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A Academia Francesa apresentou ontem ao Presidente português a nova definição da palavra cidade, mas Marcelo não esteve inteiramente de acordo, causando, segundo o próprio, um dos debates mais intensos dos mais de 350 anos desta instituição gaulesa.

“Foi fascinante e, se não fosse haver limite de tempo, penso que teríamos ficado a discutir com pessoas com muitas formações, muito inteligentes e com cultura inimitável […] Houve 19 Chefes de Estado convidados em 350 anos, sei que tem havido debate, mas parece que nunca houve um debate, não direi polémico, mas tão intenso como desta vez”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

O Presidente da República esteve ontem à tarde na Academia Francesa onde pronunciou um discurso sobre a relação entre a língua francesa e portuguesa, mas também lhe foi apresentada a nova definição da palavra ‘ville’.

Após a apresentação da nova definição seguiu-se um debate entre o Presidente e os membros da Academia.

Desde logo, o Presidente fez alguns reparos à definição da Academia, que considerou muito “material”. “Eu questionei o etecetera, numa definição não há etecetera. Questionei também o facto de haver várias dimensões de cidades, mas sobretudo, o grande problema que levantei é que era uma definição não humana. A alma de uma cidade está nas pessoas que vivem e trabalham na cidade”, contou aos jornalistas.

Seguiu-se, segundo o Presidente, “um debate interessantíssimo”.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou ainda que na definição francesa da palavra cidade vai passar a constar Coimbra como o exemplo de uma cidade universitária.

A Academia francesa foi criada em 1635 pelo Cardeal Richelieu e ao longo dos séculos uma das suas principais funções foi e continua a ser a organização do Dicionário de francês que vai atualmente na sua nona edição – até agora estão concluídos os trabalhos até à letra S.

Os 40 membros da Academia francesa – também apelidados de imortais, não pela distinção em si, mas por se considerar que a missão de transmitir a língua é imortal e por serem eleitos para a vida – reúnem uma vez por semana e ocasionalmente recebem figuras externas à Academia para enriquecer as suas discussões.

“Há uma tradição de convidar Chefes de Estado estrangeiros para virem à Academia, especialmente os que conhecem a língua francesa e que têm laços com a cultura, e é esse o caso. O Presidente da República é perfeitamente francófono e interessa-se pela cultura francesa”, indicou o escritor Amin Maalouf, que integra a Academia.

Outro chefe de Estado português a visitar a Academia foi Mário Soares.

O Presidente visitou a Academia, assim como as suas bibliotecas, onde estão guardados também tesouros portugueses, como uma das edições de livros de Manuel Lopes Ferreira, de 1692, ou obras de Garcia de Orta de 1563.

Algumas destas obras já eram conhecidas do Presidente, que se confessou um amante de livros, e ficou impressionado pelo seu estado de conservação.

A Academia distinguiu Marcelo Rebelo de Sousa com a Medalha de Ouro e o Presidente atribuiu à Academia o grau de membro honorário da Ordem de Santiago de Espada.

O primeiro Dicionário de francês foi editado pela Academia em 1694 e a última versão completa, a oitava, foi terminada em 1935 contendo cerca de 35 mil palavras.

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