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O Conselho de Paris decidiu atribuir ontem, dia 3 de outubro, o título de Cidadão de Honra da Cidade de Paris a Luiz Inácio Lula da Silva, antigo Presidente do Brasil.

A proposta foi feita pelo Maire-Adjoint Patrick Klugman evocando a “defesa dos direitos do Homem e o livre exercício de funções eleitas por sufrágio”.

O título de Cidadania de honra foi criado em 2001 por Bertrand Delanoë e só foi atribuído até agora 17 vezes a personalidades presas ou em perigo pelas suas opiniões políticas. Receberam esta Cidadania de honra personalidades como Nelson Mandela, Taslima Nasreen ou Shirin Ebadi. Desta forma, Patrick Klugman e o Conselho de Paris reconhecem Lula da Silva como “um perseguido político, que não beneficiou de um processo justo”.

“Este não é um título honorífico” frisou Patrik Klugman, “é uma proteção”.

“Atribuir esta Cidadania de honra a Lula da Silva não quer dizer que ele é irrepreensível, que está inocente, que é de Esquerda, que estamos de acordo com ele… não é nada disso” disse o Maire-Adjoint da capital quando defendia a proposta no Conseil de Paris. “Mas é porque temos a convicção que o inquérito chamado Lava Jato, que visou o antigo Presidente Lula, foi motivado por considerações puramente políticas, para impedir de se candidatar, ele que até era dado como favorito”. Por isso, para Patrick Klugman, está claro que “foi impedido de se candidatar, foi considerado inelegível, foi preso e é perseguido”.

O antigo Presidente do Brasil cumpre atualmente uma pena de 8 anos e dez meses de prisão. “O Comité dos Direitos do Homem da ONU pediu às autoridades brasileiras de garantir os direitos civis e políticos de Lula, nomeadamente o de ser candidato” diz um comunicado da Mairie de Paris. “Este direito foi-lhe recusado apesar de vários Chefes de Estado europeus, de parlamentares franceses e de juristas internacionais terem denunciado a inconsistência das provas apresentadas para a acusação e condições de detenção de Lula”.

O comunicado da Mairie de Paris vai mais longe e considera que “a ação do Presidente Lula para reduzir as diferenças sociais e económicas no Brasil permitiu a cerca de 30 milhões de Brasileiros de sair da extrema pobreza e de aceder aos direitos e serviços essenciais”. E acrescenta que “Lula ilustrou-se igualmente pela sua política voluntarista de luta contra as discriminações raciais particularmente acentuadas no Brasil”. O texto conclui, afirmando que são “todos os defensores da democracia no Brasil que são atacados”.

 

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