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Há um velho ditado português que diz que “longe dos olhos… longe do coração”. E desengane-se quem pensa que este ditado se aplica unicamente a quem ama!

 

Mas porque razão vos digo isto hoje?

É por causa dos grupos de folclore!

Como sabem, há centenas de grupos de folclore portugueses em França.

Não se conhece exatamente o número, mas da última vez que foram contados – por acaso num projeto que eu dirigi numa outra vida, há uns 20 anos atrás – já havia mais de 250.

Já aqui disse neste espaço que alguns destes grupos de folclore portugueses em França têm alto valor etnográfico. Fazem verdadeiros trabalhos de preservação da cultura popular, centrando-se numa determinada época, numa determinada aldeia ou concelho. São trabalhos que devem merecer muito reconhecimento porque não é fácil fazer esta investigação à distância, a uns 2.000 km do país.

Sabemos todos porque razão foram criados tantos grupos de folclore portugueses em França.

Uma grande parte dos Portugueses que vieram para França, sobretudo nos anos 60 e 70, participaram em grupos de folclore em Portugal.

Durante o Estado Novo, a então FNAT (que entretanto se transformou em Inatel) ajudou a desenvolver esta atividade pelas aldeias, para que efetivamente houvesse a tal “alegria no trabalho”.

Por isso, a criação de grupos de folclore portugueses em França foi, de certa forma – e atalhando bastante, claro – o resultado ainda que em diferido, da política salazarista do Estado Novo.

Mas também deve ser dito que foi – também de uma certa forma – um verdadeiro trabalho de emancipação das mulheres, que vendo os maridos divertirem-se, sem elas, nas equipas de futebol, quiseram ter um papel mais ativo nas associações.

E fizeram muito bem.

Durante mais de 50 anos, os grupos de folclore portugueses em França foram verdadeiros polos de portugalidade. Mais do que todas as outras atividades.

Cada um de nós que queira jogar futebol, pode fazê-lo numa equipa francesa sem qualquer problema. Diverte-se igual.

Mas quem quiser dançar folclore português tem mesmo de ir para um grupo português.

Mas foram ainda mais do que isso.

Os grupos de folclore portugueses em França foram ao mesmo tempo agência de emprego, agência imobiliária, até agência matrimonial. Quantos jovens casaram nos grupos de folclore, quantos portugueses aí encontraram trabalho e alojamento?

Pela primeira vez na história do folclore português em França, há mais de meio ano que os grupos estão parados, sem saídas, sem festivais e sobretudo sem ensaios.

Não sabemos ainda qual vai ser o final deste episódio e quantos grupos vão deixar pura e simplesmente de existir.

Mas sabemos já que esta ausência de “espaços de portugalidade” – vamos-lhes chamar assim – podem afastar muitos jovens de Portugal.

Porque, longe dos olhos, longe do coração.

E isso seria uma grande perda!

Mas esta é apenas a minha opinião.

 

Esta crónica do jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, é difundida todas as semanas, à quinta-feira, na rádio Alfa, com difusão antes das 7h00, 9h00, 11h00, 15h00, 17h00 e 19h00.

 

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