A prática regular de exercício físico melhora a memória. Este é o aspeto fundamental que há que reter, independentemente do tipo de exercício que se pretenda fazer, seja ou não de resistência. E os benefícios do exercício físico na cognição em geral (para além do que podem implicar para a memória) assentam em 5 eixos principais:
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1. Aumento do fluxo sanguíneo cerebral: o exercício induz algumas alterações hemodinâmicas (por exemplo, aumento da frequência cardíaca e aumento da pressão de perfusão cerebral) que favorecem um maior aporte de sangue ao cérebro, o que melhora o seu desempenho.
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2. Libertação de mediadores químicos: o exercício, fruto também das supramencionadas alterações hemodinâmicas, conduz à libertação de substâncias químicas tróficas, como é o caso do BDNF (brain-derived neurotrophic factor), que ajudam a fortalecer ligações entre neurónios, o que facilita a memorização das aprendizagens.
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3. Redução do stress emocional: a prática regular de exercício físico reduz o stress e a ansiedade, que dificultam a memorização de novos conhecimentos e o acesso a informação já previamente armazenada na memória. Uma melhoria no estado de humor relacionar-se-á seguramente com um melhor desempenho cognitivo.
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4. Melhoria no padrão de sono: a atividade física ajuda a regular o padrão de sono e a aumentar a sua qualidade, de onde resultam também melhorias do funcionamento e consolidação da memória.
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5. Promoção da saúde, em geral: o exercício físico praticado de forma regular contribui para otimizar a saúde cardiovascular e metabólica, o que, por sua vez, promove a manutenção da saúde cerebral.
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Portanto, incorporar exercícios de resistência como parte de uma rotina regular de atividade física pode ser benéfico, não apenas para a saúde física, mas também para a saúde cognitiva e para a memória.
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Dr. Filipe Palavra
Neurologista
Presidente da Sociedade Portuguesa de Cefaleias
Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia
Centro Hospital Universitário de Coimbra (CHUC)