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O LusoJornal publica aqui uma carta que recebeu dos sócios do Clube Português de Toulouse (pelo menos eram sócios em 2016) sobre o diferendo que tem abalado a vida desta associação de Portugueses na «ville rose»:

 

«Verdade dos factos ou os factos da verdade.

Estamos a falar do Clube Português de Toulouse e, pelos vistos, falta a versão dos sócios.

Vamos apenas, e só, relatar a verdade dos factos de forma simples e clara.

 

Em primeiro lugar, gostaríamos de chamar a atenção pela forma, não diremos maliciosa, mas enganadora, como começa o artigo publicado no LusoJornal datado de 13/10/2017, cujo título «Vice-Cônsul de Portugal apresenta queixa contra o Clube Português de Toulouse» remete para uma falácia, pois o Vice-Cônsul não apresentou queixa contra a Direção do Clube Português de Toulouse, quando muito contra o seu Presidente.

Para além disso, o cerne da questão não está nem no Vice-Cônsul, nem numa eventual queixa, mas sim na conduta do Presidente do Clube Português que se tem revelado, no mínimo, suspeita. Como às vezes na vida nem tudo o que parece é, vamos à verdade dos factos.

Vamos lá então resumir as sete páginas cheias de nada, que apenas têm como função gerar ruido, distrair a comunidade do verdadeiro problema e, em última analise, até poderão ser interpretadas como um ato intimidatório.

Como as tricas não interessam, vamos a factos.

 

Logo na primeira Assembleia, depois do Presidente “Victor Lima” tomar posse, já com a venda do Clube Português de Toulouse na mira, ficou vincada a ideia de que tínhamos de esquecer o passado, colocar de lado as relações pessoais e abraçar o desafio de ajudar a nova Direção a dar um novo rumo ao Clube Português de Toulouse. O começo até foi auspicioso, uma equipa com alguma dinâmica, que levou a cabo uma série de eventos com a casa cheia. Nesta fase, parece ter renascido uma vaga esperança, embora vã, de evitar a venda da sede.

No entanto, à medida que o tempo passava, tudo começaria a deixar de ser o que de início parecia querer ser, as iniciativas tornaram-se inócuas, a dinâmica perdeu o fôlego, a esperança foi-se dissipando e a venda da sede tornou-se assim uma inevitabilidade.

Em agosto de 2015 deveríamos começar a desocupar a sede.

Sem nunca ter sido posta em causa a liderança do Presidente, a venda nesta altura era a consequência de resultados menos conseguidos das Direções anteriores. Por vezes é só mesmo um sinal dos tempos. Meus amigos, deixem-nos que vos diga que só há um tipo de pessoas que nunca erra: as que nada fazem.

Nota: A 27 de outubro de 2015 é enviada uma carta aos sócios a informar, entre outras coisas, que a escritura da venda do Clube tinha sido efetuada no dia 23 desse mesmo mês. Informa também que o Conselho de administração iria reunir a 27 de novembro de 2015 para definir um projeto para o Clube Português de Toulouse, e que este seria apresentado na próxima Assembleia geral aos sócios planeada para dezembro desse mesmo ano.

 

Da Assembleia Geral Extraordinária/Ordinária, convocada para 5 de dezembro, dos itens da ordem de trabalhos destacamos a apresentação do exercício de 2014 e o projeto de alteração dos estatutos. Quanto ao referido projeto, que deveria ter sido definido na reunião de 27 de novembro, nada constava da Ordem de trabalhos.

Quanto ao resultado do exercício, ficámos surpreendidos ao verificar que, em itens relacionais, os valores das compras eram superiores em 74,67% relativamente às vendas. Extraordinário!

Nota: Em apenas sete meses de exercício foi apresentado um resultado negativo de 6.650,53 euros. Se não tivesse havido um donativo de 1.000 Euros, o resultado passaria a ser de 7.650,53 euros negativos. Felizmente, o exercício foi de sete meses, mas… e se fosse de um tempo superior?

Significa portanto, que esta Direção aumentou a dívida. Desse exercício devemos fazer uma referência ao empréstimo de 4.000 euros do Sr. António Capela para ajudar o Clube Português de Toulouse, não vendo por isso qualquer tipo de ingerência, apenas disponibilidade para ajudar (consta no detail du bilan passif).

