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O documentário “Morabeza, la force du mouvement” de Jérémy Billon e Benjamin Vallet será um dos momentos fortes da festa de celebração da independência de Cabo Verde, organizada pela Associação das Mulheres Cabo-Verdianas em França (AFCVF), que terá lugar dia 7 de julho, a partir das 12h00, na Maison de Quartier Axe Majeur, em Cergy (78).

O documentário foi realizado por dois franceses, amigos de infância, que numa viagem de lazer a Cabo Verde decidiram dar a conhecer um dos mais pequenos países africanos. Ao LusoJornal, Jérémy Billon explica que ficaram “impressionados com o espírito de hospitalidade dos seus habitantes e com o seu modo de vida sintetizado na palavra Morabeza”.

Longe do filme cartão-postal, “Morabeza, la force du mouvement” é um objeto de reflexão sobre a questão migratória. Os realizadores quiseram falar com quem ficou, mas também sair do arquipélago e interrogar aqueles que partiram, que no caso de Cabo Verde são em maior número. Jérémy e Benjamin filmaram várias entrevistas de caboverdianos em Lisboa, Paris e Roterdão. Os espectadores portugueses ou outros migrantes neste filme, apesar das diferenças, encontrarão muitas similitudes com a sua própria experiência como a decisão da partida, as questões da saudade, da ferida que é deixar o seu país e a sua família, as questões de integração, o desenraizamento, as questões de identidade e da dupla cultura e ainda o racismo.

Os realizadores fazem também um apontamento histórico sobre Cabo Verde e nomeadamente a sua relação com Portugal e estabelecem, ainda, uma ponte com as migrações atuais questionando o espírito de Morabeza dos Europeus. Jérémy Billon explica que gostaria que “o próximo projeto talvez seja, precisamente, sobre o outro lado, a visão dos Europeus sobre a migração”.

A questão do pós-colonialismo também é abordada, sobretudo através das entrevistas feitas em Lisboa e nos seus subúrbios, onde a câmara mostra as condições de vida ainda precárias dos habitantes oriundos de Cabo Verde como por exemplo no Bairro da Cova da Moura. As segundas e terceiras gerações, apesar de serem portugueses, sofrem ainda de racismo e de discriminação e são herdeiros de uma história feita de exclusão que perdura até hoje.

Embora “Morabeza, la force du mouvement” não seja um documentário cartão-postal é um filme de uma beleza estética impressionante, com belíssimas imagens aéreas de Cabo Verde e de Lisboa e com “travellings” e efeitos de câmara lenta que conferem a este filme uma poesia emocionante.

Estamos perante um filme “engagé” que nos impressiona, faz refletir e comove. Os realizadores querem que este filme “seja um instrumento de discussão e de reflexão, por isso queremos que seja visto por toda a gente, e por isso o filme é distribuído de forma gratuita às associações que o pedirem”.

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