A Embaixada de Portugal em França acolheu na terça-feira, 19 de maio, uma sessão dedicada à reflexão sobre o papel do manual escolar e os caminhos possíveis para uma educação mais informada pela ciência. O convidado foi o Professor Nuno Crato, antigo Ministro da Educação e Ciência, matemático, investigador e uma das vozes mais influentes no debate educativo português e europeu.
Perante um público composto por professores, investigadores, representantes institucionais e membros da Comunidade portuguesa em França, o autor apresentou os seus dois livros mais recentes: “Aprender” (FFMS, 2024) e “O Manual Escolar” (Almedina, 2025).

A conversa partiu de uma questão central – “Qual o papel do manual escolar na sala de aula de hoje?” – e alargou-se a temas estruturantes como o currículo, a avaliação, a relação entre conhecimento e competências, o impacto das ciências cognitivas na aprendizagem e a forma como a tecnologia, incluindo a inteligência artificial, está a transformar o acesso ao conhecimento. Nuno Crato defende que a escola precisa de referências claras e estruturadas, e que o manual escolar, longe de ser um objeto ultrapassado, continua a ser um instrumento decisivo para organizar o ensino, garantir progressão e apoiar alunos e professores.
No livro “Aprender”, o autor revisita décadas de debate educativo, mas com base em evidência científica acumulada nas áreas da psicologia cognitiva, da economia da educação e dos estudos comparativos internacionais. Defende um currículo ambicioso, centrado no conhecimento, e sublinha a importância de avaliações rigorosas e frequentes, bem como de apoios específicos para alunos com maiores dificuldades. A obra é também um elogio ao trabalho dos professores e à persistência do “amor ao saber”, que considera essencial para qualquer reforma educativa sustentável.
Já em “O Manual Escolar”, Nuno Crato analisa a evolução histórica dos manuais, a sua relação com o currículo e as críticas que têm sido feitas ao seu uso. O autor argumenta que, quando bem concebidos, os manuais – em papel, digitais ou híbridos – continuam a ser ferramentas estruturantes, sobretudo num contexto em que a dispersão de materiais pode fragilizar a aprendizagem. A obra discute ainda o papel da inteligência artificial na produção e utilização de recursos educativos, alertando para a necessidade de manter critérios de qualidade, rigor e progressão pedagógica.
A sessão decorreu num ambiente de proximidade e diálogo, com várias perguntas do público sobre a realidade educativa em Portugal e França, sobre o impacto das políticas públicas e sobre os desafios que a escola enfrenta num tempo de rápidas transformações tecnológicas e sociais. A presença de Nuno Crato, que integra atualmente o Conselho Científico para a Educação Nacional do Governo francês (CSEN), reforçou a dimensão europeia do debate e a ligação entre investigação, políticas educativas e práticas de sala de aula.
A Embaixada de Portugal em França sublinhou, na ocasião, a importância de promover espaços de reflexão sobre educação junto da diáspora, destacando o contributo de investigadores e especialistas portugueses para o pensamento educativo internacional. A sessão terminou com um momento de convívio e assinatura de livros.






