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Marine Antunes (1990) nasceu em França, mas não se lembra dessa vida “hexagonal” visto ter ido viver com apenas dois anos, diz ela, para um “lugar pequenino, terra dos meus avós” em Portugal, embora, acrescenta, “tenha trazido comigo o nariz empinado e grande” e “o exagero nos rrr” de França.

Nesse começo da década de 90, essa mudança de vida familiar não foi unânime. Marine, neste seu terceiro livro – “Teorias de uma not atinadinha” – lançado pela editora Marcador há cerca de um mês, vinca bem essa falta de consenso ao referir, a páginas tantas, que o regresso da família a Portugal foi realizado “para alegria do meu pai e muito desconsolo da minha mãe”. Sentimentos muito contraditórios, portanto.

Por incrível que pareça, a aventura literária de Marine começou da pior maneira. Aos 13 anos, ela sobreviveu a um linfoma e, mais tarde, em 2013, decidiu dedicar a sua vida à desmistificação da doença. Iniciou um blogue e daí nasceu o seu primeiro livro “Cancro com Humor”. A partir desse momento, a sua vida mudou radicalmente.

Marine Antunes, graças ao humor com que relativiza uma das doenças que, apesar dos quase inacreditáveis avanços da medicina, ainda mata milhões de pessoas em todo o mundo, passou a ser uma espécie de raio de luz que ajuda a dissipar as trevas em que mergulham as pessoas atingidas por esta doença. A sua abordagem ligeira e descomplexada serve de inspiração e de auxilio às crianças e adolescentes que com ela contactam.

Assim, Marine Antunes, licenciada em Comunicação social, realiza palestras motivacionais a doentes (entre os quais se encontram crianças e adolescentes), cuidadores e profissionais de saúde. Nestas palestras, tal como nos seus livros – “Cancro com Humor 2” foi publicado em 2017 – ela aborda temas como a valorização pessoal, o humor na saúde e, diz, “a capacidade de sermos felizes independentemente do que estamos a viver”.

Desde então, ela escreve para vários meios de comunicação e apresentou o seu segundo livro um pouco por todo o país, viajando numa clássica WV “pão de forma”.

Este “Teorias de uma not atinadinha” é um livro leve, com um registo humorístico adequado a um público infantojuvenil, onde Marine Antunes se dirige diretamente ao leitor, como se fosse uma amiga de longa data, falando uma linguagem “adolescente” e relatando a sua experiência de vida desde a infância, enfatizando, claro, a sua vitória sobre o cancro. As alcunhas, o primeiro beijo, os choques geracionais com os “pais que já foram putos, mas às vezes esquecem-se disso”, a atual dependência das tecnologias (os avanços são tão rápidos que Marine, apesar dos seu curtos 29 anos, fala da sua infância sem internet e redes sociais como se se tratasse de algo extraordinariamente distante no tempo)…

Um pequeno livro – com prefácio de Carla Rocha e ilustrações de Sara-a-dias – que cumpre a sua missão e poderá ajudar um adolescente problemático a relativizar os seus problemas porque, como escreve Marine Antunes no final do seu livro: “crescer custa a todos”.

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