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“Homenagem Amália, Fado e Saudade” organizado em St Priest pela associação Raízes

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A associação Raízes organizou no passado dia 24 de janeiro, uma homenagem a Amália Rodrigues, o evento teve lugar no espace Mosaique, em St Priest, nos arredores de Lyon, onde reuniu mais de 250 pessoas.

A 6 de outubro de 1999, Portugal e o mundo lamentou o desaparecimento da rainha do fado, Amália Rodrigues. Em homenagem à diva do Fado, foram organizados vários espetáculos em Portugal. “Até hoje, ninguém conseguiu fazer tudo o que Amália fez” comenta o Presidente da associação organizadora. Amália Rodrigues era uma artista internacional – até universal – uma das artistas mais importantes do século XX, uma artista que sabia como tornar a cultura portuguesa conhecida em todo o mundo, uma artista que sabia mover as almas com a sua voz.

Foi Amália Rodrigues que internacionalizou o Fado. Onde alguns cantores temiam cantar os complexos e poemas menos populares, Amália Rodrigues deu a sua voz. Como tal, e longe de querer copiar ou fazer como Amália Rodrigues, a nova geração de cantoras de Fado, inspirada na carreira da cantora que continua sendo um ídolo para muitos artistas, tenta seguir o caminho que ela traçou.

 

Uma homenagem diversificada

“Homenagem Amália, Fado e Saudade foi o tema que escolhemos para este evento”, conta-nos Carlos Moreira. “Uma vez que este ano de 2020 marca o centenário do nascimento de Amália Rodrigues, considerada por muitos como a maior artista portuguesa de todos os tempos, e para comemorar esta data, foi feito um jantar gala e este tributo musical onde, durante três horas, vários temas criados e popularizados pela cantora foram cantados”. No palco ouviu-se “Maldição”, “Barco Negro”, “Fado Gingão”, “Deus me perdoe”, “Confesso”, “Tudo isto é Fado”, “Foi Deus”, “Maria Lisboa”, “Estranha forma de vida”, “Casa Portuguesa”, “Lisboa não sejas Francesa”, “Namorico da Rita”, “Senhor Vinho”, “Ai Maria”, “Alfama”, “A beira do Cais”, “Justino da Tipoia”…

A organização convidou as fadistas Luana Velásquez – vinda diretamente de Portugal – Vanessa Ferreira, Cristina Neiva, Maria da Luz e Anabela – do grupo eLeZieLa (da região Auvergne Rhône Alpes). Para as acompanhar, convidou os prestigiados músicos, também eles vindos de Portugal, Ricardo J. Martins e Bruno Davide (guitarra portuguesa e guitarra clássica). Foram projetados vídeos e algumas passagens da vida de Amália Rodrigues, “fazendo um espetáculo ainda mais cativante”.

 

Dois músicos à altura

Aliás, um dos momentos mais altos do espetáculo foi precisamente a interpretação dos guitarristas a solo – Ricardo J. Martins e Bruno Davide – que proporcionaram um grande momento de guitarras (portuguesa e clássica) aos convivas.

Ricardo J. Martins, natural de Faro, Algarve, faz parte da nova geração de músicos de Guitarra portuguesa que têm raízes noutros mundos musicais e também dos poucos guitarristas que compõe. Sempre foi influenciado por vários géneros musicais, lançou o seu segundo disco de Guitarra portuguesa instrumental, intitulado “Cantos e Lamentos”, editado através da editora espanhola “Música Fundamental”. Recebeu em 2018 o prémio de Melhor música instrumental com “Corre-corre Corridinho” no International Portuguese Music Awards.

Ricardo J. Martins já teve o privilégio de partilhar o palco com grandes nomes da poesia e do teatro, como por exemplo Maria do Céu Guerra, José Fanha, Irene Flunser Pimentel (Prémio Pessoa 2007), e também da música, já tocou com grandes nomes como Viviane (Entre Aspas), Marco Rodrigues, Filipa Cardoso, entre outros. Reconhecido internacionalmente, já levou a sua guitarra portuguesa ao outro lado do atlântico.

