Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

A maior Federação de pais em França pede ao Governo apoio através de uma licença para acompanhar os filhos, na prevenção da Covid-19, abertura de espaços públicos como locais alternativos para as aulas e mais recursos para as escolas.

“Hoje pedimos ao Governo que se os pais ficam em casa, não devem perder dinheiro. Pedimos uma ‘Licença Covid’ para estes pais. O Governo ajudou as empresas, mas dizem que não podem continuar e isso quer dizer que os pais têm mesmo de ir trabalhar. E onde é que vão as crianças?”, afirmou à Lusa Carla Dugault, coPresidente da Federação dos Conselhos de Pais e Alunos (FCPE) em França.

A FCPE existe desde 1947, tem 280 mil associados por todo o país, sendo o maior interlocutor dos pais de alunos da escola pública em França. Intervém frequentemente nas tomadas de decisão junto do Ministério da Educação, especialmente durante o período da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“Nós participámos muito neste processo. Foi até o Presidente que disse que o Governo tinha de trabalhar com os pais. Tivemos muitas reuniões com o Ministro da Educação, mas nunca fomos até ao fim porque as coisas aconteceram muito depressa”, relatou a dirigente associativa.

Carla Dugault é portuguesa e vive em França desde os sete anos. Considera que foi o modelo da escola pública francesa que lhe deu “um lugar” na sociedade e lhe permitiu fazer os seus estudos, passando depois a empenhar-se como mãe no mundo associativo da escola.

Para Dugault, durante esta crise, houve dois momentos. Um primeiro momento de “medo”, quando os pais em França perceberam que as escolas podiam ser possíveis focos de contágio, e um outro momento agora em que os pais têm de retomar a vida profissional.

“Os pais têm de ir trabalhar novamente e têm de deixar os filhos na escola. Mas a escola francesa não aceita todos os alunos de volta por causa do respeito dos gestos barreira. E nós exigimos que todos os sítios públicos, não só as escolas, mas as bibliotecas, os jardins, os parques têm de estar abertos para os alunos porque são locais com mais espaço”, defendeu.

Na cidade de Paris, apenas 13 mil crianças terão regressado às aulas a partir de 11 de maio, tendo primazia os filhos de profissionais da saúde e de famílias desfavorecidas, deixando todos as outras crianças em casa.

Mesmo quando foi possível regressar, imagens de crianças dentro de um quadrado de giz no recreio sem se poderem aproximar umas das outras numa escola em Tourcoing, junto a Lille, chocaram muitos franceses. “Estamos a tocar num extremo. É claro que os pais pediram respeito pelos gestos barreira, mas o que vimos é demasiado. Há outras respostas a isso tudo. Estamos em maio, faz sol e podemos fazer a escola fora da escola, onde há mais espaço”, considerou a dirigente associativa.

Faltam agora soluções para os liceus em França que, por enquanto, estão fechados, e, segundo a FCPE, precisam de mais financiamento para reabrir. “Há muitos alunos de liceu que gostaram de trabalhar à distância. Outros não se deram tão bem neste processo de autonomia e esses devem regressar antes de setembro. Há liceus com mais dinheiro que vão conseguir equipar-se para todos os alunos e outros não. E, ao mesmo tempo, a máscara é obrigatória. O Governo devia dar todos os recursos financeiros para que os liceus possam abrir em segurança”, indicou Carla Dugault.

A FCPE está já a preparar o regresso às aulas em setembro. “Não podemos dizer que em setembro a escola vai continuar como antes. Não é verdade, não pode funcionar. Por exemplo, com o digital, os alunos mais pequenos não podem aprender da mesma forma que os alunos maiores”, explicou.

Face a esta pandemia, Carla Dugault continua a acreditar na importância do papel da escola pública para a sociedade francesa e para o modelo social do país. “O que estamos a ver é que o modelo francês pode parecer atualmente como um modelo que traz sucesso apenas às pessoas com mais meios, deixando para trás as famílias mais carenciadas. E isso não pode ser assim. Este modelo está no coração da sociedade francesa”, concluiu.

 

Ensino
X