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Política

 

 

Dois ex-Secretários de Estado das Comunidades em Governos do PSD lamentaram que o partido tenha perdido o assento parlamentar pela Europa, que mantinha desde 2002, e defenderam a necessidade de repensar a estratégia do partido nas Comunidades.

“Confesso a minha desilusão por ver mais de 20 anos de trabalho político deitados literalmente para o lixo”, escreveu José Cesário na sua página na rede social Facebook, após a repetição das legislativas no círculo da Europa, cuja contagem de votos terminou na quarta-feira, ter dado os dois mandatos ao Partido Socialista.

José Cesário, que no texto considera o resultado “um verdadeiro desastre político”, disse à Lusa sentir “uma profunda tristeza, uma profunda desilusão” por, ao fim de 22 anos de “um trabalho de aproximação às Comunidades”, o PSD ter voltado a ficar como estava em 1999, com apenas um dos quatro Deputados eleitos pela emigração.

O também ex-Secretário de Estado Carlos Gonçalves (na foto), que em 2002 recuperou para o PSD um dos dois mandatos do círculo da Europa, lamentou que, após o PSD ter chegado a ocupar três dos quatro mandatos da emigração – um pela Europa e dois fora da Europa – se veja agora com apenas um, perdendo a representação no círculo da Europa, o que “tem um significado especial” devido à proximidade geográfica com Portugal.

Ambos os ex-governantes acreditam que a mudança do sentido de voto na repetição das eleições, após na primeira votação em janeiro o PSD ter conquistado um dos dois assentos pelo círculo da Europa, se deveu a alguma desmobilização do eleitorado social-democrata, por já se saber que o PS tinha garantido a maioria absoluta.

José Cesário e Carlos Gonçalves concordam que este resultado deve fazer o partido refletir. “Agora há duas coisas a fazer. A primeira é reorganizar o partido. Sei que uma boa parte das estruturas do partido estão desmobilizadas e, portanto, vai ser preciso recomeçar. Em segundo lugar, é preciso atualizar o programa político para a área das Comunidades (…). É preciso pôr as pessoas a pensar, a refletir”, disse José Cesário à Lusa.

“Importará, sobretudo, definir um novo programa político para esta área, conciliando a nossa experiência do passado com novas ideias, que possam ser mobilizadoras de novos e menos novos, dos emigrantes nascidos em Portugal, dos lusodescendentes que já nasceram fora de Portugal”, escreveu o ex-Deputado no seu texto.

Também para Carlos Gonçalves, é preciso “reconstruir o partido, chamando outra vez as bases do partido, os seus militantes e as suas estruturas”, pois “os seus núcleos estão espalhados pelo mundo”, e “trazer para o partido novamente as novas gerações, sejam elas lusodescendentes, sejam aqueles que saíram nos últimos anos de Portugal”.

“Há um grande trabalho de reconstrução, porque se há um partido que realmente tem condições para se afirmar nesta área é realmente o Partido Social Democrata”, afirmou o Deputado, eleito em 2019 pelo círculo da Europa e que agora cessa funções.

Para Carlos Gonçalves, o resultado “deve merecer uma reflexão daqueles que tiveram os destinos do partido nos últimos anos e deve ser motivo de reflexão para aqueles que, a partir do início de julho, vão assumir funções de liderança” no PSD, que devem compreender que “é preciso claramente contar com as bases, porque os partidos políticos são feitos com as pessoas e não por lideranças”.

Os dois ex-governantes mostram-se no entanto confiantes de que, “com determinação, com um espírito unificador, com abertura ao debate interno e à crítica e com imaginação”, o PSD conseguirá superar este momento difícil, como escreve José Cesário.

“Não tenho dúvida nenhuma de que é perfeitamente possível recuperar”, reiterou à Lusa.

 

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