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A editora da Universidade de Toulouse-Jean-Jaurès – as Presses Universitaires du Midi (PUM) – acaba de publicar “Frontières”, uma antologia de peças dramatúrgicas que inclui “Exílios[s] 61-74” da autoria do dramaturgo Ricardo Correia.

Além deste contributo português, a antologia, integrada na coleção “Nouvelles Scènes” e coordenada por Antonella Capra, conta também com textos oriundos de França, Equador, Itália, Grécia e Marrocos, tendo todos como tema comum a questão das fronteiras, da confrontação de culturas e das posturas perante o Outro.

“Na era da globalização, abalada pela crise económica e migratória”, refere a promoção da obra, “as fronteiras nunca estiveram tão presentes como hoje. Desde o sonho das civilizações que pretenderam eliminar as fronteiras dos seus territórios, até às viagens de esperança em busca de uma terra de acolhimento, o ser humano nunca cessou de redesenhar o mapa do mundo”. E conclui-se constatando-se que “o teatro contemporâneo serve de porta-voz aos movimentos de indivíduos e de povos, dando fala, por intermédio da ficção cénica àqueles que, na realidade, são frequentemente invisíveis e estão à margem, esquecidos; pessoas em processo de transição a quem falta uma voz”.

“Exílios[s] 61-74” foi escrita em 2017 partindo da colagem de testemunhos de exilados, refratários e desertores portugueses entre 1961, começo da Guerra Colonial, e 1974, o fim do longo inverno fascista lusitano. O texto inclui ainda excertos de obras do Teatro Operário de Paris e um discurso do político e general Kaúlza de Arriaga.

Nesse mesmo ano, “Exílios[s] 61-74” teve a sua estreia em Arganil, no belíssimo e restaurado edifício da Antiga Cerâmica Arganilense, inserida no festival “Outras Vozes, Outras Gentes”, da cooperativa Hermes.

Ricardo Correia é o Diretor artístico da Casa da Esquina, um centro cultural em Coimbra, onde desenvolve trabalho de criação transdisciplinar e colaborativo. Trabalhou também em teatro, televisão e cinema e é autor de uma dezena de textos teatrais.

 

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