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Cultura

 

 

“Écoute, jolie Márcia”, a mais recente novela gráfica do quadrinista brasileiro Marcello Quintanilha, é um dos finalistas do Prix du Public do Festival de Angoulême de 2022. A decisão final terá lugar em março aquando do XLIX Festival. Prémio que Quintanilha já venceu, em 2016, com “Tungstène”.

Márcia é uma mãe solteira que engravidou cedo demais. Nascida e criada numa favela do Estado do Rio, ela tornou-se numa dedicada enfermeira e está enfrenta a realidade dura com um humor cortante. Dir-se-á que Márcia está de bem com a vida, porém ela trava uma verdadeira batalha dentro da sua própria casa contra a sua filha adolescente, a insubordinada Jaqueline. Apesar do auxílio do seu companheiro Aluísio, tudo parece inútil: Jaqueline não aceita submeter-se a nada e não dá satisfações a ninguém. A situação só piora quando a jovem se vê envolvida no crime organizado.

Uma tragicomédia de cores tropicais – as personagens de peles roxas e o céu verde e cor de rosa – tal como se a história de violência quotidiana que se narra fosse um desfile em pleno sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Jaqueline deixou-se então enredar nos mecanismos mortais do gangue que controla a favela, ao ponto de ser presa por roubo e de ver o seu namorado ameaçar Márcia.

Restam a Márcia e a Aluísio tudo fazer protegerem uma jovem desbocada e agressiva em pleno processo de autodestruição.

Uma história dura de pobreza – os salários baixos de Márcia e Aluísio, um operário, não chegam, tal como acontece a milhões de trabalhadores brasileiros, para arrancar a família à precariedade da favela – que é também um hino às mulheres, mais concretamente às mães, que tudo fazem para, no meio do caos da violência (também capaz de gerar atos de solidariedade transformadora) ampararem aqueles que amam.

A novela gráfica “Écoute, jolie Márcia”, publicada pela Çà et Là, é mais uma confirmação do virtuosismo de Marcello Quintanilha, uma dos grandes quadrinistas do Brasil e que volta a conquistar a França.

 

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