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Gessos históricos da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e esculturas de artistas nacionais e estrangeiros vão dialogar numa exposição a partir de 18 de setembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

São 16 os artistas representados na exposição “Esculturas Infinitas – Do Gesso ao Digital”, colocando em foco “a crescente importância da técnica do molde – tradicional ou digital – nas práticas artísticas contemporâneas”, assinala a organização num comunicado sobre a mostra.

Esta exposição, apresentada inicialmente em Paris, nas Belas-Artes, constitui “uma oportunidade de resgatar das sombras a técnica da moldagem, sendo também, simultaneamente, uma forma de reconhecer essa presença e de celebrar a sua infinita capacidade de reinvenção”, aponta.

Estarão representados artistas como Jumana Manna, David Bestué, Christine Borland, Steven Claydon, Michael Dean, Aleksandra Domanovic, Simon Fujiwara, Asta Gröting, Oliver Laric, Charlotte Moth, Jean-Luc Moulène, Francisco Tropa, Xavier Veilhan, Marion Verboom, Daphne Wright e Heimo Zobernig.

Serão também apresentados vídeos de Marie José Burki e Rogério Taveira, realizados a partir de filmagens nas reservas das coleções de gessos do Louvre e da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Com curadoria de Penelope Curtis, Rita Fabiana, Thierry Leviez e Armelle Pradalier, a mostra inclui os temas “A escola de arte”, “Moldes de esculturas antigas”, “Moldes de monumentos”, “Capacidade de parar o tempo”, “Moldes: natureza e corpo humano”, “Aulas de anatomia”, “Reprodução infinita”, “À descoberta do interior”, “Materiais: passado e presente”, e “Escala e repetição”.

Um dos temas-chave desta exposição, organizada e coproduzida pela Fundação Calouste Gulbenkian e as Belas-Artes de Paris, em colaboração com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, é a noção de multiplicação infinita.

“Sendo a escultura tipicamente plural, o molde é o meio que possibilita essa pluralidade. Nos últimos anos do Renascimento, os mecenas encomendavam réplicas de esculturas clássicas famosas, muitas das quais correspondiam às peças mais antigas de coleções históricas, como a do Louvre. O gesso passou a permitir a reprodução fiel de esculturas conservadas em lugares distantes, o que tornou muito tentadora a criação de repositórios de peças escultóricas da Antiguidade greco-romana, mas também de edifícios da Idade Média e do Renascimento”, contextualiza.

No século XIX, os moldes em gesso eram usados no ensino da medicina e alguns assumiam formas artísticas, enquanto na época da invenção da fotografia, a moldagem em gesso revelou-se uma técnica potencialmente concorrente no que diz respeito à reprodução do conhecimento, sobretudo médico, natural e forense. “Num período em que se assistia a uma crescente obsessão com a taxonomia e a identificação, passou a ser possível a realização de moldes de folhas, frutos e corpos com um grau de precisão quase absoluto”, assinala ainda a Gulbenkian.

A exposição “Esculturas Infinitas – Do Gesso ao Digital” ficará patente até ao dia 25 de janeiro de 2021.

 

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