Opinião: Aos meus avós

Neste Dia dos Avós, escrevo estas palavras para recordar, partilhar algumas memórias e preservar uma memória intergeracional que continua viva em mim. Uma memória feita de histórias, gestos, trabalho, simplicidade, amor e esperança.

Tive o privilégio de viver alguns anos ao lado deles e guardo essas recordações como um dos maiores presentes da minha vida. Não há nada mais precioso do que ouvir os avós falarem do passado, das dificuldades que enfrentaram, das alegrias que viveram e das histórias que moldaram uma geração. Cada memória era uma lição de vida.

Eram pessoas simples, mas de uma sabedoria imensa. Ensinavam mais pelos gestos do que pelas palavras, porque o seu exemplo falava por si. Viviam em profunda ligação com a terra. Cultivavam batatas, tratavam das vinhas, cuidavam da horta e das árvores de fruto, onde nunca faltavam limões, tangerinas, laranjas, morangos, maracujás e tantos outros sabores que marcaram a minha infância.

Com as próprias mãos faziam o pão, produziam o mel e o vinho. Ainda hoje me lembro do meu avô a cozer o pão no forno de lenha tradicional. O cheiro do pão acabado de fazer permanece vivo em mim, como se o tempo nunca tivesse passado. É um aroma que me transporta de imediato para a casa dos meus avós, para os dias felizes da infância e para o calor do seu amor.

Lembro-me do meu avô vestido da cabeça aos pés com o seu fato branco de apicultor, aproximando-se das colmeias com uma serenidade que ainda hoje me impressiona. Observava-o com admiração enquanto recolhia o mel das abelhas. O aroma do mel acabado de colher, o zumbido das abelhas e a alegria de o provar ficaram gravados para sempre na minha memória.

Recordo-me também dos meus avós a reunirem familiares, amigos e vizinhos no meio das vinhas ou na adega, rodeado pelos grandes barris de vinho. Eram momentos de convívio, de partilha, de risos e de histórias contadas sem pressa. Naquela adega aprendi que o vinho não era apenas o fruto da terra; era um símbolo de união, de amizade e da alegria de estarmos juntos.

Cada gesto era um ato de paciência e de respeito pela natureza. Com eles aprendi o valor da partilha, da família e das nossas raízes. Ensinaram-me que aquilo que recebemos deve ser cuidado, respeitado e transmitido às gerações futuras.

Hoje percebo que herdei muito mais do que as suas recordações. Herdei o gosto pelo que é simples e autêntico. Gosto de preparar em casa alimentos caseiros e continuo à procura daqueles sabores únicos da minha infância, porque em cada aroma e em cada receita reencontro um pouco dos meus avós. É a minha forma de os trazer comigo todos os dias.

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Hoje, apesar da sua ausência, continuam presentes em cada valor e em cada recordação que levo comigo. Há pessoas que nunca deixam verdadeiramente de partir, porque permanecem vivas no coração daqueles que tiveram o privilégio de as amar.

Os avós são muito mais do que uma presença na infância. São guardiões da memória, transmissores de valores e construtores silenciosos do futuro. São raízes que sustentam a árvore da família e cuja herança continua a florescer em cada nova geração.

Aos meus avós portugueses, a minha eterna gratidão. O vosso legado viverá para sempre em mim.

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