Dezenas de portugueses assistiram ao jogo do Mundial de futebol entre Portugal e a República Democrática do Congo, na Casa de Portugal, a sede da associação “Os Camponeses Minhotos de Clermont-Ferrand (63).
A associação abriu excecionalmente esta quarta-feira por ocasião do primeiro jogo de Portugal no Mundial deste ano e dezenas de portugueses responderam presente para comerem uma francesinha ao mesmo tempo que assistiam à projeção num ecrã da transmissão do jogo.
O hino de Portugal foi cantado com sentimento na sala e notava-se o excesso de confiança na sala, idêntico ao que era mostrado em campo pelos jogadores. Quando João Neves, logo aos seis minutos, deu à Seleção portuguesa um arranque de ‘sonho’ no Estádio NRG, em Houston, perante cerca de 70 mil adeptos, os adeptos aplaudiram. Mas quando Wissa, em cima do intervalo, aos 45+5 minutos, marcou o golo do Congo, foi uma desilusão.
Depois de ganhar vantagem no marcador, Portugal optou quase sempre por um futebol pausado e mais preocupado em manter a posse de bola do que chegar com perigo à área do rival africano. Essa opção, misturada com algum excesso de confiança, sobretudo durante a primeira parte, acabam por explicar o empate surpreendente da equipa de Roberto Martínez, assim como o claro baixo rendimento de jogadores determinantes, como Nuno Mendes, Vitinha, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo.
O Capitão da Seleção portuguesa, a viver a sexta fase final de um Mundial e no dia que se tornou no jogador mais velho a atuar por Portugal, esteve desaparecido em praticamente toda a partida, exceção de dois lances na segunda parte, ambos a terminarem com uma finalização totalmente desinspirada por parte do madeirense.
A Seleção portuguesa pode até ter acabado o encontro da primeira jornada do Grupo K com 75% de posse de bola, mas foi a RD Congo que rematou mais (oito contra sete) e mais vezes acertou na baliza (duas contra uma).
Na sala, os ânimos foram abrandando, mas o empate não muda nada o panorama da Seleção nacional na América do Norte, onde continua favorito a vencer o seu grupo e uma das candidatas a conquistar o troféu, mas a exibição, misturada com notório défice físico, de certeza que vai fazer soar alguns alarmes.
Como esperado, Tomás Araújo foi o escolhido por Martínez para render o lesionado Rúben Dias, num ‘onze’ sem surpresas, com Bernardo Silva a reforçar mais a zona de meio campo, ficando apenas Pedro Neto e Ronaldo mais na frente.
Portugal entrou ‘obcecado’ em ter a posse de bola, não deixando a RD Congo sequer dar mais de um ou dois toques, e cedo tirou frutos disso, com João Neves a marcar de cabeça, solto na área, após excelente centro de Pedro Neto da esquerda. Foi o quarto golo do médio do Paris Saint-Germain com a seleção nacional.
Mas em Clermont-Ferrand, na sede da associação Os Camponeses mMinhotos o público era menos especialista de futebol e mais compatriota, a defender as cores de Portugal. Por isso, o que contava mesmo era o resultado final.
Sem surpresa, no arranque da segunda parte, Martínez lançou Francisco Conceição para o lugar de Bernardo Silva (jogo para esquecer do novo jogador do Real Madrid) e Portugal ganhou alguma velocidade no flanco direito, com o extremo da Juventus a ficar ligado aos melhores lances da Seleção nacional na segunda parte.
Já depois de Cancelo ter visto um golo acrobático anulado por fora de jogo, Francisco Conceição fugiu duas vezes pela direita e, em ambas as ocasiões, assistiu Ronaldo dentro da área, com o Capitão a falhar o alvo.
Com o passar dos minutos, a RD Congo foi ganhando confiança e até causou vários problemas ao setor defensivo de Portugal, enquanto os jogadores lusos foram claramente caindo na armadilha da ansiedade e nervosismo, falhando alguns passes e duelo diretos.
Martínez primeiro tirou Pedro Neto e Nuno Mendes, colocando Rafael Leão e Nelson Semedo, e depois arriscou mesmo com a entrada de Gonçalo Ramos para o lugar do esgotado Vitinha.
Pouco ou nada Portugal ganhou com isso, com um remate quase já em desespero de Bruno Fernandes, em cima do minuto 90, que passou ao lado, a ser o único lance de destaque, numa equipa lusa que terminou a partida claramente fisicamente esgotada.







