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A segunda volta das eleições municipais em França, para as cerca de 5.000 localidades que não resolveram a eleição na primeira volta, vai ter lugar no próximo dia 28 de junho. O anúncio foi feito pelo Primeiro Ministro Edouard Philippe.

Para uns, não há condições, para já, de organizar estas eleições, como é o caso de Nathalie de Oliveira, ainda autarca em Metz, e para outros, a escolha do Primeiro Ministro foi boa, como é o caso de Paulo Marques, que foi eleito na primeira volta, em Aunay-sous-Bois.

“O mais importante é a questão sanitária e a vida das pessoas. O próprio Primeiro Ministro disse que não havia uma boa solução. Eu acho prematuro realizarem as eleições já em junho, apesar de aparecerem dados mais positivos, mas as imagens deste fim de semana, o relaxamento, faz com que o vírus ainda esteja a circular e vai continuar a contaminar as pessoas” diz ao LusoJornal Nathalie de Oliveira.

Paulo Marques acha que os argumentos de Edouard Philippe são bons “pelo facto de temos uma noção, mais segura, do acolhimento das pessoas nas mesas de voto. A experiência da primeira volta vai ser útil. E não são apenas as máscaras e o distanciamento social, mas há mais parâmetros que vão entrar em linha de conta. Será mais eficaz do que na primeira volta. Temos mais meios para acolher em segurança os eleitores”.

Nathalie Oliveira acha que a primeira volta já não foi organizada nas melhores condições. “Em Metz, nem chegou a 30% de participação, duvido que no dia 28 de junho a altura seja propícia para haver mais participação” disse ao LusoJornal. “As pessoas ainda não saíram de uma fase de trauma, apesar da diferença de como cada um esteve exposto face ao Covid. Para mim, para esta segunda volta, estou a prever que não vai ser uma eleição normal”.

Para a autarca socialista de Metz, a eleição devia ter lugar na primavera de 2021, ao mesmo tempo das eleições departamentais e regionais.

“Não sei se no dia 28 de junho vamos estar menos seguros do que em setembro ou em janeiro. Ninguém sabe” reage Paulo Marques que também é o Presidente da Cívica, a associação dos autarcas de origem portuguesa em França. “Na primeira volta, o Covid atingiu mais as pessoas em campanha eleitoral do que as pessoas das mesas de voto. Nas mesas de voto havia mais segurança do que nos mercados, nas reuniões de apartamento e noutras ações de campanha”.

O autarca de Aulnay-sous-Bois dá outro argumento: “Os autarcas atuais apenas estão a tratar de assuntos correntes, ora é essencial que haja tomadas de posições. Tem de haver executivos eleitos e que possam intervir e decidir”.

“Se deixarmos passar o verão, temos de voltar a repetir a primeira volta. Passaríamos a ter duas voltas em vez de uma, com mais duas campanhas eleitorais e por isso o risco de contágio seria maior” insiste Paulo Marques.

O problema parece mesmo ser a campanha eleitoral. Como fazer campanha eleitoral nestas condições? Como informar a população das novas listas, das fusões, dos acordos?

Paulo Marques foi eleito logo na primeira volta e neste momento não se sabe ainda se vai ter um lugar de Maire Adjoint em Aulnay-sous-Bois e qual o pelouro que vai receber.

Quanto a Nathalie de Oliveira, foi candidata em segundo lugar numa lista que acabou por ter pouca expressão na primeira volta da eleição. O Maire socialista – mas que apoiou Emmanuel Macron – não se recandidatou no fim do segundo mandato, e acabou por dar o seu apoio ao candidato dos Verdes. “A primeira volta das eleições mostrou que em Metz há vontade de alternância” confirma Nathalie de Oliveira.

 

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