Legislativas’24: Partido Socialista apresentou candidatos em Paris e atacou Carlos Gonçalves


O Partido Socialista apresentou oficialmente, esta quinta-feira à noite, em Paris, a lista de candidatos pelo círculo eleitoral da Europa às eleições de 10 de março, na presença de todos os candidatos – Paulo Pisco, Nathalie de Oliveira, Alfredo Stoffel e Joana Benzinho – e na presença de um convidado especial: o Secretário Internacional do PS, Francisco André, que também é o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação no atual Governo.

O evento teve lugar na sede da Federação do Partido Socialista francês de Paris e a apresentação esteve a cargo do Secretário Coordenador do PS português de Paris, António Oliveira. A organização geral do evento coube ao discreto Bruno António.

Foram feitas intervenções de Joana Benzinho (que veio da Bélgica para este evento), Alfredo Stoffel (que veio da Alemanha) e de Nathalie de Oliveira.

Francisco André lembrou a relação desde há muitos anos com o PS francês. “Ainda eu não tinha nascido” disse. “O PS francês recebeu um dos melhores de entre nós, o Mário Soares, e desde sempre mantivemos uma boa relação e sempre que é necessário apoiar o PS francês nós estamos cá e o contrário também”.

O dirigente socialista lembrou também as boas relações existentes entre Paris e Lisboa, nomeadamente entre Anne Hidalgo, António Costa e Fernando Medina.

“Estas são eleições que não queríamos, que não necessitávamos” começou por dizer Francisco André. “Mas cá estamos porque sempre que é necessário ir à luta, nós vamos”.

Também Paulo Pisco agradeceu, na sua intervenção, aos presentes na pequena sala que acolheu a apresentação. “Estes Portugueses não desistiram da política e acreditar na política é importante, porque há muita gente que nos faz desacreditar na política. Vocês interessam-se pela política. Nós necessitamos de vocês, do vosso voto, porque estamos nestas eleições com ambição, temos a ambição de continuar a lutar, e penso que nós merecemos, não apenas pelo que fizemos, mas pelo que temos de fazer. Em política, como nas nossas famílias, há sempre muita coisa ainda por fazer”.

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Muitos apoios da “sociedade civil”

Na sala estavam, por exemplo, a escritora Alice Machado, o Presidente da associação ARCOP de Nanterre, José Brito, o dirigente da Frantugal TV, Michael Mendes, a Maire Adjointe de Paris 17 Lurdes Fernandes, a Maire Adjointe de Les Ulis Emília Ribeiro ou o livreiro João Heitor.

Francisco André afirmou que “muito foi feito nestes 8 anos, mas muito há para fazer”.

“Temos um Portugal diferente, reconhecido em todos os países. Eu estive cá muitas vezes antes de 2015 e constato a diferença na forma como somos recebidos hoje, a forma como os nossos resultados também ajudaram a União Europeia. Hoje somos recebidos como um parceiro credível” disse no seu discurso. “Mas não é apenas um trabalho nosso, também a Comunidade portuguesa, em todo o mundo onde passei, é o nosso primeiro representante no exterior, são os nossos primeiros embaixadores. Aqueles que mudam mesmo a imagem do nosso país, a linha da frente, são as nossas Comunidades, por serem honestas, integradas, que contribuem para o desenvolvimento dos países onde residem”.

No decorrer da sessão foram apresentados vídeos com declarações de apoio de algumas personalidades portuguesas em França: Nelson Costa, Açoriano, que presidiu uma associação portuguesa em Champigny-sur-Marne, Mathias Isidoro Silva, Presidente da associação Portugal do Norte ao Sul de Saint Brice-sous-Forêt, Rafael Baptista de Matos, filho do falecido dirigente associativo de Fontenay-sous-Bois José Baptista de Matos, a escritora Altina Ribeiro, o Presidente cessante da Academia do Bacalhau de Paris e o Diretor de Teatro Emmanuel Demarcy Mota.

António Oliveira garantiu que também tem o apoio do realizador Rubem Alves.

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Um programa eleitoral “sem vergonha do passado”

Francisco André lembrou que António Costa prometeu e cumpriu estar junto das Comunidades portuguesas para comemorar o Dia de Portugal, lembrou que “pela primeira vez, o Presidente da Assembleia da República foi eleito Deputado pelos Portugueses residentes no estrangeiro”, lembrou o recenseamento eleitoral automático nas Comunidades, o maior reforço de sempre nos recursos humanos dos Consulados, o apoio crescente ao movimento associativo e “aquilo de que mais me orgulho” é o investimento em Portugal dos Portugueses residentes no estrangeiro.

“Sei que há exigências que ainda não foram cumpridas, mas, por exemplo, o fim da Propina está agora no nosso programa eleitoral” lembrou o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, que tutela o Instituto Camões.

