Faleceu António Ferreira de Araújo, figura marcante do associativismo português em França


A Comunidade portuguesa de França perdeu, no passado dia 30 de abril, uma das suas figuras mais dedicadas e discretamente influentes. António Ferreira de Araújo, de 76 anos, faleceu em Mimizan, deixando um legado de compromisso cívico, serviço comunitário, humanidade e humildade que marcou várias décadas de associativismo luso-francês.

Nascido a 5 de fevereiro de 1950 na Foz do Douro, António Araújo integrou, desde muito cedo, movimentos e estruturas representativas da diáspora portuguesa. Foi dirigente associativo e desportivo em Cambrai, foi árbitro de futebol, e foi durante muitos anos Tesoureiro da Coordenação das Coletividades Portuguesas de França (CCPF). Acompanhou o nascimento desta estrutura quando ainda era Conselho da Comunidade Portuguesa de França (CCPF), e esteve sempre na Direção no período áureo desta confederação de associações.

Foi também membro eleito do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), onde representou com seriedade e sentido de missão os portugueses residentes em França.

Foi sindicalista, foi cofundador da cooperativa Chèques-Déjeuner, foi militante.

Colegas e amigos recordam-no como um homem de convicções firmes, de coragem tranquila e de uma entrega constante ao bem comum. Ao longo dos anos, participou em debates, iniciativas e projetos que procuravam melhorar a vida da Comunidade, aproximar instituições e fortalecer a cidadania. Era, acima de tudo, alguém que acreditava no valor das pontes – entre pessoas, entre gerações, entre países.

Ainda há pouco tempo perdeu a mulher que tanto amou – casal inseparável – que entretanto foi apanhada por uma doença horrível do esquecimento, ao ponto de já não o reconhecer. A família ajudou-o a passar este momento, mas a separação eterna foi-lhe insuportável, partindo, também ele, na quinta-feira passada.

“A partida da tua companheira de sempre abalou-te de um modo irreparável. E, à distância, fui assistindo, com tristeza, a esse lento afastamento, como se uma parte de ti tivesse partido com ela. Foste-te deixando levar, como quem já não encontra ancoragem” escreveu António Garcia, que presidiu a CCPF durante vários anos. “Ontem, finalmente, seguiste o teu caminho. Quero acreditar que foste ao encontro de quem nunca deixaste de amar e que agora, juntos, retomam esse diálogo interrompido”.

A cerimónia fúnebre, civil, terá lugar esta quarta-feira, dia 6 de maio, às 14h00, no Crématorium d’Ychoux, situado no 174 rue de l’Infini, em Ychoux (40).

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