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João Pina organizou Ceia de Natal para pessoas carenciadas na Guarda

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Mais de mil pessoas partilharam, na semana passada, uma Ceia de Solidariedade na Guarda, num evento organizado pelo empresário João Pina, natural do concelho da Guarda e residente na região de Paris. A ideia consistiu em sentar à mesma mesa pessoas carenciadas de todas as freguesias do distrito (pessoas idosas e crianças institucionalizadas), com artistas, políticos e agentes culturais. “Em 2015 começámos com cerca de 500 pessoas, este ano estamos a falar de mais de mil pessoas. E a campanha solidária vai além do concelho da Guarda, vai atingir também Viseu e Mangualde”, explicou o promotor da iniciativa.

“Todos nós andamos demasiado atarefados com as nossas vidas, os nossos afazeres, e esquecemos um os princípios mais fundamentais das nossas vidas, que é a solidariedade, uma palavra que hoje se ouve muito, mas que na prática não se vê tanto assim” disse na sua intervenção a Presidente da Assembleia Municipal da Guarda, Cidália Valbom. “Se todos nós seguíssemos o exemplo do Senhor João Pina, este mundo estaria muito melhor. Se todos nós formos um pouco João Pina, passamos a dar um exemplo ao mundo, seremos mais Pessoas, no verdadeiro sentido da palavra”.

Também o Presidente da Câmara municipal da Guarda se disse “orgulhoso” por acolher esta Ceia de Natal, “um evento que orgulha o homem, que orgulha as instituições, que orgulha a nossa comunidade, que orgulha o país e as Comunidades portuguesas espalhadas por todo o mundo”.

Na sua intervenção, Carlos Chaves Monteiro disse que “João Pina não quer agradecimentos, mas na verdade a sua ação é um exemplo para todos nós, mas também para todas as instituições de solidariedade social”.

 

Um projeto coletivo

O evento teve lugar, como acontece todos os anos, no dia 20 de dezembro, dia de aniversário de João Pina, mas também dia da morte do pai do empresário. “Há 15 anos que celebro este dia do meu aniversário com as pessoas mais carenciadas” explicou o organizador.

Para a realização desta Ceia de Natal, João Pina lançou-se numa ação de recolha de fundos que transvasou as fronteiras da França e de Portugal. “Há vários meses que tenho trabalhado para preparar este projeto. O sonho comanda a vida. Só a persistência fez com que chegasse a termo”.

João Pina anunciou que a Ceia se realizou com o apoio de cerca de 400 pessoas do mundo inteiro, dos Estados, Canadá, Holanda, Alemanha, Bélgica, França, mas também de São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Mas para preparar este evento o empresário contou também com uma vasta equipa. “As coisas para terem esta dimensão só são possíveis porque há um conjunto de pessoas que partilham os seus ideias” referiu o Presidente da Câmara municipal da Guarda. “E nós também partilhamos os seus ideias”.

Referindo-se a João Pina, Carlos Chaves Monteiro disse: “Nós sabemos que ele partiu do nosso território, um território onde as pessoas têm orgulho do que são, onde dos problemas se fazem soluções, das dificuldades se fazem forças para as ultrapassar, e ele é o exemplo disso mesmo, conseguiu ultrapassar os problemas que o afetaram não só na sua aldeia, mas também na vida. Ele é a prova de que há sempre uma luz que se acende e é por ela que nós temos de lutar”.

Originário da aldeia de Trinta, no concelho da Guarda, João Pina gere um grupo de empresas ligadas à construção, recolha de resíduos e limpezas na região parisiense, onde se instalou há 35 anos.

Após o seu pai ter falecido no início dos anos 2000 no dia do seu aniversário, 20 de dezembro, o empresário português decidiu passar a data com pessoas carenciadas e desde 2015 que organiza esta iniciativa na Guarda. “É um dos distritos mais pobres do país, com uma desertificação enorme e com muitas pessoas idosas, muitas mesmo em situação de isolamento. A minha ideia é para ajudar e mostrar à Diáspora que é importante que sejamos solidários”, indicou.

 

Ausência notada da Secretária de Estado da Ação Social

Há cinco anos, o então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, participou na Ceia de Natal organizada por João Pina. Desta vez, a nova Secretária de Estado Berta Nunes também se comprometeu estar presente, mas não se deslocou à Guarda. Foi representada pela Adjunta da Secretária de Estado, Luísa Pais Lowe.

No seu discurso, Luísa Pais Lowe destacou a importância que a Diáspora portuguesa tem para o desenvolvimento do país e lembrou sobretudo “a ligação dos Portugueses do mundo à sua terra de origem”.

Mas a ausência mais destacada foi a da Secretária de Estado da Ação Social, Rita Mendes, que está precisamente sedeada… na Guarda, para assegurar uma ação “de maior proximidade” com a situação. Rita Mendes não mediu a importância do evento que juntou IPSS de todo o distrito e fez-se representar pelo Adjunto Pedro Pires que disse que “a solidariedade não começa nem termina no papel que desempenham as instituições, nem no papel que desempenha o Estado. A solidariedade também nasce da cidadania e aquilo que o senhor João Pina tem feito com a sua atividade e atitude junto dos cidadãos da Guarda e junto dos cidadãos de Portugal, tem sido baseado neste tipo de cidadania de que gosta de dar um pouco de si, um pouco daquilo que tem, aos outros. Cidadania é isso mesmo”.