Paulo Pisco fez um longo discurso de quase 50 minutos para dizer que gosta “de quem está na política por causas”. Apontando para Francisco André disse que “para mim também é um modelo de humanidade. Quando estamos em política, os valores têm de ter um valor. Quando temos valores humanistas, de dedicação aos outros, isso é, no meu entender, o mais importante”.

Depois referiu a juventude do novo líder do Partido “cheio de ambição”. “Quem ler o nosso programa eleitoral verá que há uma continuidade, mas também uma grande ambição. Mas só nos podemos orgulhar do percurso entre 2015 e hoje” destacando por exemplo que o salário mínimo era de 525 euros por mês e passou para 925 euros.

Mas lembrou também quando o Partido Socialista assumiu o Governo, em 2015, “estávamos a sair de uma crise económica e financeira, que deixou estilhaços. Ainda estávamos a sair dessa crise e já estávamos numa pandemia que parou o mundo e depois chegou a guerra na Ucrânia que trouxe uma crise inflacionista, e depois uma outra guerra no Médio Oriente… Convenhamos que não é fácil governar assim”.

Depois defendeu a proposta de um Plano estratégico para as Comunidades, que está no programa eleitoral do Partido Socialista. Disse que depois do 25 de Abril, as Políticas de Comunidades assentam essencialmente numa “trilogia” que envolve o atendimento consular, o movimento associativo e o ensino de português no estrangeiro. “Destaque-se que, no que diz respeito ao atendimento consular, tem sido sempre o Partido Socialista a contribuir para a modernização. O PSD não fez absolutamente nada sobre este assunto”.

E Paulo Pisco teve ainda tempo para explicar que “conseguimos introduzir no programa eleitoral uma medida que vai ao encontro de milhares de Portugueses residentes no estrangeiro, é uma lança em África, assumido agora como compromisso político”, referindo-se à legislação fiscal que taxa os emigrantes reformados quando regressam a Portugal. “Nós inscrevemos essa medida no nosso programa eleitoral” ressaltou.

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Uma crítica direta a Carlos Gonçalves do PSD

“Estas não se tratam apenas de eleições. Este é também um combate pela democracia, um combate pelos valores de Abril” disse Paulo Pisco. “A Extrema direita é uma ameaça e um perigo nas nossas sociedades”.

O ainda Deputado e candidato a mais uma legislatura diz-se indignado por ter visto em Portugal “à luz do dia”, uma manifestação “com a saudação nazi, com slogans contra os estrangeiros… como é possível?” e acrescentou: “Como é possível haver Portugueses a aderir à Extrema Direita quando estamos no estrangeiro? É que a Extrema Direita é contra os estrangeiros e nós somos estrangeiros”.

E para ilustrar, Paulo Pisco comentou também as mais recentes Leis da imigração em França “que também abrangem os Portugueses, mesmo se não é dito explicitamente”, argumentando que “já hoje, a França é o país da União Europeia que mais expulsa Portugueses”.

Francisco André salientou o “desempenho” dos quatro candidatos pelo círculo eleitoral da Europa. “Todos são membros ativos nas Comunidades, nenhum deles poupa esforços para estarem junto das Comunidades e até corrigir-nos, apontando-nos as coisas que estão mal feitas e que temos de corrigir”.

Depois dirigindo-se a Nathalie de Oliveira deixou “um especial”. “Ela queria fazer um mandato de 4 anos como Deputada, a vai agora fazer pelo menos 6 anos”. E realçou que “o nosso objetivo é mesmo ter a Nathalie de Oliveira na Assembleia da República”.

Depois enalteceu o trabalho do “velho amigo” Paulo Pisco. “Ele está sempre junto das Comunidades. Para além de ser um grande político, é um excelente amigo e um incansável defensor das Comunidades. É um exemplo de dedicação e entrega à causa e eu sou bem testemunha dessa entrega”.

Mas Paulo Pisco terminou o discurso com uma resposta para Carlos Gonçalves, o candidato da Aliança Democrática a estas mesmas eleições.

“O Carlos Gonçalves fez a apresentação da lista há uma semana e teve o desplante de dizer que os Deputados do PS não fizeram nada. Isso é uma falta de honestidade tão grande e falta de pudor” e depois acrescentou que o desmentido disso aconteceu mesmo no PSD: “O único Deputado do PSD eleito pela emigração, Maló de Abreu demitiu-se do partido e uma das razões que ele deu para sair do PSD e se zangar, foi devido a um profundo alheamento, quando não desprezo pelas Comunidades, pela Direção do partido no Parlamento. Foi ele que disse isto”.

E responde a Carlos Gonçalves dizendo que “um pouco de decência e de ética, não fazia mal nenhum, porque é disso que necessitamos em política”.

Mas disse ainda que “para o candidato do PSD, deixou de haver presunção de inocência e fala de corrupção como o Chega e o André Ventura. Não vale tudo em política, não pode valer tudo em política”.

Paulo Pisco pediu o voto para reelegerem os dois Deputados “que estiveram sempre ao vosso lado” e tudo acabou com o hino nacional.

LusoJornal