Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Temporada’22: Casais franco-portugueses improváveis expostos numa galeria em Paris

LusoJornal | Carlos Pereira Daniel do Nascimento Daniel do Nascimento Daniel do Nascimento Daniel do Nascimento Daniel do Nascimento Daniel do Nascimento
Cultura

 

 

O coletivo Borderlovers tem esta semana uma exposição na Galerie Charlot, 54 rue Charlot, em Paris 03, integrada na Temporada França Portugal 2022, intitulada “Couples de rêve / Casais de sonho” que implica o trabalho de quatro artistas: Pedro Amaral, um artista português que tem trabalhado bastante em Paris, que fundou o coletivo Borderlovers e que coordena este projeto; a artista lusodescendente Nathalie Afonso, descendente de Portugueses; o artista Carlos Farinha que embora tivesse nascido em Portugal, passou a infância no norte da França, na região de Lille, onde viviam os pais; e o artista francês Mathieu Sodore, que mora em Portugal há 22 anos.

A ideia é simples: fazer “casamentos improváveis” entre personalidades francesas e portuguesas, encontrando as pontes entre cada uma delas. João Pinharanda, o antigo Conselheiro cultural na Embaixada de Portugal e primeiro Comissário português da Temporada, teria dito a Pedro Amaral que a Temporada iria começar por volta do 14 de fevereiro, o Dia dos Namorados.

Pedro Amaral e Nathalie Afonso participaram juntos, no Luxemburgo, numa exposição sobre a lusofonia e combinaram participar na Temporada. “Eu sou francesa e ele é português. Queríamos participar neste evento. O Pedro é de Lisboa, eu de Paris, eu mulher e ele homem…” disse Nathalie Afonso ao LusoJornal. A ideia foi nascendo. Pedro Amaral convidou o amigo Mathieu Sodore e Nathalie Afonso convidou Carlos Farinha.

“Nós quisemos criar um projeto no quadro da Temporada, que fosse mesmo ao fundo daquilo que eu penso que devia ser uma Temporada cruzada” explicou por seu lado Pedro Amaral. A exposição começa com 12 casais imaginários e improváveis, “de diversas áreas, desde a música ao desporto, à literatura, ao humanismo e à própria solidariedade social como é o caso da rainha D. Leonor e do Abbé Pierre, e do próprio Nuno Álvares Pereira com Jeanne d’Arc”. Mas os artistas estão inspirados e podem surgir novos “casais” durante os próximos meses.

Mathieu Sodore namorou com uma portuguesa e mudou-se para Lisboa há 22 anos. “Entretanto nós separámo-nos, mas eu já estava também apaixonado por Lisboa, fiquei lá” contou ao LusoJornal. “Quando eu cheguei a Portugal, não tinha conhecimento nenhum da cultura portuguesa, mas reparei rapidamente que a cultura portuguesa tinha uma riqueza notável. Por isso considero importante partilhar, sobretudo com um público francês, a importância de certas personagens portuguesas e sobretudo mulheres”.

“Eu achei que o conceito é muito bonito” completa Carlos Farinha que pintou, entre outros, o “casal improvável” dos cientistas Marie Curie e António Damásio. “Uma Temporada cruzada devia ser isto mesmo, uma relação entre dois países, um respeito mútuo, figuras mútuas, uma paridade entre homens e mulheres, com pessoas que, de facto, marcam os dois países”.

Até este sábado, a exposição está na Galeria Charlot, que os próprios artistas pagaram, “porque participamos na Temporada, mas não nos dão qualquer apoio financeiro” larga Nathalie Afonso.

Depois de Paris, a exposição vai circular por várias cidades de França (Charenton, Valenton, Villeparisis, Crosnes…) e de Portugal (Porto, Vila de Rei, Tomar,…), estando programada para Lisboa, na Galeria Santa Maria Maior, precisamente por ocasião do dia de Santo António – o Santo Casamenteiro.

“Em Portugal ninguém conhece a Giselle Alimi e em França muito pouca gente saberá quem é Virgínia Quaresma, Ana de Castro Osório e até o próprio Nuno Álvares Pereira. A Comunidade portuguesa saberá, mas os Franceses não” diz Pedro Amaral. Por isso mesmo, os artistas estão lá para explicar, para contar quem são estas personagens. Em certas cidades vão pintar figuras locais e passam pelas escolas para falarem destas figuras únicas e daquilo que as liga.

No fim do ano, a exposição regressa a França, à Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade universitária internacional de Paris.

Quando voltarem, a exposição não será certamente a mesma. “Nós podemos voltar a trabalhar os mesmos casais, mas também podemos criar casais novos. Neste momento temos as portas abertas. Isto é um ‘work in progress’” garante Carlos Farinha ao LusoJornal.

Entretanto, gostariam que Maria de Medeiros ou Rosa Mota pudessem ver a exposição. Depois do concerto de Maria João Pires na Philharmonie de Paris, na semana passada, ofereceram à pianista portuguesa a tela em que está representada com o “seu marido” Claude Debussy.

 

Os Casais de Sonho

Jeanne d’Arc / Nuno Álvares Pereira

Simone Veil / Aristides de Sousa Mendes

Rainha D. Leonor / Abbé Pierre

Simone Ségouin / Salgueiro Maia

Victor Hugo / Ana de Castro Osório

Mário Cesariny / Rimbaud

Gisèle Halimi / Virgínia Quaresma

Maria João Pires / Claude Debussy

Maria de Medeiros / Jean Luc Godard

Rosa Mota / Pierre de Coubertin

Marie Curie / António Damásio

Camille Claudel / Júlio Pomar

 

Até 19 de fevereiro

Galerie Charlot

54 rue Charlot

75003 Paris

 

Donativos LusoJornal
X