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Nelson Pereira dos Santos (1928/2018) é uma das grandes referências do cinema brasileiro e fundador do chamado Cinema Novo, nomeadamente com o filme “Rio, 40 Graus” de 1955, tinha o cineasta 34 anos. Este filme a preto e branco – que conta a história de cinco rapazes de uma favela que, durante um dia quente, vão vender amendoins para Copacabana, o Pão de Açúcar e o Maracanã – entrou de rompante no panorama cinematográfico brasileiro, criou polémica, foi censurado pelos militares, mas acabou por lançar Nelson Pereira dos Santos como um dos pais do cinema brasileiro moderno.

É então a história deste homem e da sua carreira de mais de meio século, que Deise Ramos explora nesta obra biográfica editada pela L’Harmattan e à qual a autora intitulou “Nelson Pereira dos Santos et l’invention d’un Cinéma National”.

Deise Ramos é carioca e viveu em Boston, Buenos Aires, Quito e Rabat, acabando por se instalar na cidade de Paris em 2007, onde se tornou mestre em Teoria, Estética e Memória do Cinema na Universidade Paris VIII.

Já Nelson Pereira dos Santos é conhecido em França como o realizador de “Sécheresse” (“Vidas Secas”, no título original), filme vencedor dos Prémios de Melhor Filme para a Juventude e de Cinema de Arte e Ensaio no Festival de Cannes de 1964. “Vidas Secas”, baseado no romance de Graciliano Ramos lançado em 1938, retrata a vida sofrida de uma família de sertanejos em busca de uma vida melhor que, seguindo o leito seco de um rio, descobre um casebre abandonado ao mesmo tempo que uma chuvada devolve os pastos à terra e a esperança aos corações das personagens… até que uma nova seca os atira outra vez para a miséria.

Todavia, segundo Deise Ramos, ainda antes de “Rio, 40 graus”, já Nelson Pereira dos Santos reivindicara, em 1952, no Primeiro Congresso Paulista de Cinema, a ideia de um cinema nacional brasileiro. Um Cinema Novo que se inspirasse na Literatura e na vida real brasileiras.

Deise Ramos conta então a vida deste cineasta único, desde a sua militância no Partido Comunista (que financiou em parte “Rio, 40 Graus”) movida por uma enorme sede de justiça social – Nelson Pereira dos Santos usou o cinema neorrealista como arma para denunciar as enormes desigualdades da sociedade brasileira – até à sua morte a 21 de abril de 2018. Anos antes, como culminar do reconhecimento enquanto grande realizador, Nelson Pereira dos Santos, em 2006, foi o primeiro cineasta a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.

 

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