Teatro e imigração portuguesa em debate na EHESS com a projeção de “Cá e Lá – 40 anos em cena”


A École des hautes études en sciences sociales (EHESS), em Paris, acolhe hoje, dia 2 de junho, entre as 18h00 e as 20h00, uma sessão dedicada ao tema “Théâtre et immigration portugaise, Cá e Lá (1979-2025) : le corps bâti en miroir du corps blessé”, apresentada por Graça dos Santos no âmbito do ciclo “Formes et pratiques performatives : quelles questions aujourd’hui ?”, codirigido por Georges Vigarello, Sylvie Roques e Pascale Weber. O encontro terá lugar no 54 boulevard Raspail, na sala AS1_24, e marca a primeira apresentação em Paris do documentário “Cá e Lá – 40 ans en scène”, realizado por Ana Isabel Freitas.

O filme, lançado oficialmente no “Porto Femme International Film Festival” a 29 de abril deste ano, revisita mais de quatro décadas de criação artística da companhia Cá e Lá, um coletivo bilingue (francês-português) que, desde 1979, tem explorado as memórias, tensões, silêncios e resistências da imigração portuguesa em França. A obra acompanha as duas figuras fundadoras da companhia, que regressam às fotografias das primeiras criações, reavaliam o percurso artístico e reencontram, no palco de hoje, os gestos e quadros teatrais que marcaram o início da sua aventura.

A sessão na EHESS propõe uma reflexão sobre o corpo como arquivo vivo – corpo que constrói, corpo que resiste, corpo que carrega feridas individuais e coletivas. A expressão “corps bâti en miroir du corps blessé”, que dá título à conferência, sublinha precisamente esta tensão entre criação e cicatriz, entre memória e transformação. Ao revisitar as práticas performativas da companhia, Graça dos Santos convoca questões centrais para os estudos contemporâneos sobre migração, pós-memória e teatro político.

O documentário de Ana Isabel Freitas reforça esta dimensão ao articular passado e presente: as protagonistas revivem episódios marcantes da sua trajetória enquanto projetam novas formas de transmissão artística. Entre deslocamento e pertença, entre língua materna e língua de adoção, o filme revela como o teatro se torna um espaço de resistência, de reconstrução identitária e de diálogo intergeracional.

Integrada num ciclo que interroga as práticas performativas atuais, esta sessão propõe ao público parisiense uma oportunidade rara de mergulhar na história de uma companhia que, ao longo de mais de 40 anos, tem dado voz às vivências da diáspora portuguesa e contribuído para a construção de uma memória cultural partilhada entre França e Portugal.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca