Depois de uma semana intensa na região da Bourgogne, com quatro dias de treinos obrigatórios e dois dias de competição, chegou ao fim o Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva Juvenil, que reuniu as categorias U‑15, U‑20 e U‑25 em Montceau-les-Mines (71) e Montchanin (71). O ambiente vivido entre atletas, treinadores, voluntários e a população local foi unanimemente descrito como excecional, marcado por entusiasmo, proximidade e momentos de grande emoção.
Nos lagos do Plessis e de Montchanin assistiram-se a combates memoráveis entre pescadores e carpas que chegavam aos dez quilos, alguns prolongando-se por quase uma hora. Um dos episódios mais marcantes aconteceu a dois minutos do fim da prova, quando um jovem competidor conseguiu finalmente dominar o peixe, arrancando uma explosão de alegria do público, talvez ainda maior do que a do próprio atleta. A intensidade destes momentos fez do Campeonato um verdadeiro espetáculo, onde a técnica se misturou com o risco, a adrenalina e a paixão pela modalidade.
No plano coletivo, Portugal terminou a competição no meio da tabela, num universo de 35 equipas provenientes de 15 países, com destaque para as Seleções da Hungria e da Polónia. No plano individual, houve também motivos de orgulho: o mais jovem competidor de todo o Campeonato foi português. Martim Bessa, de Paços de Ferreira, com apenas 11 anos, foi chamado logo no início da gala de encerramento para ser distinguido pela organização – um gesto que emocionou a delegação nacional.
A cerimónia de encerramento, realizada no L’Embarcadère, em Montceau-les-Mines, reuniu atletas, treinadores, dirigentes e voluntários num ambiente de celebração. A Federação Francesa de Pesca Desportiva, os representantes das autarquias envolvidas e o Préfet de Saône‑et‑Loire elogiaram o Campeonato como um verdadeiro sucesso internacional, destacando a qualidade técnica, a organização e o espírito desportivo demonstrado ao longo da semana.
Entre os testemunhos recolhidos, o de Afonso Barreto, atleta da categoria U‑20, oferece uma visão particularmente rica sobre o que foi competir ao mais alto nível. “Durante a semana de treinos fomos experimentando várias formas de pescar, iscos e engodos, tentando delinear a melhor estratégia possível para as provas”, explicou.
Afonso Barreto descreveu ainda a emoção vivida no primeiro dia de competição: “Fiquei no pesqueiro D2, numa zona onde saía peixe grande. Aos 40 minutos ferro a primeira carpa e fiz-me logo a essa pesca. Acabei com 17,250 kg e um brilhante 3º lugar de setor”.




O segundo dia trouxe desafios diferentes, mas também aprendizagem: “Os peixe-gato estavam muito mais desconfiados. Arrisquei um peixe grande, mas sem sucesso. Mesmo assim fiz o meu melhor”.
No final, Afonso Barreto terminou em 18º lugar entre 64 pescadores, enquanto Portugal alcançou o 10º lugar entre 14 Seleções. O jovem atleta fez questão de agradecer o apoio recebido: “Gostaria de agradecer à Junta de Freguesia de Igrejinha, à Câmara Municipal de Arraiolos, aos Capitães de equipa e ao Clube Eborense dos Amadores de Pesca Desportiva. E um enorme agradecimento aos meus pais, que este ano não conseguiram estar presentes, mas que me deram muita força a partir de casa”.
O testemunho de Afonso Barreto resume bem o espírito desta participação portuguesa: dedicação, resiliência, camaradagem e orgulho.
Acompanhar a Seleção ao longo da semana, foi uma oportunidade para perceber o que esta juventude é capaz de transmitir noutro ramo desportivo, talvez sem o apoio que merece, mas sempre com amor, respeito e uma enorme vontade de representar Portugal.
O Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva Juvenil encerrou deixando memórias fortes, novos laços e a certeza de que este desporto, tantas vezes invisível, tem na juventude portuguesa um valor que merece ser reconhecido e celebrado.







