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O Conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito em Toulouse, António Capela, demitiu-se ontem, por carta enviada à Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, alegando “divergências inultrapassáveis” com o Vice-Cônsul de Portugal naquela cidade.

António Capela pediu a demissão com “efeitos imediatos” e explicou “detalhadamente” as “razões e provas claras e inequívocas” desta tomada de posição.

“Nos últimos dias e depois de ouvir muitas pessoas da Comunidade que me tentaram demover, decidi que não havia outro caminho para mostrar a minha insatisfação, indignação e dar um sinal claro, de que os Portugueses que vivem no estrangeiro merecem consideração e respeito” explica António Capela numa nota enviada ao LusoJornal. “A situação no Vice-Consulado de Portugal em Toulouse, e na região consular, é no atual momento grave, com tendência para se tornar caótica, sendo que os funcionários consulares fazem o melhor que podem”.

O Conselheiro das Comunidades diz que “recebo diariamente dezenas de telefonemas, com reclamações sobre os serviços, com impossibilidade de marcações, com um aumento do tempo de espera para marcações, com respostas redundantes e sem resoluções claras. Seria de esperar um certa articulação e concordância de que os serviços precisam hoje de um reforço de pessoal. Em vez disso, o que tenho ouvido é que os serviços ‘até funcionam hoje melhor do que antes da pandemia’”.

Segundo António Capela “basta estarmos atentos ao que se passa em outros postos consulares, que percebemos factualmente que isso não corresponde à realidade (é um problema transversal). Foi aliás ‘considerado um ataque’ o Conselheiro ter uma opinião sobre o reforço do posto consular numa área social. Como se em qualquer posto que isso acontecesse, o seu titular não ficasse até satisfeito. Absolutamente incompreensível. Entendo que isto é uma afronta que prejudica diretamente a Comunidade portuguesa”.

Há vários meses que o Conselheiro das Comunidades tem solicitado um posto de Adido Social para o Vice-Consulado de Toulouse, alegando que o Vice-Cônsul não tem tratado dos pedidos sociais que chegam ao posto. Nas páginas do LusoJornal, o Vice-Cônsul Miguel Costa desmentiu não acompanhar os pedidos de apoio social.

Mas o Conselheiro das Comunidades, que já tinha anunciado que não seria candidato à sua própria sucessão e que anunciou ter criado na cidade uma Secção do PSD, explica na nota enviada ao LusoJornal que “quando foram por mim solicitados dados estatísticos sobre a atividade consular, para que se pudesse interpretar a realidade e assim se pudesse trabalhar em conjunto, fui encaminhado para um relatório da DGACCP sobre os números consulares do mundo inteiro, que nada diz sobre Toulouse, e que data já de há quase 2 anos. Ao contrário do que acontece em outros locais, onde são disponibilizados estes dados aos Conselheiros sempre que solicitados, e inclusive publicamente”.

Por isso, António Capela diz ter “uma visão diametralmente oposta do que é hoje a realidade no terreno, em relação ao titular de posto, a quem por diversas vezes tentei sensibilizar” e diz serem “divergências inultrapassáveis”.

O Conselho das Comunidades Portuguesas é um órgão de consulta do Governo para as questões de emigração e de Comunidades portuguesas, mas António Capela tem mostrado mais interesse pelas questões locais de apoio às Comunidades, do que pela participação numa reflexão mundial sobre as Comunidades.

“Os cargos não existem para nos servirmos, servem para servirmos, interpretação que não está ao alcance de todos” escreve António Capela, deixando no ar a ideia que Miguel Costa se serve do posto que atualmente ocupa.

Formalmente, a Secretária de Estado Berta Nunes deve aceitar a demissão do Conselheiro e posteriormente nomear o novo Conselheiro em função dos resultados eleitorais na área consular de Bordeaux e Toulouse. Pode aliás acontecer que, tendo em consideração que as próximas eleições do CCP tenham lugar em setembro, já não tenha tempo de formalizar a nomeação de Carolina Amado, a “número dois” da lista de António Capela. Mas o Conselheiro demissionário antecipa-se e escreve: “desejo um excelente trabalho à Carolina Amado, que assumirá o meu lugar. Uma pessoa em quem confio plenamente e que está mais do que à altura para desempenhar o cargo”.

Para além de ser Conselheiro das Comunidades e responsável pela Secção de Toulouse do PSD, António Capela é também elemento ativo da Federação das Associações e da Associação de Empresários, “da qual sou Presidente”.

O Conselheiro demissionário deixa “um agradecimento especial à Comunidade portuguesa, e colegas Conselheiros, que juntos lutam diariamente para que Portugal seja visto de forma única em todo o mundo”!

O Vice-Consulado de Portugal em Toulouse depende do Consulado Geral de Portugal em Bordeaux e já por várias vezes foi equacionado o seu encerramento, tanto em Governos do PSD como em Governos do PS. É o único Vice-Consulado de Portugal em França.

 

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