Quanto a Bruno Davide, nasceu e cresceu na margem sul do Tejo, mais propriamente na Baixa da Banheira, e começou a tocar aos 9 anos de idade. Desde aí nunca mais parou, já tocou em várias bandas locais de música ligeira e tradicional portuguesa. Em 2007 obteve o diploma de enfermagem em Setúbal e mudou-se definitivamente para o Algarve. No hospital de Portimão, é membro da Banda Haja Saúde e conhece vários músicos do panorama nacional da música portuguesa. Tocou com músicos de jazz e música tradicional portuguesa (Brasa Doirada). Bruno Davide descobre o Fado, e atualmente acompanha os guitarristas e cantores do fado nas diferentes formas, tradicional e moderno. Em 2018 Ricardo Martins e Bruno Davide viajaram até Xangai e Kiev e até outros países europeus, mas na sexta-feira passada, foi a primeira vez que atuou na região de Lyon.

 

Luana Velásquez encantou

A pequena Luana Velásquez, veio como convidada especial para o evento. Natural de Portimão, esta jovem com apenas 14 anos, encantou os espetadores em Lyon. Começou a cantar com 5 anos e desde a mais tenra idade cantarolava em bailes. Aos 6 anos concorreu a um concurso de música da rádio Alvor, no Algarve, aos 7 anos voltou a concorrer e aos 8 anos ganhou esse mesmo concurso. Nesse ano entrou no programa The Voice Kids Portugal, tendo ficado na equipa de Anselmo Ralph. Desde daí nunca mais parou. Esteve em vários programas de televisão como A Praça, Agora Nós, A tarde é sua, Você na TV, Aqui Portugal, Alô Portugal, Ponte de equilíbrio, e foi várias vezes ao programa de João Baião.

Foi finalista do elenco do espetáculo Amália, com Filipe La Féria e até agora conquistou 14 concursos de Fado aos quais o último teve como oferta a gravação de um CD no Festfado Ponte Sour.

Luana Velásquez pisou o palco com a Fadista Raquel Tavares e tem sido cabeça de cartaz nos espetáculos em várias localidades de Portugal. Atou nos Açores por 3 vezes e já levou o seu Fado a Toronto e desta vez a Lyon. Em maio de 2020 vai lançar o seu primeiro trabalho.

 

Um mar de parcerias

A Direção da associação Raízes agradeceu a presença de todos os artistas e aos parceiros do evento, ao Camões, I.P- Instituto da Cooperação e da Língua pela sua colaboração, com a apresentação do espetáculo a cargo da Leitora de português Cristina Gertrudes. Agradeceu também a presença do Cônsul Geral Luís Brito Câmara e demais funcionários do Consulado Geral de Portugal em Lyon, assim como aos Presidentes das associações representadas.

Mas este evento foi possível graças a uma multitude de parcerias que o tornaram ainda mais rico, desde a “Makeup Artist” Zahra que se ocupou da maquilhagem, à estilista Jennifer Caschera, proprietária da marca “A vos Souhaits Création” que vestiu as fadistas presentes no espetáculo, passando por Aline Cabeleireiros, sediada há mais de 30 anos em St. Priest e que elaborou os penteados das cantoras, pela casa Mig Craponne que serviu o catering, pelo trabalho fotográfico de Marie Hélène Vaz e pela sonorização de Filipe Ribeiro e Roque.

A organização agradeceu ainda às empresas representadas CIC Iberbanco e Efficity, “e a todos os voluntários da associação francesa Unis-Cité que nos ajudaram na logística do evento, a toda a Comunidade portuguesa e francesa presente, assim como a todas as pessoas que contribuíram para o sucesso deste espetáculo. Um grande Obrigado” disse ao LusoJornal o Presidente da associação Raízes, José Carlos Moreira. “Sem vocês, nada disto seria possível”.

A associação Raízes irá festejar mais um aniversário, no dia 29 de fevereiro, em Charvieu-Chavagneux, em parceria com a associação Rosita, onde haverá mais um Festival folclore, e animação pela noite dentro com Fernando Correia Marques e Mickael Akordeon.

 

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