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Legislativas: António Costa veio lançar campanha de Paulo Pisco em Paris

O Pavillons de l’Etang, no Bois de Boulogne, foi o sítio escolhido pelo Partido Socialista para o lançamento da campanha de Paulo Pisco para o círculo eleitoral da Europa. Estava presente a lista completa – com Nathalie de Oliveira de Metz, Ilídio Morgado da Suíça e Sílvia Gonçalves Paradela de Bruxelas – mas estavam também presentes dois convidados de peso: o atual Secretário de Estado José Luís Carneiro e o Secretário Geral do Partido, também Primeiro Ministro, António Costa.

Foi o “comunicador” Bruno António quem fez as apresentações da noite, lembrando várias vezes que os eleitores vão receber o boletim de voto em casa e devem enviar para Lisboa antes do dia 4 de outubro.

António Costa, que foi o último a falar, lembrou que “ao longo destes 4 anos, esta deve ter sido a décima vez que vim a França, umas vezes para encontros exclusivos com as autoridades francesas, outras vezes para recordar o contributo extraordinário que os Portugueses deram com o seu sangue para defender a França há 100 anos na primeira Guerra mundial, outras vezes para celebrar a vitória da nossa Seleção, outras vezes para celebrar uma grande exposição no Grand Palais de um grande artista português do início do século XX, Amadeu de Sousa Cardoso, mas muitas e muitas vezes, precisamente para me encontrar com as Comunidades, ouvir as Comunidades, sentir as vossas preocupações e agradecer aquilo que tem sido o vosso extraordinário contributo, não só para o desenvolvimento de Portugal cá fora, mas também para o enriquecimento de Portugal lá dentro”.

O Secretário Geral do Partido – que Paulo Pisco classificou como “extraordinário” e “ímpar” – lembrou que Portugal começou a comemorar o 10 de Junho com as Comunidades “precisamente em Paris, em 2016”, lembrou a cerimónia no Hôtel de Ville de Paris, a inauguração do monumento em Champigny e a Festa da rádio Alfa. Na sala estava precisamente Armando Lopes e Fernando Lopes, respetivamente Presidente e Diretor Geral daquela estação de rádio.

 

Relação “frutuosa” para Portugal

António Costa considerou que a relação que Portugal tem com as Comunidades “tem sido muito frutuosa para o nosso país” e acrescentou que “eu nunca me cansarei de dizer isto: grande parte da recuperação económica do nosso país deve-se à nossa Diáspora, pela capacidade que tem de ter contribuído para aumentar as nossas exportações. Há 10 anos atrás, as nossas exportações valiam 28% da nossa economia, hoje já valem 44% e o nosso objetivo é que no meio da próxima década já vá em 50% e para isso a rede das Comunidades é absolutamente fundamental, tem sido fundamental para o crescimento das exportações. Mas também tem sido fundamental para atrair investimento estrangeiro para Portugal. E tem sido fundamental o próprio investimento que os empresários portugueses da Diáspora têm feito em Portugal”.

Na sala estavam precisamente vários empresários e António Costa lembrou ainda o estatuto de “Utilidade Pública” que deu à Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP). “Sei que o Presidente Carlos Vinhas Pereira não pode estar aqui presente hoje porque foi para Portugal por causa de um problema de saúde de um familiar” disse o Primeiro Ministro formulando votos de “rápido restabelecimento” ao pai do Presidente da CCIFP.

“É verdade que hoje estamos melhor. Mas há outra verdade: é que não podemos desistir da ambição de estarmos ainda melhor. Foi essa ambição, sonho, que trouxe muitos de vocês, ou dos vossos pais, ou dos vossos avós aqui para França. Foi essa ambição que fez com que, dia a dia, construíssem a vossa vida e melhorassem a vossa vida aqui em França” disse António Costa no seu discurso. “Nós não podemos ter aquela ideia que muitas vezes se ouve, que os que tinham ambição foram os que partiram e os que se acomodaram foram os que ficaram. Não, a ambição tem de ser de todos, tem de ser do conjunto do país”.

 

Comissão de Honra

Anastásia Phlix foi a primeira oradora da noite. A jovem lusodescendente de 19 anos, estudante em medicina, é a Mandatária da Lista para a Juventude. Lembrando que os “jovens de hoje são os adultos de amanhã”, Anastásia Phlix explicou que “a juventude hoje está um pouco distante da política – tanto com a política de lá como a política de cá – mas é bom lembrar que temos um dever moral e cívico em relação ao nosso país de origem, mas também de coração”.

