LusoJornal | Carlos Pereira

Alunos do Liceu francês do Porto estão esta semana no Liceu Jules Guesde de Montpellier

Um grupo de alunos do Liceu internacional francês do Porto chegou esta segunda-feira a Montpellier para uma semana de intercâmbio com o Lycée Jules Guesde. Os alunos vão regressar no sábado a Portugal, mas os professores já têm outros projetos em preparação.

O Lycée Jules Guesde é um liceu internacional com duas secções portuguesas: uma secção europeia com o 10°, 11º e 12º ano e uma secção com português em opção enquanto terceira língua. No total temos cerca de 80 alunos a aprender português neste liceu” explicou ao LusoJornal a professora Paula Francisco.

“Isto mostra que o português é uma língua que tem uma vocação internacional e que os Franceses começam a querer aprender. É uma boa notícia para a nossa língua portuguesa” diz por seu lado Nathalie Pinheiro, Cônsul Honorária de Portugal em Montpellier.

Este intercâmbio com o Liceu internacional francês do Porto ainda é recente, começou no ano passado. Durante um ano, os alunos de 11° ano fizeram um trabalho virtual, à distância. “No ano passado começámos com videoconferências, trabalhámos sobre a Revolução dos Cravos. Os alunos partilharam os trabalhos que fizeram” explica Paula Francisco. Este ano, têm lugar os intercâmbios reais: no mês de dezembro, antes das férias de Natal, os alunos franceses foram a Portugal e agora, são os alunos do Porto que se deslocam a França.

O Liceu francês internacional do Porto tem cerca de 1.300 alunos, a partir os 3 anos, na pré-primária, até ao 12° ano. “Como é um liceu francês, na maioria das disciplinas são dados os programas franceses, obviamente, mas há disciplinas em que são dados os programas portugueses, como é o caso de Português ou de História de Portugal. Quando os alunos terminam o ciclo escolar podem ingressar em qualquer universidade portuguesa ou francesa, são perfeitamente bilingues porque o português e o francês passam a ser línguas maternas, mas também estudam inglês, espanhol e alemão. São alunos que saem com um vasto currículo, não apenas em línguas, mas também nas outras disciplinas” diz ao LusoJornal a professora Cidália Abreu que acompanhou o grupo portuense.

“Eu achei este intercâmbio uma ótima ideia, porque eu gosto e o nosso liceu incentiva muito, desde a tenra idade, que os alunos partilhem experiências, organizamos viagens de cariz pedagógico, deslocamo-nos também ao exterior quando há essa oportunidade” diz a professora portuguesa.

Durante toda esta semana os alunos visitam a cidade de Montpellier, a Faculdade de medicina, o Museu Fabre… mas também trabalham no liceu com os colegas franceses e vivem em casa dos seus correspondentes. “Está a ser uma experiência muito enriquecedora porque temos a noção que os alunos saem a ganhar, não só pessoalmente e culturalmente, mas também academicamente, mesmo a longo prazo, porque achamos que isto vai ter repercussões para o futuro, são amizades que vão criando e que vão guardar para a vida toda” confessa Cidália Abreu.

Para a Cônsul Honorária de Portugal em Montpellier “este tipo de intercâmbio é muito interessante, porque permite aos alunos do Porto descobrir a cidade de Montpellier, que é uma cidade universitária, com muitos estudantes. Estes intercâmbios permitem conhecer outra cultura, outra maneira de estudar”. Mas Nathalie Pinheiro considera também que ajudam a promover a língua portuguesa.

A Conselheira municipal delegada com o pelouro das Relações internacionais, Clare Hart recebeu o grupo português na segunda-feira à tarde, logo que os alunos chegaram a Montpellier. “Quando eu vejo isto, sou uma mulher feliz!” confessou ao LusoJornal. “O Maire de Montpellier dá muita importância a esses intercâmbios entre jovens, porque o mundo está muito complexo, o mundo está em dificuldade, há guerras um pouco por todo o lado e nós necessitamos que a nossa juventude aprenda a conhecer-se, aprenda línguas estrangeiras para comunicar melhor e aprenda a apreciar a cultura dos outros”.

“Com a chegada do Presidente Trump, nos Estados Unidos, necessitamos de ter uma Europa que se afirme. Criando estes intercâmbios, estamos a construir a Europa e eu fiquei muito sensibilizada, há pouco, quando tirámos a fotografia de grupo, os jovens espontaneamente pegaram na bandeira da Europa. Isto mostra esta adesão à família europeia através da França e de Portugal” disse Clare Hart.

A Conselheira municipal recebeu os jovens na Maison des Relations Internationales e disse-lhes que gostava que um dia viessem estudar na cidade. “Nós somos uma grande cidade universitária, muito cosmopolita, com gente que vem dos quatro cantos do mundo” e pediu aos jovens do Porto para serem “embaixadores de Montpellier” e que voltem, “se não for para fazer todos os estudos aqui, pelo menos para um ano no quadro do programa Erasmus. Estamos aqui para vos acolher de braços abertos”.

Para já, Paula Francisco diz que este intercâmbio é apenas o princípio de uma colaboração mais sólida e anunciou que os alunos do 11° ano já vão começar a trabalhar à distância com alunos portugueses que vão participar no intercâmbio do próximo ano.

“Não faltam projetos” conclui por seu lado a professora Cidália Abreu. “Temos um projeto que não vai durar uma semana, mas sim um mês ou um mês e meio. A ideia é que os alunos possam frequentar as aulas dos respetivos liceus para verem como funciona, vivendo o dia a dia de um aluno que vai para o liceu, só que não é o liceu deles, é o liceu do seu correspondente”.