 

De referir que na reunião de 5 de dezembro, o Presidente, de forma abrupta, autoritária, e sem o mínimo de respeito pelos associados e entidades convidadas, pôs fim a essa Assembleia, afirmando, em viva voz, que o fazia porque as pessoas não concordavam com a ideia de projeto, que fora anunciado verbalmente, e que consistia na compra e venda de apartamentos (algo muito confuso). Revelou ter um «mau perder», frisando ainda que, enquanto Presidente (mais uma vez num ato de puro autoritarismo), se fosse muito pressionado poderia fazer o que bem entendesse com o dinheiro da venda do Clube (entenda-se, dar o dinheiro a uma associação e, por inerência, terminar a atividade do Clube Português de Toulouse).

 

Não tendo resultado nada de concreto dessa Assembleia, relativamente ao futuro do Clube, os associados insistiram para que se marcasse uma nova reunião onde se pudesse discutir o futuro do Clube, assim como fazer a apresentação de um projeto elaborado por alguns sócios.

No entanto, a única resposta obtida foi o silêncio. Assim, no dia 11/05/2016 foi enviado ao Presidente do Clube uma carta, assinada por vários sócios, onde lhe era solicitada uma nova reunião com os seguintes itens que passamos a transcrever:

«Todos os elementos abaixo identificados vêm, pela presente, na qualidade de sócios da Associação do Clube Português de Toulouse, manifestar, junto de V. Exa, nos termos e para os efeitos do disposto no número 1, 8, 9 do artigo 17 do capítulo IV dos estatutos desta associação (Clube Português de Toulouse), a nossa intenção de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária a realizar em data a indicar por V. Exa. Junto indicamos uma ordem de trabalhos que desejamos discutir.

Ordem de trabalhos:

– Apresentação de projeto para associação.

– Fazer o ponto de situação sobre a aquisição de uma nova sede.

– Esclarecimento sobre a receita e sua aplicação provenientes da sede da associação

– Discussão da não existência de «Comissaire aux comptes»

 

Mesmo antes de enviarmos a referira carta (o que fizemos a 15/05/2016) e sem conhecer o teor da mesma, já os sócios estavam a ser vítimas de insultos e ameaças por parte do Sr. Presidente através de alguns telefonemas. Como o assunto não era do seu interesse, a carta foi recusada, mas, como isso era previsível, tivemos o cuidado de fazer chegar o teor da mesma por e-mail, em tempo útil, e com a confirmação de que o e-mail foi aberto.

Passado algum tempo, não muito, com os ânimos já resfriados, foi realizada, se assim poderemos chamar, uma reunião no próprio local que foi aventado como um possível local para a futura associação (antigo espaço Bikini). De referir que a procura e proposta do local foi apresentada por um dos sócios.

Mais uma vez, e por existirem discordâncias, quer relativamente à localização, quer aos custos que implicaria um projeto naquele local e porque na sua maioria iam em sentido contrário à vontade do Presidente, emergiu, de novo, e para nossa surpresa (pois tínhamos uma vã esperança de que a atitude tomada na reunião de 5 de dezembro tivesse sido um caso isolado), a faceta de mau perdedor, evidenciando prepotência, arrogância, autoritarismo e, mais uma vez, num ato de soberba inqualificável, voltou ao insulto gratuito e às ameaças.

Como a partir daí não tivemos mais notícias, em novembro contactámos um advogado para nos representar, na tentativa de intermediar a relação e o contacto / diálogo / conversações com o Presidente do Clube Português.

A 21 de novembro de 2016 foi enviada a primeira solicitação. Mais uma vez, e sem colocar em causa a condição de Presidente, a questão era a mesma de sempre e que passo a transcrever.

«(…) Ils m’indiquent encore qu’en leur qualité, ils vous auraient interrogé afin de connaître les conditions de la vente ainsi que les suites données au placement financier du prix de la cession (…)»

 

Aqui começa a segunda parte da história, que é quando «o coelhinho e pai natal vão no comboio ao circo».