“Para que hoje sejamos um povo com língua, cultura e tradições próprias, foi preciso ao longo dos anos ir registando factos, atos que marcaram momentos e épocas e que foram realizados por pessoas valentes, corajosas, orgulhosas das suas origens” disse Anastásia Phlix. “Temos nas nossas mãos a herança dos nossos avós, eles abriram caminhos, e cabe-nos a nós de os manter abertos”.

Depois falou Jorge Mendes Constante, o advogado de Marseille que aceitou “com honra” o convite para ser Presidente da Comissão de Honra de apoio à lista socialista. “São pessoas de horizontes diferentes, que representam pelo melhor a sociedade civil da Comunidade portuguesa de França”.

“As pessoas não aderiram apenas por amizade, apenas por conhecerem o Paulo Pisco ou o Secretário de Estado, foi de agradecimento pelo trabalho que foi feito durante estes últimos anos” disse Jorge Mendes Constante referindo-se às 50 primeiras personalidades que integram a Comissão de Honra e que o LusoJornal já divulgou. “A Comunidade sentiu que Portugal está mais próximo e valorizou-nos mais”. Depois prometeu que “a lista está à vossa disposição para mostrar o quanto estamos orgulhosos do que foi feito nos últimos anos”.

No seu discurso, o Secretário de Estado José Luís Carneiro defendeu o programa do Governo em matéria de Comunidades portuguesas e lembrou que teve o “apoio constante” do Primeiro Ministro e do Ministro dos Negócios Estrangeiros. “Apesar de tudo, foi fácil ser Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas porque tivemos um Primeiro Ministro profundamente comprometido e que não faltou com os meios e com o apoio, para que em tão pouco tempo se fizessem tão profundas mudanças na vida das Comunidades portuguesas no estrangeiro”.

 

Paulo Pisco “o incansável”

António Costa apresentou o cabeça-de-lista socialista pelo círculo eleitoral da Europa explicando que “ao longo das últimas legislaturas tem sido incansável a fazer a ligação entre Portugal e as Comunidades”.

“O nosso compromisso é estar próximo dos Portugueses, acompanhá-los e apoiá-los. É dar-lhes motivos para terem orgulho do nosso país, tanto como nós temos para nos orgulharmos deles” tinha dito Paulo Pisco na sua intervenção.

“A presença hoje aqui, em Paris, de António Costa inscreve-se numa linha de continuidade virtuosa de convergência do Governo com as nossas Comunidades, em que cada vez mais o destino do nosso país se confunde com a nossa população que está fora dele” referiu Paulo Pisco. “Ao longo desta legislatura tivemos o privilégio de assistir a uma extraordinária convergência de vontades e de sensibilidades na valorização das nossas Comunidades. Com António Costa vi uma compreensão sobre o valor e importância das nossas Comunidades como nunca antes tinha visto. O Primeiro Ministro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Secretário de Estado das Comunidades, levaram muito longe essa compreensão e estreitaram a distância que existe entre o país e quem vive fora dele. E de certeza que no futuro este caminho continuará a ser aprofundado, para sermos uma nação mais forte e mais coesa, em Portugal e no mundo”.

Discursando numa das salas do Pavillons des Etangs, com porta para uma explanada que dá para um dos lagos do Bois de Boulogne, Paulo Pisco sublinhou que “em matéria de Comunidades portuguesas, este Governo foi virtuoso, foi diligente, foi incansável, foi um Governo de proximidade, foi um Governo de reflexão e de ação, em que as Comunidades portuguesas foram verdadeiramente um dos eixos centrais da nossa política externa” e evocou também o livro recentemente apresentado pelo Secretário de Estado José Luís Carneiro com o título precisamente de “Valorizar os Portugueses no Mundo”.

Os restantes candidatos não falaram, mas Paulo Pisco confirmou, num discurso empolgante, que o resultado da política do Governo foi uma “revolução”.

“Tal como é uma revolução o Programa Regressar. Ouve tempos em que o Governo mandava as pessoas emigrar. A palavra de ordem agora é pedir para que regressem, porque o país precisa de todos e os incentivos são bem generosos”.

Bruno António citou um poema de Alexandre O’Neill, cantado pela fadista Mariza, para comentar o discurso de Paulo Pisco: “há palavras que nos beijam, como se tivessem boca”.

 

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