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O árbitro português de ténis, Carlos Ramos, que vive em Lyon, tem dado muito que falar desde a final feminina do torneio norte-americano da modalidade entre a japonesa Naomi Osaka e a norte-americana Serena Williams.

A polémica em torno deste encontro ocorreu quando Serena Williams sofreu uma advertência por “coaching” – receber instruções do treinador durante um jogo – por parte do árbitro português Carlos Ramos, e acabou por perder a cabeça garantindo a pés juntos não ter recebido instruções do treinador: “Eu tenho uma filha, não sou ‘batoteira’. Prefiro perder a fazer batota”, disparou a norte-americana numa primeira fase.

Com o encontro a correr mal, Serena Williams partiu uma raqueta e isso valeu-lhe nova advertência. Irritada com as duas advertências, e principalmente com a primeira, a norte-americano explodiu perante o juiz português: “Tens de me pedir desculpa. És mentiroso, ladrão, jamais recebi ‘coaching’ na minha vida”.

Perante o abuso de linguagem, Serena Williams levou a terceira advertência e por consequência um jogo de penalização, algo inédito na história das finais de Grand Slam. O resultado passou de 6-2, 4-3 para 5-3 no segundo set, a favor de Naomi Osaka.

Serena Williams chorou, chamou o supervisor, mas o castigo manteve-se. No fim do encontro Naomi Osaka venceu por 6-2 e 6-4. De notar que Carlos Ramos teve de ser escoltado pela segurança e saiu debaixo de assobios.

Em conferência de imprensa, Serena Williams assegurou que não sabe os gestos que o treinador fez e atacou o árbitro português: “Eu já vi outros homens a chamar isso a outros árbitros, eu estou aqui a lutar pelos direitos das mulheres e pela igualdade das mulheres em todo o tipo de situações”, afirmou, acusando Carlos Ramos de sexismo.

Ainda esta semana numa entrevista ao programa australiano ‘The Project’, Serena Williams continuou a defender as acusações que proferiu: “Continuo sem perceber. A verdade é que nós enquanto mulheres só podemos fazer metade das coisas que os homens fazem dentro do court”, concluiu.

 

Carlos Ramos, um árbitro firme em qualquer ocasião

Esta ‘guerra’ tem tido vários capítulos e muitos defendem quer seja Serena Williams, quer seja Carlos Ramos.

No entanto é necessário lembrar dois factos:

Primeiro, Patrick Mouratoglou, treinador francês de Serena Williams, afirmou ter dado instruções: “Sou sincero, eu estava de facto a dar instruções. Não creio que ela estivesse a olhar para mim, por isso ela insistiu que não se tratava de uma situação de ‘coaching’. Mas a realidade é que era, como acontece em 100 por cento dos encontros com 100 por cento dos treinadores. Temos de parar de ser hipócritas em relação a isto”, admitiu.

O segundo facto é que Carlos Ramos, noutros torneios, já mostrou pulso firme em encontros do circuito… masculino, e com nomes bem sonantes do ténis mundial, como o Espanhol Rafael Nadal, o Britânico Andy Murray ou o Sérvio Novak Djokovic.

Rafael Nadal, no seu jardim no torneio francês de Roland Garros, foi advertido pelo juiz português por demorar demasiado tempo a servir. O espanhol respondeu-lhe que ia ter muitas advertências, pois é assim que serve.

Também em Roland Garros, em Paris, Novak Djokovic foi advertido por gastar demasiado tempo entre as jogadas, gritou algo em sérvio e foi novamente punido.

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, Andy Murray sagrou-se Campeão olímpico, mas também teve uma discussão com Carlos Ramos. Numa partida frente ao Japonês Kei Nishikori, o Britânico terá chamado “estúpido” ao árbitro português. No entanto no fim do encontro Andy Murray afirmou que disse “arbitragem estúpida” e acrescentou que Carlos Ramos queria “ser a estrela do jogo”.

De notar por fim que a Federação Internacional de Ténis – ITF – saiu em defesa do juiz de cadeira português Carlos Ramos, este que vive em Lyon: “O Carlos Ramos é um dos mais experientes e respeitados juízes de cadeira do ténis. As suas decisões foram tomadas de acordo com as regras e acabaram por ser ‘reforçadas’ pela decisão do US Open em punir Serena Williams com três sanções. Compreende-se que este incidente lamentável provoque debates. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o Sr. Ramos assumiu as suas funções enquanto juiz de acordo com um livro de regras e agiu sempre com profissionalismo e integridade”, pode ler-se no comunicado da ITF.

 

 

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