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A Fundação Cupertino de Miranda (FCM), em Vila Nova de Famalicão, está a homenagear a artista Isabel Meyrelles, radicada na região de Paris, com a exposição “Como a sombra a vida foge”, reunindo 84 obras, numa montra “ampla e diversificada”.

Segundo a instituição, 15 anos depois da primeira mostra dedicada à poetisa, tradutora, escultora, que esteve na emergência do Surrealismo em Portugal, as obras da “criadora de objetos e sonhos surrealistas”, nascida em Matosinhos em 29 de abril de 1929, que também “contribuiu para o nascimento do Surrealismo na Fundação Cupertino de Miranda”, voltaram a Famalicão.

No total estão expostas 84 obras das 98 reunidas no catálogo, das quais mais de metade são da autora, que completa 90 anos, e as restantes da FCM e de vários colecionadores particulares e galerias.

A exposição dedicada a Isabel Meyrelles, “abrange todas as fases da artista”, em que “a influência surrealista está presente em várias obras”, inspirando-se “não só em desenhos e pinturas de vários artistas surrealistas, com especial destaque para as obras de Cruzeiro Seixas”.

A montra reflete também a admiração pela ficção científica e a alusão ao fantástico, observado em obras como o “The Sheriff” e “O Príncipe”, ou a simbologia e alegoria à vida e aos sentidos, personificados em objetos como o Ovo, retratado nas obras representadas pela mão e luva negra intitulada por “Oferta” e na “Os adoradores do Ovo”.

Ao longo de toda a exposição, é possível, realça a FCM, “reconhecer algumas homenagens, não só a pessoas amigas e familiares, na forma de bustos e altos-relevos, mas também a personalidades que a artista admirava”, com as obras como “Hommage à René Magritte”, “Homenagem a Alexandre O’Neill” e “Hommage à André Breton – Le Revolver à cheveux blancs (1932)”.

Isabel Meyrelles viveu em Lisboa e, depois, em Paris, para onde partiu em 1950. Na capital portuguesa fez amizade com os elementos do Grupo Surrealista Português e com os seus dissidentes, reunidos no Grupo Surrealista de Lisboa/Os Surrealistas, que englobavam nomes como Mário Cesariny, António Pedro, Cruzeiro Seixas e Alexandre O’Neill. Do seu núcleo próximo fazia igualmente parte Natália Correia, com quem fundou e dirigiu o restaurante O Botequim, nos anos de regresso a Portugal (1971/1977).

Foi a ditadura do Estado Novo que determinou a ida de Isabel Meyrelles para a capital francesa, onde continuou os estudos de escultura, na Escola Nacional Superior de Belas Artes e na Grande-Chaumière, a par dos estudos literários, que completou na Sorbonne.

Expôs em Portugal e em França e traduziu autores de língua portuguesa, entre os quais o brasileiro Jorge Amado.

A exposição “Como a sombra a vida foge” estará patente na FCM, em Vila Nova de Famalicão, até 19 de março de 2020.

 

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