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Paris: Évora oficialmente candidata a Capital Europeia da Cultura em 2027

LusoJornal / Clara Teixeira LusoJornal / Clara Teixeira LusoJornal / Clara Teixeira LusoJornal / Clara Teixeira LusoJornal / Clara Teixeira LusoJornal / Clara Teixeira

A cidade de Évora anunciou oficialmente a sua candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027, ontem, quinta-feira, no Salão Internacional do Património Cultural, no Carrousel do Louvre, em Paris.

A conferência aberta ao público ao meio da tarde acolheu vários intervenientes que apresentaram a cidade de Évora e toda a sua dinâmica cultural.

Foi Catarina Valença Gonçalves, assistente técnica da candidatura de Évora, que começou por explicar os principais argumentos da região sul do país e o dinamismo da cidade, assim como as iniciativas planeadas para 2018. «A começar por um workshop internacional dedicado aos desafios de Évora 2027 que terá lugar no mês de maio já do próximo ano. Arranque do trabalho estratégico com as comunidades locais diretamente ligado à dimensão cultural e artística do tema da Capital. Assim como a realizaçao de um estudo sobre o valor económico do setor cultural e criativo de Évora e da sua região».

Por razões de «força maior», o Presidente da Câmara Municipal de Évora não pode assistir ao evento, e foi Eduardo Luciano, Vereador com os pelouros da Cultura, Património, Centro Histórico, Turismo, Gestão urbanística, Ordenamento do Território e Fiscalização, que declarau ao LusoJornal, o porquê desta candidatura ser feito a 10 anos de distância. «Faltam 10 anos, mas finais de 2021 já teremos a resposta final. São processos muito longos, trabalhosos que envolvem estratégias de comunicação que têm de ser eficazes e por isso começamos agora».

Esta é a primeira vez que Évora se candidata. Sendo uma cidade histórica «com enorme património, que faz parte do Património da Humanidade há 31 anos e que resolveu envolver toda a região do Alentejo, 1/3 do país como base estrutural e identitaária de uma candidatura. Temos esta enorme vantagem de ter uma região com uma identidade muito distinta de todas as outras regiões do nosso país, uma região de baixa densidade populacional e que tem características muito próprias quer a nível ambiental quer a nível cultural, ou ainda a nível social e entendemos que esta é uma alavanca importante para o território, conseguindo dar visibilidade ao Alentejo como Capital Europeia da Cultura» argumentou.

Évora, uma cidade de cultura «desde sempre», segundo o autarca, daí fazer todo o sentido que se projete Évora e toda a sua região. Dar um salto em frente nessa perspetiva e projetar toda a região alentejana para ser mais visitada e mais divulgada. «Ter mais agentes económicos, mais economia e melhor qualidade de vida. São estes os nossos objetivos».

O facto de escolherem Paris é claramente uma «estratégia mediática de promoção. Podíamos ter feito em Évora, ou em Lisboa mas finalmente optámos por estar mais perto do sítio onde as candidaturas iriam ser decididas e torna-nos mais visível do ponto de vista internacional».

As candidaturas não vão ser decididas em Portugal, nem pelo Estado Português, mas sim no âmbito da União Europeia «de modo que é normal que seja anunciada aqui em Paris. E porque é também o maior Salão mundial de património, com ligações à Unesco e a cidades com história e tradição cultural», acrescentou ao LusoJornal.

Simbolicamente é uma apresentação para fora do país. «É a nossa afirmação de cidade cosmopolita e não de uma simples província», concluiu otimista.

Também a seu lado, Victor Silva, Presidente da agência de Promoção Turística do Alentejo, cuja responsabilidade é a promoção externa de todo o Alentejo, referiu que «com esta candidatura, obviamente, representa mais um passo importantíssimo daquilo que é a imagem do Alentejo nos mercados internacionais. O Alentejo não é uma região atrasada, que preserva os seus valores identitários que são fortes, mas hoje é uma região extraordinariamente moderna», sublinhou.

Victor Silva explicou ainda que não era só Évora que apresentava a sua candidatura, mas toda uma região. «De facto a cidade é a ponta de lança de toda a região, mostrando como é que a cultura não só a tradicional ou identitária mas as novas formas da cultura que põem as pessoas a viver e produzir essa cultura é importante para nós». Victor Silva recordou ainda que já há uns anos atrás que o Alentejo acolhe diversas manifestações culturais e «que são boas em qualquer parte do mundo», festivais de música clássica, exposições de grandes pintores, «e é essa imagem que queremos revelar e esta é uma boa oportunidade para mostrar uma região que mesmo na Europa pouca gente conhece e deve conhecer».

Confiantes que a candidatura tenha um final feliz, outras cidades portuguesas também manifestaram a sua intenção em candidatar-se a capital da Cultura Europeia em 2027.

A Comissão executiva integrou uma delegação municipal, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, Direção Regional de Cultura do Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida e a Universidade de Évora. Todos se investiram neste projeto e estão solidariamente empenhados em conseguir tão importante desígnio.

 

A região:

27.000 km2, 150 Km de costa

Cerca de 750.000 habitantes

Baixa de 2,5 % da poupulação na última década, essencialmente entre os jovens de 15 e de 29 anos

Densidade populacional de 24 hab/ km2 (a média nacional é de 114 hab/ km2)

13,6% de jovens vs 24,2 de população idosa

10,9% com cursos universitários

Universidade de Évora: cerca de 10.000 habitantes

 

Património:

Centro Histórico: Marvão, Monsaraz, Mértola, Castelo de Vide, Vila Viçosa, Estremoz ou Serpa.

 

Lista Unesco:

Évora: Património Mundial da Humanidade

Elvas: Património mundial da Humanidade

Cante Alentejano: Património cultural imaterial da Humanidade

 

Eventos culturais:

Festival Terras sem Sombra

Festival Músicas do Mundo

Festival internacional de música do Marvão

 

Equipamentos culturais:

Fundação Eugénio Almeida

Paço de D. Manuel

Igreja da Graça

Museu de Évora

Palácio dos Duques do Cadaval

Pátio de S. Miguel e Casas Pintadas de Vasco da Gama

Aqueduto de Água da Prata

Templo Romano

Recinto megalítico dos Almendres

Catedral

Igreja de S. Francisco e Capela dos Ossos

Teatro Garcia de Resende

Arena de Évora

Universidade de Évora

 

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