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“O da Joana”, publicado em Portugal em 2013, acaba de chegar às livrarias francesas graças à belíssima tradução de João Viegas. Principal aposta da Éditions Chandeigne para a área na ficção, Valério Romão (França, 1974) estará em Strasbourg e em Paris esta semana para algumas sessões de apresentação desta novela (ver caixa).

Segundo volume da trilogia “Paternités ratées” (“Paternidades falhadas”) – segue-se a “Autisme” e precede “Cair para dentro” (publicado em 2018 e ainda não traduzido em francês) -, “Les eaux de Joana” conta a história de uma gravidez que corre mal: o parto prematuro de um nado-morto. É portanto um eterno retorno à temática predileta do autor: as questões que giram em torno da família, quase sempre uma má notícia que possui o condão de estremecer os alicerces familiares, seja um filho com autismo, o sonho desfeito da maternidade ou as relações tensas entre mãe e filha que sofrem um abalo quando a primeira é diagnosticada com Alzheimer.

Utilizando uma linguagem crua, sem os sentimentalismos bacocos ou os pudores autoimpostos que contaminam o estilo de muitos escritores portugueses, Romão transforma com minúcia de ourives os tabus do mundo real em literatura, levando-nos, enquanto leitores, a reenquadrar e a fazer evoluir os nossos preconceitos sobre o que foi, o que é e o que será a família. Fará ainda sentido falar em “família tradicional” quando os imparáveis avanços científicos e o salto em frente nos costumes e na moral conduzem ao alargamento do conceito e da noção de família?

O grande feito de Valério Romão é fazer nascer no íntimo do leitor um inquebrantável desejo de questionar o bafiento espartilho de usos e costumes que vai (ainda!) estrangulando as nossas sociedades, levando-o quiçá a considerar uma redefinição desse tal modelo dito da “família tradicional”, passando então a considerá-lo apenas como um entre muitos outros. Temos ou não o direito, a liberdade, de construir a família que queremos e como queremos sem que ninguém nos imponha um modelo pré-definido?

Em “Les eaux de Joana”, a protagonista, Joana, e o seu marido, Jorge, esperam por um filho há oito anos. Está tudo preparado para acolher o novo membro da família e até o quarto foi pintado três vezes. A gravidez é recebida com alegria e alívio ao mesmo tempo que a ansiedade cresce a níveis quase insuportáveis. Enfim, aos sete meses de gestação, Joana entra em trabalho de parto. Prematuramente, sim, mas um parto prematuro hoje em dia não é nada de especial, certo? Errado. A partir desse momento, os personagens enveredam por uma orgia de emoções e, por entre corredores frios e esbranquiçados de um hospital, percorridos a um ritmo desenfreado, o leitor mergulha no mais profundo dos sofrimentos. Existirá algo pior do que perder um filho?

 

Rencontre(s) avec Valério Romão

Le mardi 24 septembre, 19h00

Librairie Quai des Brumes

120 Grand’Rue

67000 Strasbourg

 

Le mercredi 25 septembre, 17h00

Bibliothèque Marcel Bataillon

31 rue Gay-Lussac

75005 Paris

Entretien de l’auteur avec Maria Araújo et Maria-Benedita Basto. Avec la participation du traducteur João Viegas.

 

Le jeudi 26 juin, 19h00

Librairie Le Divan

203 rue de la Convention

75015 Paris

 

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