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Abriu uma Secção Internacional de Português no Collège La Nacelle, em Corbeil-Essonnes

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Ensino

 

 

Foi inaugurada este sábado, dia 12 de março, uma nova Secção internacional portuguesa no Collège La Nacelle, em Corbeil-Essonnes (91). A cerimónia teve lugar durante a jornada “Portas Abertas” naquele estabelecimento, na presença da Coordenadora do Ensino Português em França, Adelaide Cristóvão, da Inspetora de Português na Academia de Versailles, Isabel Leite, e do Principal do Collège Etienne Galand.

O Collège La Nacelle já ensina português há cerca de 30 anos e tem uma turma bilingue com ensino de português e inglês, num universo global de 700 alunos. “Nós propomos várias línguas vivas, entre as quais o inglês, o espanhol, o alemão e o português” diz ao LusoJornal o ‘Principal’ Etienne Galand. “Esta Secção internacional valoriza ainda mais as propostas deste estabelecimento e dá aos alunos a possibilidade de valorizar o ensino do português”.

“Uma Secção internacional é mais prestigiada” garante a Inspetora para o ensino português na Academia de Versailles. “As Secções internacionais são raras. Por exemplo aqui, neste Departamento do Essonnes, não havia nenhuma Secção Internacional. Vamos abrir agora 4, duas britânicas, uma americana e uma portuguesa” confirmou Isabel Leite ao LusoJornal.

Uma Secção internacional é um dispositivo que existe no ensino francês onde os alunos têm um ensino completo em francês, com todas as disciplinas, ao qual se juntam mais 6 horas por semana: 4 horas de literatura e 2 horas de história e geografia, neste caso em língua portuguesa. “É um percurso de excelência” garante Adelaide Cristóvão. “Chegam ao fim do percurso escolar completamente bilingues porque com esta carga horária têm uma facilidade de comunicar, quer oralmente, quer por escrito, na língua portuguesa”.

Para Isabel Leite, “faz todo o sentido abrir esta Secção aqui em Corbeil porque temos alunos que estudam português na escola primária, no âmbito do dispositivo EILE dado pelos professores do ensino português, porque já temos, neste colégio, uma turma bilingue e também porque temos uma continuidade no liceu onde os alunos podem continuar a estudar português em LVB, mas também podem começar a estudar português em LVC em ‘seconde’. E também temos o superior com algumas turmas de BTS” disse ao LusoJornal.

Vanessa Carvalho é a professora de português que está atualmente a lecionar em Montgeron e que vai abrir, em setembro próximo, esta Secção internacional de português. “Eu sou lusodescendente e fui aluna da Secção internacional no colégio Balzac, em Paris. Fiz os meus estudos em França e passei o concurso para ser professora de português. Dei aulas em turmas bilíngues até agora e no próximo ano vou ser professora na Secção internacional” contou.

Nas turmas bilingues pode entrar qualquer aluno, mesmo que não saiba ainda falar português. “Não têm bases quando chegam aqui, mas o objetivo é de conseguirem falar português até ao final do colégio, apresentar-se, apresentar a família, falar do quotidiano” explica a professora. “Para os alunos que já falem português em casa, é muito difícil assistirem a essas aulas nas quais eles vão aprender a apresentar-se, então é muito interessante para eles terem este novo percurso que vai abrir aqui, a partir de setembro, para terem aulas com o mesmo programa que teriam em Portugal”.

Em geral, nas Secções internacionais, os professores de português e de história e geografia são colocados pelo Instituto Camões, mas neste caso, é o próprio Ministério francês que coloca uma professora. “Depois veremos para o desenvolvimento” diz Adelaide Cristóvão.

Se tudo correr bem, se as inscrições acontecerem, na próxima “rentrée” de setembro, começarão as aulas para uma turma de 6ème, no ano seguinte haverá uma turma também em 5ème e dentro de quatro anos, todos os níveis do colégio terão uma turma internacional de português no Collège La Nacelle.

Há 25 Secções internacionais portuguesas em França, não apenas na região parisiense, mas também em Strasbourg, Nice, Lyon e Grenoble. Saint Germain-en-Laye é a mais antiga na região parisiense e ensina desde a pré-primária até ao 12º ano. Há também Secções internacionais nas cidades de Le Pec, em Saint Cloud, em Paris (Balzac e Montaigne), em Brie-sur-Marne e em Fontainebleau.

“É evidente que as Seções internacionais são feitas para alunos que já tenham o português como língua de herança” explica Isabel Leite. Por isso há uma seleção à entrada, não apenas para identificar o nível do aluno, mas também para compreender a apetência que o aluno tem para ter uma carga horária semanal. “É necessário que sejam crianças que estejam vocacionadas não para atividades mais manuais, mas para o estudo, para a leitura. Uma criança a quem nós vamos acrescentar no horário 6 horas a mais de trabalho semanal, não pode ser uma criança que se sinta contrariada e infeliz” acrescenta Adelaide Cristóvão.

Durante o dia de sábado, os alunos foram passando pela sala de aula de português, onde foram recebidos pela professora atual da turma bilingue, pela professora que passará a lecionar no próximo ano e pela assistente brasileira que ali está colocada.

Também estiveram presentes os dirigentes da Associação dos Originários de Portugal (AOP) de Corbeil Essonnes – associação com cerca de 400 associados e que gostaria de propor aulas de português para adultos – e três autarcas da cidade, que destacaram a importância das relações internacionais da cidade a localidade de Esposende, com a qual estão geminados, e “a importante Comunidade portuguesa residente na região”.

A Coordenadora do ensino de português ofereceu uma biblioteca de livros portugueses para o Collège e os alunos do curso profissional de hotelaria a funcionar naquele colégio, prepararam guloseimas com bacalhau e com doçaria portuguesa.

Tanto o estabelecimento de ensino, como a Academia e a Coordenação de ensino, apelam os portugueses residentes nesta região sul de Paris, que inscrevam os seus filhos nesta via “de excelência”.

 

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