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De passagem por Paris, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, que também é Ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, falou das relações bilaterais entre Cabo Verde e a França, mas também das relações que o país tem com a União Europeia.

Desenvolveu os setores importantes para a captação de investimentos para Cabo Verde e abordou ainda a rede consular.

 

Como vão as relações entre Cabo Verde e a França?

As relações entre a França e Cabo Verde são excelentes. Eu sou suspeito porque eu sou um puro produto da escola francesa, fiz toda a minha escolaridade no ensino superior aqui em França. Nas relações bilaterais, ao longo dos últimos 40 anos temos vários projetos em curso que foram financiados pelo Governo francês e temos uma diáspora caboverdiana aqui em França muito importante, estimada em cerca de 100 mil pessoas. No quadro da União Europeia, também temos uma relação muito boa. A nossa relação é muito especial e está baseada em 6 pilares fundamentais como a segurança, a boa governação, a democracia, o Estado de direito, mas também a convergência técnico-normativa… O Secretário de Estado francês Jean-Luc Lemoyne esteve em Cabo Verde há cerca de um mês, estamos a trabalhar para assinar um Acordo na área da segurança marítima, fazemos exercícios militares conjuntos com a França, Espanha, Portugal, Estados Unidos e Brasil e acreditamos que no ano de 2020 vamos conhecer uma nova dinâmica nessas relações de cooperação com a França. Aliás, a França tem sido um excelente parceiro de desenvolvimento de Cabo Verde, nós partilhamos os mesmos valores que partilhamos com os demais Estados da União Europeia, nomeadamente o Estado de direito democrático, o bom funcionamento da democracia, a boa governação, as liberdades – Cabo Verde é um país de liberdades – de maneira que sinto-me em casa quando cá estou.

 

E como se portam os investimentos franceses em Cabo Verde?

Nós temos alguns investimentos franceses importantes em Cabo Verde, mas gostaríamos de levar mais investidores franceses a investir no nosso país. Há cerca de um ano fizemos aqui um Fórum importante e conseguimos desbloquear cerca de 800 milhões de euros prometidos para serem investidos em Cabo Verde. Agora é o momento de começar a concretizar, a discutir com os empresários, ver as dificuldades que temos no funcionamento da nossa administração, as facilidades que temos de ter para que os negócios possam ser realizados o mais rapidamente possível.

 

E quais são setores estratégicos?

O turismo, sobretudo nas ilhas do Sal e da Boavista, mas também nas outras ilhas, como na ilha de Santo Antão e na ilha de São Vicente. O turismo francês concentra-se sobretudo nestas duas últimas ilhas. Temos cerca de 10% dos turistas franceses a visitar Cabo Verde. O turismo em Cabo Verde representa hoje cerca de 800 mil turistas – é um pouco mais do que a população residente no país, já que nós temos 500 mil habitantes – 25% são do Reino Unido, 10% de França, 10% de Portugal e o resto reparte-se pela Alemanha e demais países. O turismo é uma área importante, mas também as energias renováveis e o mercado financeiro. Nós queremos transformar o nosso país numa grande plataforma de prestação de serviços no Atlântico. As questões financeiras são fundamentais, as questões logísticas, marítima e aeroportuária, são aspetos fundamentais da nossa estratégia de desenvolvimento. Nós queremos fazer na ilha do Sal um ‘hub aéreo’ fundamental para distribuição de tráfego para os vários continentes. Estamos na encruzilhada dos principais continentes e vamos trabalhar para poder aproveitar essa posição geoestratégica. Sempre dissemos que é muito importante, mas agora queremos concretizar com ações muito concretas, razão da minha estadia aqui em Paris.

 

Recentemente abriu um Consulado Geral de Cabo Verde em Nice. Vai continuar a alargar a rede consular?

A rede consular vai evoluir em França e na Europa toda. Temos uma estratégia que é: onde nós tivermos uma Comunidade importante e se justificar, teremos um Consulado Geral. Foi o caso da abertura recente do Consulado Geral de Cabo Verde em Nice. Também vamos ter Cônsules honorários em França, e muito proximamente um para cobrir a região Hauts-de-France, Lille, Roubaix, Tourcoing, porque temos uma Comunidade importante lá, mas também queremos captar o investimento daquela região para o nosso país. Estamos a densificar também a rede consular na Europa de Leste, em países que menos conhecem Cabo Verde, estou a falar dos países bálticos, Polónia, Roménia, Bulgária, República Checa, Eslováquia,… estamos a densificar essa rede precisamente para poder captar o investimento estrangeiro direto para o nosso país. Cabo Verde é dos 10 destinos mais procurados do mundo para fazer turismo e isso dá-nos uma grande responsabilidade, temos de trabalhar para qualificar mais o nosso turismo, mas acreditamos que estamos no bom caminho.

 

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