A organização do PCP em França está solidária com a luta estudantil


A organização do Partido Comunista Português (PCP) em França está solidária com luta estudantil, argumentando que é uma “luta transversal e plural” a toda a sociedade, toca especialmente os emigrantes e os seus descendentes, “que sofrem diariamente com a degradação das condições nas escolas, a falta de profissionais, a sobrecarga de trabalho e o agravamento das desigualdades no acesso à educação”.

“O investimento no ensino secundário em França tem sistematicamente decrescido ao longo dos anos de Macronismo, especialmente onde é mais preciso: nas escolas dos subúrbios das grandes cidades” diz uma nota da organização do PCP em França enviada ao LusoJornal. “Desde logo, os sucessivos cortes orçamentais têm-se refletido em escolas com piores condições para a prática do ensino e pleno desenvolvimento dos jovens, levando à não aquisição de competências, ao abandono escolar e, a longo prazo, a uma vida aquém das suas capacidades”.

“Nós, emigrantes portugueses em França, somos especialmente afetados por isso. São os nossos filhos, e os filhos de todos os emigrantes, que estudam nas escolas em condições miseráveis da periferia de Paris. São os nossos filhos que não têm cadeiras onde se sentar na sala de aula, que não têm professores, que se perdem entre a burocracia e a obscuridade no processo de seleção para entrar no ensino superior. Os nossos filhos não podem recorrer a aulas privadas, nem a outros meios, para compensar as lacunas do ensino público francês. E, portanto, só lhes resta lutar” diz o PCP França. “E se esta luta pela melhoria das condições do ensino começou com os estudantes do secundário, rapidamente teve apoio dos estudantes do ensino superior, dos trabalhadores, professores, outros técnicos especializados e não especializados, funcionários e sindicatos, porque esta é uma luta que é de todos”.

Na nota enviada ao LusoJornal, organização do Partido Comunista Português (PCP) em França assume que “os estudantes lutam por melhores condições nas salas de aula; pelo aumento do número dos profissionais de educação, saúde, acompanhamento e orientação nas escolas; lutam pela descida dos preços das refeições e pela sua qualidade; pela atualização das bolsas; o fim do custo diferenciado da inscrição nas universidades para os estrangeiros; por mais e melhores condições das residências universitárias e a imediata cessação da violência policial. Os estudantes lutam pelos seus direitos, utilizam o seu espírito revolucionário, a sua força e capacidade de organização para reivindicar o que há muito tempo não está bem, o que tem vindo a ser alvo de ‘esquecimento’ e que tem vindo a ser sistematicamente ignorado por parte dos Governos de Macron”.

Depois, lembra que “só este ano, o Orçamento do Estado reduz 640 milhões de euros o financiamento para a educação relativamente a 2026”.

Ainda no comunicado enviado à redação do LusoJornal, o PCP França explica que “esta força jovem que forma assembleias gerais com espaço para a discussão, organiza concentrações e promove manifestações, que fecha escolas, que prepara greves e, com isso, está a criar o maior movimento jovem em França desde Maio de 1968, tem de ser ouvida. As suas, justas, reivindicações têm de ser atendidas. São os nossos jovens! É o futuro que está em causa!”

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