Lusodescendente Silvy Crespo apresenta “Filhas de Nabia” na inauguração do NEIVA Lab

A fotógrafa franco-portuguesa Silvy Crespo participa, no próximo dia 7 de agosto, na inauguração da exposição de restituição do NEIVA Lab., a nova residência artística de fotografia contemporânea promovida pela Associação Filhos do Neiva. O evento terá lugar a partir das 18h00, no Forum Cultural das Neves (Viana do Castelo), seguindo-se um pique‑nique festivo no Largo das Neves, aberto à comunidade e aos visitantes.

O NEIVA Lab., iniciado em 2025 e com duração prevista de quatro anos, nasce na continuidade dos “Encontros Fotográficos das Neves”, que em 2024 e 2025 trouxeram ao Vale do Neiva grandes nomes da fotografia internacional, como Agnès Varda, Gilles Caron ou James Barnor. O projeto, liderado por Domingos Jaques e pela Associação Filhos do Neiva, pretende afirmar-se como uma plataforma de criação contemporânea ligada ao território, ao património cultural e ambiental e às comunidades locais. A residência acolhe anualmente artistas que desenvolvem trabalho no Vale do Neiva, culminando numa exposição pública que partilha com a população os resultados do processo criativo.

Na edição 2025-2026, o NEIVA Lab. conta com duas residentes: Juliana Maar e Silvy Crespo, que ao longo de vários meses exploraram diferentes dimensões da paisagem, da memória e das vivências do território. O trabalho de Silvy Crespo, apresentado agora pela primeira vez, parte das suas raízes familiares nos Arcos de Valdevez e em Montalegre e da relação afetiva com o Minho, propondo uma abordagem poética à indumentária das mulheres do Vale do Neiva.

O projeto, intitulado “Filhas de Nabia”, inspira-se na figura ancestral de Nabia, divindade que deu nome ao rio Neiva, para construir uma narrativa visual onde natureza e cultura se entrelaçam. As fotografias encenam figuras femininas simbólicas que representam a memória coletiva do território, evocando gestos, materiais, práticas de trabalho e formas de cuidado transmitidas entre gerações. Mais do que um registo etnográfico, Silvy Crespo propõe um olhar sensível sobre o vestuário como objeto de memória material e afetiva, revelando a força identitária das mulheres que moldam a vida do Vale do Neiva.

A fotógrafa, cujo trabalho tem sido reconhecido internacionalmente – com nomeações sucessivas para o Prémio Leica Oskar Barnack e presença em festivais como o Oxford Photo Festival e os Encontros da Imagem – reforça com este projeto a sua investigação sobre a relação entre território, recursos e comunidades. Em 2026, Silvy Crespo contribuiu também para a publicação “Mineração, água e território”, consolidando uma prática artística que cruza fotografia documental, pesquisa de campo e memória coletiva.

A inauguração da exposição do NEIVA Lab. será acompanhada por um momento de convívio comunitário, sublinhando a vocação do projeto: aproximar artistas e habitantes, valorizar o património humano do Vale do Neiva e promover novas formas de olhar e preservar a identidade do território.

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