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Ilda Nunes é a nova Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris. Foi eleita ontem, sábado, numa reunião desta instituição de solidariedade que teve lugar na cripta do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris, horas antes da apresentação do livro sobre o jubileu da Misericórdia.

Ilda Nunes chegou a França com 15 anos, em 1966, é professora de Português e também é a Presidente da associação Memória Viva.

“A função da Provedora vai trazer-me ainda muito mais responsabilidades e trabalho, porque há cada vez mais dificuldades tendo em conta que há cada vez mais pedidos de ajuda” diz ao LusoJornal. “Nós precisamos de mais ações, precisamos que mais jovens venham para a Santa Casa como membros ativos, porque sem isso nós não conseguimos dar conta do recado, como se costuma dizer”.

Ilda Nunes é a primeira mulher Provedora da Misericórdia de Paris, uma instituição criada em 1994. O primeiro Provedor foi Pedro Cudell, seguiu-se Aníbal de Almeida, Joaquim Sousa e ontem cessou funções António Fernandes. “Aceder a esta função é uma honra para mim, claro, mas não é só isso, é algo que me responsabiliza ainda muito mais – mesmo se eu já tinha uma responsabilidade na instituição – mas responsabiliza ainda mais face à situação de precariedade em que vivem alguns dos nossos compatriotas – e não só, porque a Santa Casa não faz seleção em função da nacionalidade ou das origens” diz Ilda Nunes em declarações ao LusoJornal.

A primeira Santa Casa da Misericórdia, a de Lisboa, foi criada em 1498 pela Rainha D. Leonor e atualmente há perto de 400 estruturas ativas em todo o país. “A Santa Casa da Misericórdia de Paris não tem meios próprios e por isso vive das cotas dos aderentes, dos donativos de alguns benfeitores, felizmente – por exemplo o nosso escritório é pago por dois benfeitores que todos os anos pagam o equivalente da renda anual – outros donativos são de empresas que também participam, organizamos um jantar da solidariedade para recolha de fundos, mesmo se não nos tem dado assim tanto lucro com isso, mas dá algum. Nós não temos bens próprios, não temos rendimentos próprios” explica a nova Provedora.

Durante o ano, a Misericórdia de Paris faz uma recolha de bens alimentares que depois distribui por família carenciadas, tem um serviço de apoio com uma linha telefónica direta e com equipas permanentes, disponíveis para prestar apoio social. E tem dois jazigos em Enghien-les-Bains onde enterra Portugueses que morrem em França sem que se conheça qualquer família. O primeiro jazigo tem 12 corpos e está cheio, mas o segundo ainda está vazio.

Devido às condições sanitárias, a Misericórdia teve de anular a Corrida da Solidariedade, para recolha de fundos, que costuma organizar antes do verão. “Devido à situação sanitária tivemos que anular muitos eventos, mas o próximo será no dia 4 de outubro, um passeio-marcha junto ao lago do Bois de Boulogne, perto da Porte de La Muette, a partir das 10h00 da manhã. Divulgaremos em breve esta informação” prometeu a nova Provedora.

 

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