Saúde: O que leva muitas pessoas a terem sede de protagonismo?


A sede de protagonismo pode ser motivada por necessidade de validação, a procura de status, insegurança emocional ou pelos traços de personalidade como por exemplo o narcisismo. A cultura digital e a competitividade social também reforçam esse comportamento, associando atenção a valor pessoal.

Quando equilibrada, a necessidade de destaque pode ser positiva, mas em excesso pode levar a dependência da aprovação externa, dificuldades nos relacionamentos e frustração. O autoconhecimento e a construção da autoestima interna ajudam a evitar esta busca compulsiva por reconhecimento.

.

Como se manifesta?

Manifesta-se pela necessidade de estar no centro das atenções e dificuldade em aceitar críticas. Pode levar também à dramatização de situações, minimização das conquistas dos outros e competitividade excessiva. Muitas vezes, a pessoa exagera nas suas realizações, redireciona conversas para si próprio e sente frustração quando não recebe validação. Este comportamento poderá originar conflitos interpessoais, ansiedade e uma dependência emocional da atenção externa.

.

Essa validação constante é um distúrbio de personalidade?

A procura constante por validação pode ser um traço de personalidade, mas quando excessiva e prejudicial às relações e autoestima, pode estar associada a perturbação como a personalidade histriónica, caracterizada pela dramatização e dependência de atenção, ou a personalidade narcisista, onde há necessidade extrema de admiração e dificuldade em aceitar críticas. Nem sempre indica uma perturbação, mas quando afeta a funcionalidade, pode ser útil uma avaliação psicológica para compreender a origem e desenvolver estratégias mais saudáveis.

.

É algo que se nota na infância ou só mais tarde?

Sim, pode surgir na infância, manifestando-se em crianças que precisam de atenção constante, mas tende a intensificar-se na adolescência com a influência social. Se persistir na vida adulta de forma excessiva, pode tornar-se um traço de personalidade fixo ou estar associado a transtornos como a personalidade histriônica ou narcisista. Embora possa ser notada desde cedo, geralmente torna-se mais evidente quando começa a afetar autoestima e relações interpessoais.

.

Quando é que este comportamento pode tornar-se problemático?

A sede de protagonismo torna-se problemática quando compromete as relações, gera competitividade excessiva e depende constantemente da validação externa. Este comportamento pode afastar amigos e colegas, dificultando a construção de relações autênticas. O equilíbrio passa pelo autoconhecimento, valorização pessoal sem necessidade constante de atenção e desenvolvimento da empatia.

.

As pessoas têm consciência de que são incómodas?

Nem sempre as pessoas com sede de protagonismo têm consciência de que são incómodas. Muitas acreditam que o seu comportamento é natural ou necessário para obter reconhecimento e aceitação. Em alguns casos, há um défice de autoperceção, onde a necessidade de atenção sobrepõe-se à leitura das reações dos outros. Se houver baixa empatia, podem não se importar com o impacto que causam. No entanto, quando percebem sinais de rejeição, críticas ou afastamento social, algumas podem refletir e ajustar o comportamento, enquanto outras reagem com negação ou de forma defensiva. O nível de consciência varia conforme a personalidade, a maturidade emocional e a disposição para aceitar feedback.

Como se deve lidar com alguém assim para evitar tensões pessoais e profissionais?

É essencial ser assertivo, estabelecer limites e evitar reforçar a necessidade excessiva de atenção. Reconhecer contribuições sem alimentar o comportamento, incentivar o trabalho em equipa e desviar o foco para temas produtivos ajuda a equilibrar a interação. Quando necessário, oferecer feedback construtivo de forma diplomática pode auxiliar na autoconsciência. No entanto, é importante gerir expectativas, ajustando a forma de convivência para evitar conflitos e manter um ambiente harmonioso.

É preciso estabelecer limites?

Sim, estabelecer limites é essencial. Sem limites claros, a pessoa pode monopolizar conversas, decisões e espaços, dificultando a dinâmica interpessoal e profissional. Definir fronteiras de forma assertiva e respeitosa ajuda a equilibrar a interação, garantindo que todos tenham voz e evitando desgastes emocionais. Além disso, limites bem estabelecidos impedem que o comportamento excessivo se torne um padrão tóxico, promovendo relações mais saudáveis e equilibradas.

Que ajuda devem procurar estas pessoas?

Pessoas com sede excessiva de protagonismo podem beneficiar de terapia com um psicólogo para desenvolver autoconhecimento, autoestima e inteligência emocional. O terapeuta ajuda a identificar padrões de pensamento que reforçam esta necessidade e a substituí-los por comportamentos mais equilibrados. Também é útil trabalhar empatia e aptidões sociais para melhorar as relações interpessoais. Em casos mais extremos, se houver traços de perturbações de personalidade, um acompanhamento psicológico mais estruturado pode ser necessário.

.

Dra. Carolina de Freitas Nunes

Psicóloga

CogniLAB