A viagem de Filipe Gaivão termina neste domingo 28 de julho em Lisboa: «Todos os anos vou defender uma causa desta forma, com uma viagem de bicicleta. Não sou desportista, adoro andar de bicicleta e gosto de conciliar as duas coisas. Eu apenas mantenho o físico durante o ano, mas não faço preparação específica. No ano passado fui ver o Papa, com partida em Lisboa e chegada a Roma contra o desperdício alimentar. A primeira vez decidi fazer uma viagem para a Liga Portuguesa contra o Cancro, agora todos os anos tenho uma causa diferente», assegurou Filipe Gaivão.

 

O que é a Esclerose Múltipla?

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, autoimune, inflamatória e degenerativa, que afeta o Sistema Nervoso Central. Afeta particularmente a mielina (uma bainha que rodeia, alimenta, protege e isola eletricamente as extensões dos neurónios per­mitindo a rápida transmissão de impulsos).

O mecanismo da doença assenta num erro do sistema imunitário que leva a que a mielina seja considerada como um corpo estranho e seja atacada. A EM manifesta-se de diferentes formas pelo que cada diagnóstico é único. As formas conhecidas da doença são:

– As formas remitentes (85% dos casos e típica nos jovens adultos) em que ocorrem surtos sucessivos sem progressão contínua da doença;

– As formas primárias progressivas (15% dos casos e típicas acima dos 40 anos) em que a doença evolui de forma lenta, mas progressiva;

– As formas remitentes podem evoluir, ao fim de 10 ou 20 anos, para uma forma secundária progressiva, em que os surtos ficam cada vez mais raros e pode começar a ocorrer um agravamento progressivo, por exemplo, da marcha.

A diversidade de sintomas e a ausência de indicadores específicos dificultam o diagnóstico. Este é feio com base na observação de sintomas clínicos, imagens de ressonância magnética que permitem visualizar as lesões (cicatrizes das zonas de ataque à mielina / inflamação) e elementos biológicos: análises do líquido cefalorraquidiano (que envolve o sistema nervoso central) recolhido por punção lombar.

A doença surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade, ou seja, entre os jovens adultos. Afeta com maior incidência as mulheres. Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com EM (dados da Organização Mundial da Saúde) e em Portugal mais de 8.000 (Gisela Kobelt, 2009).

 

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