Saúde: Os riscos do eclipse para os olhos


Com a proximidade do eclipse do sol em Portugal, as dúvidas ganham mais força.

Um eclipse é um fenómeno fascinante, mas nunca devemos olhar diretamente para o Sol, com ou sem eclipse. A exposição direta ao Sol pode provocar uma queimadura da retina, a zona do fundo do olho responsável por transformar a luz em imagens. Durante um eclipse, o risco aumenta porque a diminuição da luminosidade faz com que as pessoas sintam menos encandeamento e permaneçam a olhar para o Sol durante mais tempo. As crianças podem correr mais perigo porque são curiosas e não percebem o risco, devendo ser supervisionadas.

Olhar diretamente para o Sol pode provocar uma lesão da retina, designada retinopatia solar, mesmo que o tempo de exposição seja curto. Os sintomas nem sempre surgem de imediato e podem aparecer horas ou até um ou dois dias depois. Os mais frequentes são visão desfocada, uma mancha escura ou uma distorção no centro da visão e dificuldade em ler ou distinguir detalhes. Em alguns casos, a visão recupera parcialmente, mas a lesão pode ser permanente.

Olhar para o eclipse

Se notar qualquer alteração da visão após ter olhado para o eclipse, deve ser observada por um oftalmologista o mais rapidamente possível. Embora não exista um tratamento específico para reverter a lesão, é importante confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e acompanhar a evolução.

Os óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros ou polarizados, não bloqueiam a radiação solar em quantidade suficiente para proteger a retina. Como reduzem apenas a sensação de encandeamento, podem até aumentar o risco, levando a pessoa a olhar para o Sol durante mais tempo, aumentando o tempo de exposição.

Daí que a observação de um eclipse só seja segura com óculos certificados para observação solar (norma ISO 12312-2), em bom estado, ou através de métodos de observação indireta, como a projeção da imagem do Sol.

Os óculos de sol comuns, vidros fumados, radiografias (raios X), películas fotográficas, CDs ou qualquer outro método improvisado não protegem a retina da radiação solar. Embora reduzam a intensidade da luz visível e o encandeamento, não bloqueiam a radiação em quantidade suficiente para tornar a observação do Sol segura.

Também nunca se deve olhar diretamente para o sol através de binóculos, telescópios, máquinas fotográficas ou telemóveis sem filtros solares especificamente concebidos para esse efeito. Estes equipamentos podem concentrar a luz solar e aumentar o risco de lesão da retina.

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Professora Doutora Sara Vaz Pereira

Médica Oftalmologista, especialista em Retina Médica na Clínica AlmPrimum

Professora Auxiliar de Oftalmologia, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

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