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Manuel Dias Vaz acaba de editar mais um novo livro de poemas intitulado “O diálogo das memórias” nas Editions Quatorze. Este é o quarto livro desta série, depois de “Perfumes de vida e de liberdade” (2011), “Sementes de esperança” (2016) e “Os ventos da memória” (2018).

O livro tem prefácio de Isabel Barradas, que mais não é do que um hino à amizade e um elogio ao “Homem de convicções, Homem de memória, Homem de diálogo, Homem de valores, Homem de ser, Homem livre” que é Manuel Dias.

Manuel Vaz Dias, reside em Bordeaux e é conhecido por coordenar o trabalho do Comité francês de homenagem a Aristides de Sousa Mendes. Nasceu em fevereiro de 1946 na sua Serra da Gardunha, e em 1963 toma consciência da situação política do país, ao apoiar a candidatura do General Humberto Delegado para a Presidência da República.

Desde então, foram 63 anos de militantismo contra o racismo, o nacionalismo, as discriminação, pelos Direitos do Homem e pela Cidadania, tanto em França como em Portugal.

A poesia de Manuel Dias fala precisamente disso, para “estar em paz com o seu passado” (é o título de um dos poemas).

Lá estão vários poemas de homenagem à Gardunha – “uma autêntica maravilha de beleza natural” – e a Louriçal do Campo, assim como à “estrela do céu que guia a minha existência”, a avó Maria Felismina Vaz. “Querida e amada avozinha, sinto-me extremamente grato desse teu amor, da tua ternura, das tuas delicadas atenções, de tudo quanto me deste, me transmitiste e me legaste”.

E lá está a veia humanista que conduz um homem a guardar, durante 63 anos, a mesma direção, atento ao outro, sabendo ler o que o outro diz quando está em silêncio. “Senti-o perdido, nas profundezas do seu silêncio interior, nas feridas da vida e do tempo”.

Lá está a lição que retém da atitude de Aristides de Sousa Mendes, e o “poder de dizer Não” e o abraço à memória do amigo Gérard Boulanger, o advogado que dedicou “vinte anos de processos e de combate sem trevas para fazer condenar Maurice Papon, em nome da justiça, da verdade, do direito”. E também um “au revoir camarade” ao fotógrafo Gérald Bloncourt. “Tu partiste, viraste a página, mas continuarás gravado para sempre na minha memória, no meu coração”.

Lá está uma análise da “revolta popular, multiforme” dos Coletes Amarelos, uma ode ao acolhimento dos refugiados, à abolição da escravatura, e um grito contra a “Noite fria de repressão na Covilhã” em que “Vi um homem caído no chão, em lágrimas, ferido e humilhado pela repressão de dois pides fascistas”.

Lá está lembrado, o percurso “de vida” de um homem para a liberdade, o atravessar das fronteiras, de noite, a salto…

Ler este “Diálogo das memórias” é aprender mais sobre o autor, Manuel Dias Vaz, e sobre a sociedade, mas é também uma oportunidade de introspeção para aprender mais sobre si próprio.

 

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