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A associação Estrelas do Mar de Nogent-sur-Marne (94) tem um grupo de folclore e tem aulas de português para crianças e para adultos. Mas tudo ficou parado desde que foi decretado o confinamento por causa da pandemia de Covid-19.

Nesta entrevista ao LusoJornal, o Presidente Manuel Guardado diz que espera com ansiedade a retoma das atividades porque sem eventos, a associação teria de fechar.

 

Qual o impacto do confinamento para a vossa associação?

Para a associação “Estrelas do mar” de Nogent-sur-Marne, os ensaios foram cancelados, o que é para nós um momento de convívio e troca de relações humanas. São momentos importantes para a associação onde se aprende as danças, cantares e tradições da nossa região, para ser o mais fiel possível, que é a Figueira da Foz, para representar ao publico em festivais. O confinamento teve um impacto financeiro muito importante porque os festivais e festas anuais, como o Carnaval, bailes, foram cancelados. Por essa razão e nesse período também a associação não teve novos membros. As aulas de português também foram canceladas. Tínhamos dois grupos às sextas-feiras à noite para os adultos, cerca de 10 pessoas, e aos sábados à tarde para as 20 crianças, dividido em dois grupos de diferentes níveis. Como as aulas são pagas anualmente, estamos a pensar, para o próximo ano, fazer um desconto. A associação também tinha o Festival de folclore anual no mês de maio, a saída do fim de ano prevista ao parque do “Puy du Fou” e praia no mês de junho, a nossa Sardinhada tradicional no dia 14 de julho. No mês de setembro temos o “Fórum das Associações” em Nogent-sur-Marne que também provavelmente será cancelado – estamos à espera de uma comunicação do Maire de Nogent-sur-Marne. A associação organiza todos os anos uma festa, jantar e baile, para comemorar o seu aniversário no mês de outubro, festa que também está cancelada este ano. No ano passado, a nossa festa teve um grande sucesso com vários artistas, como o Christophe Malheiro, a Nyhamar, o Carlos Pires e a sua banda e os Némanus vindos especialmente de Portugal. Respeitando as regras de segurança da Scène Watteau, tivemos uma cota de pessoas que foi amplamente alcançada!

 

Este confinamento trouxe problemas financeiros para a associação?

Obviamente que este confinamento trouxe problemas financeiros. Como todos os anos, a nossa associação organiza um Carnaval, para o qual temos custos antecipados (compra de bebidas, produtos que não podemos conservar) para esse evento e para os outros que estavam programados. Infelizmente, como esses eventos foram cancelados, temos uma perda financeira significativa. Em relação à tesouraria da associação, não temos receitas financeiras durante esta pandemia, no entanto, continuamos a pagar as nossas despesas fixas.

 

Solicitaram apoios?

Não, a nossa associação não solicitou nenhum apoio.

 

Quando espera que a associação volte às atividades?

De momento, não temos visibilidade da retomada das atividades da associação. Aguardamos diretivas do Governo francês. As nossas duas atividades principais e prioritárias são a retoma das aulas de português e os ensaios do grupo folclórico. No entanto, parece complicado aplicar as regras de distanciamento social e o uso da máscara durante os ensaios. Por outro lado, para as aulas de português, a nossa sala é suficientemente espaçosa, é possível termos uma distância de um metro entre cada aluno, como atualmente é o caso da “Educação Nacional” em França.

 

Acha que o público vai continuar a frequentar as associações como antes?

Esperamos que o Governo possa aumentar o número de pessoas de mais de 10 nos encontros, daqui até setembro. Contamos com o público para continuar a frequentar associações e a participar aos eventos. Os festivais são importantes para as associações, a fim de criarem vínculos com Portugal, com a nossas tradições e costumes. Da mesma forma, nas festividades culinárias e bailes, é necessário criarmos novos momentos de convívio e de alegria.

 

Depois da pandemia, o que pode mudar no movimento associativo português?

O risco de contaminação pode ser um fator sério para a continuação das atividades. As pessoas não ousam vir às salas com muito público. É provável que o setor associativo seja impactado. Tememos que certas associações com poucos meios, poucos membros, possam não continuar as suas atividades. As atividades impactadas serão aquelas em que houver público. Sabendo que uma associação vive apenas de eventos, se não houver eventos, sem entrada de dinheiro e sem poder continuar as atividades culturais, então será o fim…

 

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