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Uma visita do Primeiro Ministro, no passado dia 18 de maio, e a edição de um livro-catálogo permitem dar como inaugurada uma exposição que tem sido montra da Presidência Portuguesa da União Europeia em Paris, mas que, pelas razões que sabemos, apenas foi vista até agora por poucos convidados e protagonistas locais dessa mesma Presidência: Ministros, Secretários de Estado, Embaixadores da UE, cientistas, empresários…

Uma lista de artistas nunca está completa e o número daqueles que seria necessário convocar para uma boa síntese histórica dos que (portugueses ou de origem portuguesa) passaram em França ou aqui residem e trabalham, seria impossível de mostrar no espaço restrito que nos cabe. Assim, escolhemos apenas alguns dos artistas (portugueses ou franceses) com atividade prolongada, recente ou próxima e/ou residência nos dois países à data desta exposição. Tendo ainda em conta os constrangimentos e montagem, apenas foi possível apresentar obras tridimensionais. Finalmente, algumas peças indisponíveis ou cujas dimensões ou fragilidade criariam impedimentos à sua colocação, não permitiram também a entrada de  alguns  outros artistas.

Um enorme laço, cravejado de luzes e suspenso, de Joana Vasconcelos, um enorme pote de cerâmica, manualmente modelado e depois pintado com decoração floral, por Manuel Cargaleiro e um cubo em metal de um metro de lado coberto de imagens urbanas fragmentadas, de Vhils, acolhem os visitantes no grande átrio.

No primeiro salão, quatro outras obras: duas Biche  em cerâmica, de Miguel Branco,  poisadas sobre o contador indo-português e sobre a secretária Luís XV olham-nos com sobranceira distância; dois pequenos bronzes, de Isabel Meyrelles, a artista portuguesa há mais anos radicada em França e a última sobrevivente do surrealismo português, homenageiam André Breton e sugerem (num dragão fumador de cachimbo) um auto-retrato.

Na chamada  sala redonda entra-se por uma estreita passagem onde, sobre uma base de azulejos de fabricação portuguesa (fábrica da Viúva Lamego), nos olha o rosto simpático de um dos ídolos paródicos de Hervé di Rosa.  Na mesma sala, de José de Guimarães, temos uma caixa relicário: tosco caixote entreaberto, iluminado no interior e pintado onde um puzzle  de corpos humanos nos recorda o tráfico negreiro e a tragédia das recentes vagas de emigração. Mas, nesse mesmo espaço, duas delicadas miniaturas de montanhas de Cristina Ataíde funcionam como modelos ideais do mundo, e remetem-nos para a espiritualidade oriental que as inspiraram.

O segundo salão é um espaço de passagem onde explode a energia e a alegria pop da nova decoração (sofás e tapetes da autoria de Joana Vasconcelos, série Bombom,  2019) produzidas pela empresa Roche Bobois.

Entrados na sala de jantar, sobre a grande mesa, cinco terrinas em cerâmica de Maria Loura Estevão,  integram um inquérito de sentido antropológico feito entre os emigrados em França, e figuram os ingredientes de cinco pratos regionais portugueses. No mesmo espaço, uma obra de Lídia Martinez apresenta, sob múltiplas campânulas de vidro, folhas, pétalas e pequenas cerâmicas de bustos e rostos de mulher que remetem para Inês de Castro, tema constante na obra múltipla da artista.

Já na zona de saída, Bela Silva coloca em cena dinâmica uma cerâmica onde um pássaro e uma serpente se beijam (ou lutam). Mas, se olharmos para cima, uma poética nuvem-luminária, de Cátia Esteves, colocada no eixo da belíssima escadaria de acesso aos andares superiores da casa, apazigua-nos colocando uma nota de melancolia no percurso que iniciámos com a exuberância voadora do laço de Joana Vasconcelos.

A partir da semana de 7 de junho, podem encontrar, no site do Instituto Camões, modo de se inscreverem em visitas guiadas, condicionadas no número de inscrições pelas exigências da pandemia, mas abertas a todas as fantasias que a arte nos permite.

Neste momento há disponibilidades para as visitas do dia 9 de junho às 15, e para as dos dias 15, 16, 17 e 24, às 15h00 e às 1600.

Boas escolhas culturais e até para a semana.

 

Esta crónica é difundida todas as semanas, à segunda-feira, na rádio Alfa, com difusão às 02h30, 05h45, 06h45, 10h30, 13h15, 16h15 e 20h00.

 

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