Como resposta, obtivemos uma mentira remetendo-nos para a dita Assembleia de 5 de dezembro de 2015, aquela que atrás foi referida e que já tinha acabado ainda antes de começar, onde nada foi discutido ou aprovado. Simplesmente uma mentira, na tentativa de afastar os sócios.

Com o aproximar do final do ano, e porque o contacto com o Presidente era, definitivamente, impossível, solicitámos ao nosso advogado que enviasse cheques de seis associados para pagamento das cotas referentes a 2017.

A resposta não se fez esperar e com contornos de burlesco. O Sr. Presidente rejeita os cheques, porque os pedidos de adesão de associados não estavam em conformidade. Estranho, pois para além de todos já serem sócios, pelo menos um deles faz parte da Direção.

 

Daqui para a frente, e porque achamos que o Presidente que sendo um homem de Lei, também não estaria fora dela, muito menos do Código deontológico a que está obrigado, antes de recorrermos ao Procurador, informámos o Bastonário da ordem. Talvez porque houvesse perguntas a mais e respostas a menos, dá-se início a uma série de peripécias, na sublimar arte do contorcionismo.

Tudo isto veio desembocar num ataque pessoal, personificado na notícia que saiu no LusoJornal a 13/10/2017, só porque alguém supostamente utilizou o direito de veto. É um direito que lhe assiste, consagrado nos estatutos, e que o Presidente replicou no projeto de alteração de 05 de dezembro, que nunca foram aprovados, mas que serviu para tentar afastar os sócios.

Ora meus amigos, um homem de Lei utilizar ataques pessoais só porque um cidadão recorreu à Lei para repor a verdade é, no mínimo, caricato. Sinceramente, como é possível que as pessoas se façam passar por virgens ofendidas, a quem só falta derramar lágrimas de crocodilo?

Depois de ter exaltado os seus feitos como se de um ato Sebastiânico se tratasse, verificou-se que o melhor que conseguiu, no final de sete meses de exercício, foi criar mais dívida.

Porque será que as pessoas insistem em fazer disto a baía dos pinguins? À boa maneira do Diácono Remédios «Eu é que sou o Presidente da Junta», que ser é este que exalta a própria personalidade, considerando-se o centro das atenções? Praticamente acabado de chegar a Toulouse, que ser é este que diz ter chegado como altruísta? Mas o que é, para ele, ser-se altruísta? Achamos que o Sr. Presidente está equivocado. Quem é afinal este senhor? O calimero? Lobo na pele de cordeiro? A mulher de «César»? Pois, não basta ser, é preciso parecer.

É verdade que os livros formam os sábios, mas a educação forma os homens. Há coisas na vida que dinheiro algum pode comprar, é mesmo uma questão de berço, ou se tem, ou se não tem. Sinceramente, recusamo-nos a pensar que o Sr. Vítor Lima sofra de aversão mórbida e patológica contra a Comunidade. Numa tentativa desesperada, como se algo quisesse esconder, convoca uma Assembleia cujos sócios ninguém conhece, mas que resulta na atribuição de plenos poderes para efetivar a compra dum imóvel em Queluz – Sintra. Isto no passado mês de agosto.

 

PS: Parece que desde a última Assembleia, e sem existir qualquer atividade, a dívida aumentou. Só para que conste, no referido projeto de estatuto, o Sr Presidente inscreveu no «article 13 – Bureau du Conseil. Alínea 3 o seguinte: Les fonctions de membres du Consel d’Administration sont cumulatives dans la limite de deux fonctions, eles sont exercées gratuitement». Deixo apenas a interrogação: quem tem esse dinheiro?

Apenas uma nota: Até ao momento, segundo a informação que dispomos, não existe qualquer imóvel registado em nome do Clube Português de Toulouse em Queluz, Portugal.

 

São 50 anos de memória coletiva que alguém quer fazer desaparecer. O Clube Português de Toulouse, mais do que ser dos sócios, é da Comunidade e é para lá que deve voltar. Da parte dos sócios sempre existiu e existirá espaço para o diálogo e o bom senso no sítio certo para resolver este impasse, evitando desta forma todo o folclore que se instalou à volta de assunto. Para o futuro, esperamos um projeto da, para e com a Comunidade.

Só assim faz sentido o nome Clube Português de Toulouse».

 

António Santos

Joaquim Rodrigues

 

 

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