Na sua intervenção, João Pina lamentou “algumas ausências de pessoas com responsabilidade na área social, nesta cidade e disse que “hoje mesmo, neste mesmo momento, aqui na Guarda, está a decorrer um outro jantar solidário, em prol de uma outra associação que já ajudei e continuarei a ajudar no futuro, sempre que possível. Haveria outro dia certamente, mas…”

 

Parlamento estava bem representado

Mesmo se a ausência de Rita Mendes se fez notar, estavam presentes três Deputados da Assembleia da República: Carlos Peixoto eleito pela Guarda, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, eleitos pelo círculo eleitoral da Europa.

“A última vez que eu estive aqui neste espaço, neste palco, estava nesta sala um Primeiro Ministro que seria recandidato a Primeiro Ministro, e só nessa altura é que eu vi esta sala com o número de pessoas que aqui está hoje” disse o Deputado Carlos Peixoto ao mesmo tempo que felicitava João Pina e que considerava que a Ceia de Natal era “um ato de justiça para com as instituições de solidariedade social” e que lembrava que “o distrito da Guarda é dos mais fortes do país em termos de economia social”.

Depois apelou para que o evento se volte a repetir, “que volte a encher esta sala, com a esperança e a confiança que este ato lhes está a transmitir”.

Carlos Gonçalves também considerou que João Pina “é um exemplo”. “Esta iniciativa é o exemplo da forma solidária como funcionam as Comunidades. Não é por caso que temos aqui artistas de referência e que estão aqui porque estão habituados a serem solidários. As Comunidades são solidárias com as próprias Comunidades, mas também são solidárias com o seu país, com os seus distritos, os seus concelhos, são solidárias com a sua terra de origem” disse na sua intervenção Carlos Gonçalves. Por isso, o Deputado agradeceu “a muitos Joãos Pina que temos no estrangeiro”.

Por seu lado, o Deputado Paulo Pisco lembrou que João Pina “é conhecido por ser empresário, mas é muito mais conhecido pelas ações de solidariedade que faz”.

“Este tipo de gesto que nos mostra aqui o senhor João Pina, não acontecem apenas no Natal. Nós habituámo-nos a ver, nas Comunidades, gestos de solidariedade em todos os momentos do ano. Natal é todos os dias com ações. São frequentes as ações de solidariedade nas Comunidades”.

O Deputado salientou que “João Pina aparece sempre como homem de bem, homem de causas e isso acontece num momento em que os egoísmos, a falta de solidariedade muitas vezes está presente. Este é um tipo de exemplo que pode servir para muitas outras pessoas. Enquanto Deputado, tenho extremo orgulho em ter alguém como o senhor João Pina no meu círculo eleitoral, que traz sorrisos a tanta gente”.

 

João Pina criou a Fundação Nova Era

O empresário considera que está criada “uma corrente solidária”, tendo recebido o apoio de várias associações e empresários em França que este ano enviaram dez paletes de brinquedos e roupas para distribuir na Guarda, Viseu e Mangualde e que permitiu a doação de 300 cabazes com cerca de 17 produtos entre bens essenciais e produtos regionais às famílias mais necessitadas da região.

A Ceia, tal como qualquer jantar de Natal, contou com as iguarias da quadra, mas também com a atuação de cerca de uma dezena de artistas portugueses e lusodescendentes, na sua maioria idos de França, para animar a noite dos convidados. Destes, destaca-se por exemplo Elena Correia, Sandra Helena, Johnny, Christophe Malheiro, Hugo Manuel, Inn3rsus, Filipe Nunes, João Tiago, Safira, Pedro Cruz e Cristina Ardisson, entre vários outros.

De forma a manter esta dinâmica solidária, João Pina tinha lançado uma semana antes a Fundação Nova Era que pretende alargar estes esforços de angariação de fundos e de bens fora de Portugal a todos os continentes. “O objetivo é de nas diferentes diásporas podermos recolher bens, quer sejam contribuições monetárias ou outro tipo de produtos, como alimentos. Queremos agora trabalhar mais com os Presidentes de Câmara e criar uma relação de confiança, de amizade e de solidariedade para com as pessoas que mais necessitam de ajuda”, indicou. A fundação conta com representantes portugueses ou lusodescendentes nos Estados Unidos, Canadá, Bélgica, França e Portugal.

“Posso ser o impulsionador de vários apoios, mas o mais importante são as pessoas que eu consigo para apoiar mais ações de solidariedade. Quantos mais formos, mais conseguiremos fazer” disse João Pina no seu discurso. E lembrou uma frase de Oscar Wilde. “Nós não precisamos de muita coisa, precisamos apenas uns dos outros”.

Durante o jantar foi lida uma mensagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

 

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