A disfunção erétil é a incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Clinicamente, só falamos de disfunção erétil quando o problema é repetido no tempo e interfere com a qualidade de vida do homem e do casal – não se trata de episódios ocasionais.
É uma condição muito comum, aumenta com a idade, mas não é exclusiva dos homens mais velhos. Pode surgir a partir dos 40 anos. Torna-se mais frequente após os 50-60 anos. Muitos homens jovens também apresentam disfunção erétil, sobretudo associada a stress, ansiedade ou estilos de vida pouco saudáveis.
As causas são variadas e muitas vezes combinadas entre si:
– Problemas vasculares (circulação)
– Doenças como diabetes, hipertensão ou colesterol elevado
– Alterações hormonais
– Doenças neurológicas
– Doenças da próstata e tratamentos da próstata
– Fatores psicológicos como ansiedade ou depressão
É importante perceber que a disfunção erétil é muitas vezes um sintoma de outro problema de saúde e pode funcionar como sinal de alarme.
Existe diferença entre as causas físicas e psicológicas.
– As causas físicas tendem a surgir de forma progressiva e persistente.
– As causas psicológicas aparecem muitas vezes de forma súbita, associadas a situações específicas.
Na prática clínica, a maioria dos homens tem uma combinação de ambas, e é por isso que a avaliação médica é essencial.
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Diagnóstico
O diagnóstico começa com uma boa história clínica, sem julgamentos.
Inclui:
– História clínica detalhada
– Avaliação de doenças associadas
– Análises hormonais, se necessário
– Avaliação urológica, incluindo a próstata
Hoje olhamos para o homem de forma global, não apenas para o sintoma.
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Existem várias opções de tratamento disponíveis, que devem ser adaptadas a cada caso:
– Medicação oral
– Terapêuticas hormonais (quando indicadas)
– Dispositivos ou tratamentos locais como ondas de choque
– Cirurgia, em casos selecionados, como próteses penianas
No caso das doenças da próstata, as novas tecnologias permitem tratar a doença preservando a função sexual, algo que não era possível há alguns anos.
As mudanças no estilo de vida podem melhorar a disfunção erétil, nomeadamente com atividade física regular, alimentação equilibrada, controlo do peso, deixar de fumar e reduzir o álcool têm impacto direto na função erétil. A ereção é um reflexo da saúde geral.
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A disfunção erétil afeta profundamente a autoestima e os relacionamentos. Muitos homens sentem:
– Perda de confiança
– Vergonha
– Isolamento emocional
Quando não falada, a disfunção erétil pode criar distância no casal, mesmo quando existe afeto.
É por isso que o parceiro(a) deve participar no tratamento sempre que possível. A disfunção erétil não é um problema individual, é um tema do casal. A participação do parceiro melhora os resultados e reduz a ansiedade.
É indicado procurar ajuda psicologia ou terapia sexual quando existe ansiedade, medo, bloqueio emocional ou impacto significativo na relação. Muitas vezes, a combinação de tratamento médico e apoio psicológico é a abordagem mais eficaz.
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Prevenir a disfunção erétil
Em muitos casos, sim. Controlar fatores de risco, cuidar da saúde cardiovascular e optar por tratamentos urológicos que preservem a função sexual fazem toda a diferença. Hoje é fundamental escolher os tratamentos para a próstata, seja a próstata grande ou o cancro da próstata, de forma a maximizar a preservação da vida sexual plena.
Os hábitos de vida que ajudam a manter a saúde sexual:
– Exercício regular
– Alimentação saudável
– Sono adequado
– Gestão do stress
– Acompanhamento médico regular, sobretudo da próstata a partir de determinada idade
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Aos homens que têm vergonha de procurar ajuda, diria que a disfunção erétil é um problema médico, não uma falha pessoal. Quanto mais cedo se fala, mais opções existem. Hoje, conseguimos tratar – e muitas vezes prevenir – este problema sem comprometer a identidade, a autoestima e a vida sexual do homem. Se forem operados à próstata, é fundamental maximizar a preservação da vida sexual para não se ter que tentar corrigir posteriormente, quando é muito mais complicado.
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Professor Doutor Tiago Rodrigues
Urologista
Diretor da unidade de urologia do Hospital Cruz Vermelha






