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Cultura

 

A edição portuguesa de “La plus secrête mémoire des hommes”, do senegalês Mohamed Mbougar Sarr, que venceu este ano o Prémio Goncourt, o mais prestigiado das Letras francesas, chega às livrarias em 2022, anunciou a editora Quetzal.

“É com enorme prazer e muita alegria que a Quetzal anuncia que acaba de adquirir os direitos de publicação do vencedor do prestigiado Prémio Goncourt 2021, Mohamed Mbougar Sarr. ‘A mais secreta memória dos homens’ é o título do romance galardoado, já vendido para trinta países e cuja edição portuguesa chega às livrarias em 2022”, refere aquela chancela, em comunicado.

A edição portuguesa conta com tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra.

“A mais secreta memória dos homens” é, de acordo com a editora, “um romance magistral, inspirado no destino nefasto do escritor maliano Yambo Oulologuem”. A ação do livro “centra-se em torno do senegalês T.C. Elimane e do seu livro ‘O labirinto do inumano’”.

“Elimane desapareceu sem deixar rasto, do mesmo modo que parece não haver provas físicas da existência da obra. Décadas volvidas, outro jovem do Senegal aspirante a escritor, Diégane Latyr Fa-ye, deambulando por Paris, encontra o livro. Estão lançados os primeiros passos numa epopeia extraordinária, que cruza geografias e gerações, as grandes tragédias da História, a vida e a obra dos escritores, na demanda, justamente, da mais secreta memória dos homens”, descreve a Quetzal.

“A mais secreta memória dos homens” foi considerado “um hino à literatura” pelo júri do Prémio Goncourt 2021 e fez de Mohamed Mbougar Sarr, de 31 anos, o primeiro escritor da África subsaariana a ser galardoado com o prémio, e o mais jovem vencedor desde Patrick Grainville, em 1976.

“Com este jovem autor, estamos de volta às bases do Goncourt. 31 anos de idade, alguns livros à sua frente. Esperemos que o Goncourt não corte o seu desejo de continuar”, comentou o secretário-geral do prémio, Philippe Claudel, em 03 de novembro, quando foi anunciado o vencedor da edição deste ano.

Paule Constant, outro membro do júri, afirmou que a escolha foi feita “na primeira ronda”, e salientou que o livro está escrito “de uma forma extravagante”, e que “é um hino à literatura”.

Nascido em 1990, filho de um médico em Diourbel, no centro do Senegal, Mohamed Mbougar Sarr sempre foi um excelente estudante e um ávido leitor. Quando lhe perguntaram se sentiu alguma pressão dos pais para ter sucesso como o mais velho de seis irmãos, Mbougar Sarr respondeu: “Não, não necessariamente! Só quero dar o melhor exemplo aos meus irmãos”.

A sua entrada na literatura deu-se aos 24 anos, com a obra “Terre ciente”, a que se seguiu “Silence du coeur”, em 2017.

Mohamed Mbougar Sarr sucede a Hervé Le Tellier, cujo romance “A anomalia”, editado em Portugal pela Presença, foi premiado no ano passado, durante uma cerimónia de videoconferência, devido à crise pandémica da Covid-19.

 

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